segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

QUE VENHA 2014 !!!!

Olá amigos,

O ano de 2013 definitivamente é um ano para ser esquecido. Entre lesões, perdas de entes queridos, dificuldades em manter o MYSTIC em dia e um ano muito duro no trabalho, o tempo foi passando e cá estou: ficando resfriado (pra fechar o ano com chave de outro) mas totalmente esperançoso com o ano novo que se aproxima.

Quero agradecer de coração a todos que tiveram paciência de ler os artigos que publiquei aqui e ressaltar que em 2014 pretendo continuar sendo útil, através de novos posts, sejam técnicos, sejam histórias estimulantes a aproximar as pessoas do mar e da natureza.

Adeus 2013
Como costumamos dizer no meio náutico...

Que em 2014 os ventos soprem generosos, sempre a favor.

Que as rajadas sejam sempre favoráveis e os bordos sejam sempre positivos.

Que consigamos orçar diretamente para nossos objetivos e que o mar nos deixe passar.

Que nossos barcos sejam testemunhas do surgimento de novas amizades e da consolidação das antigas também.

E que a paz e um mundo melhor inflem nossas velas!


Um forte abraço,

Lauro Valente & Família



sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

AVENTURAS DE AUDITÓRIO

Olá amigos! Quanto tempo!

Desde quando comecei a fazer as manutenções no MYSTIC, a lista, que já não era simples, tornou-se ainda mais complicada, muito em função da minha dificuldade de estar sempre a bordo trabalhando. Cada tarde de trabalho significa uma tarde longe da família e quem tem filho pequeno sabe o quanto eles consomem um casal. Não dá para toda hora largar tudo e ir pro barco trabalhar. E assim o tempo passou... e pouca coisa foi feita, efetivamente.

Mas esse artigo não é para contar minhas lamentações. Quero compartilhar uma nova experiência vivida esta semana e que me proporcionou especial prazer: Virei palestrante!!! (rs)

Tudo começou alguns meses atrás, durante uma conversa com o Matheus Eichler - Vice Presidente da ABVC Rio e Comodoro da Flotilha Guanabara. Eu havia acabado de assistir a uma palestra ministrada por ele e estávamos conversando sobre as dificuldades de se estimular a vela de cruzeiro por aqui, o fardo que o Matheus e alguns poucos abnegados carregam sozinhos e a necessidade permanente de ajuda que eles tem. Eu já havia passado por isso quando organizei os agradáveis "Encontro em Seco" do Grupo Altomar e sei o quão valioso é qualquer auxílio.



Por outro lado, tenho consciência que, no atual estágio da minha vida, não tenho como me engajar num projeto com o compromisso que o Matheus se dedica. Eu já havia tentado ser útil, certa vez, a uma nova diretoria do meu clube - o PCSF e acabei me vendo obrigado a deixar a turma na mão.
... Mas queria poder ajudar de alguma forma...

Meu amigo de sempre e companheiro das travessias - o Ulisses sempre dizia que eu deveria ganhar um dinheiro dando aula de vela, já que sempre fui muito interessado em entender o comportamento das velas e do barco, sempre caprichava na regulagem e por isso tinha um bom conhecimento. Ele também insistia que eu tinha paciência pra ensinar e tal...

Naquele bate papo com o Matheus, ele me falou algo que acabou sendo a senha para eu ter uma ideia e, mais do que isso, criar coragem de pô-la em prática. Dizia ele que as palestras eram ministradas, muitas vezes, por gente do próprio grupo. Era uma troca de experiências e uma oportunidade de debate entre a turma. Ele ainda me perguntaria se eu não tinha ninguém pra indicar para falar de algum tema útil para a galera... Me senti estimulado, então a colaborar, pois era algo que não me tomaria tempo, nem me demandaria muitos esforços. Desta feita, indiquei meu amigo Luciano Guerra para dar uma palestra sobre meteorologia e me coloquei a disposição para falar alguma coisa sobre regulagem de velas.

A palestra do Luciano foi um sucesso e rende debates e questionamentos até hoje. O pessoal aprendeu um pouco sobre microclima e os sistemas que atuam em nossa região, especificamente. Algo de muito interesse, já que muitos conheceram alguns fenômenos característicos da Baía de Guanabara, por exemplo.

Minha palestra acabou ocorrendo algumas semanas depois e fiquei surpreso com os elogios recebidos, os quais agradeço, porém refuto em parte, pois não me considero um expert no assunto.

Eu baseei minha apresentação num livro que considero uma bíblia para qualquer velejador: "Manual de Regulagem de Velas", de Ivar Dedekan. Claro que minha experiência de 11 anos como regateiro fissurado e o aprendizado que tive com alguns grandes velejadores também ajudaram muito na montagem da palestra.

Basicamente procurei mostrar pra galera de cruzeiro (a qual me insiro, já que minha origem e formação na vela foi cruzeirando e hoje é o que tem me dado mais prazer) que uma boa e eficiente regulagem de velas não deve ser obrigação de quem corre regatas. Um barco corretamente trimado, além de andar mais (objetivo do regateiro), poupa mais o equipamento e traz mais segurança para a velejada.

Numa travessia Rio x Angra, por exemplo, de 12 horas de duração (em média), um barco corretamente trimado pode alcançar 0,5 nó a mais, o que lhe poupará, ao fim da viagem, cerca de 1 hora a menos.

Agora imagine uma velejada com vento mais forte? Velas corretamente içadas e trimadas vão reduzir o adernamento do barco e o peso do leme. A estrutura do veleiro agradece! (rs)

E se você está perigosamente sendo jogado numa praia a sotavento e seu motor não funciona? Maneje corretamente seus panos e orce contra o vento até alcançar uma distância segura.

Bem, existe assunto para um livro, mas deixo isso para o excelente trabalho do Ivar Dedekan. Podemos sim, quem sabe, organizar um novo encontro e discutir esse tema com mais profundidade.

Bons Ventos

domingo, 23 de junho de 2013

MANUTENÇÕES - PARTE 1

Desde abril, quando trouxe o barco de Angra pra Niterói, tenho tentado ir ao clube pelo menos 1 vez por semana, mesmo que tenha que ser de noite, após o trabalho. A lista de afazeres é extensa e quase sempre que meto a mão pra fazer alguma coisa, sempre aparecem pequenas complicações que aumentam e atrasam o trabalho. Foi o caso da troca da bomba de porão e limpeza do poceto. Descobri uma válvula de retorno velha no meio do circuito. Pra retirá-la, acabei tendo que trocar a mangueira etc.


Os instrumentos, em foto na época em que estava comprando o barco.

Hoje vou escrever um pouco sobre os eletrônicos e o desfecho positivo da operação de salvamento dos aparelhos.

Quando comprei o barco, os displays sequer acendiam. Eu não sabia se era somente um problema elétrico, se os aparelhos estavam queimados, ou mesmo se estavam devidamente instalados. Depois que superasse essa etapa, ainda seria necessário verificar se as informações chegavam corretamente dos sensores.

MYSTIC, já sem os instrumentos no painel sobre a cabine
Como na época eu não dispunha de tanto tempo assim e haviam outras prioridades, contratei um profissional que, apesar de eletrônica não ser seu forte, tinha bastante experiência com barcos e seus sistemas. O diagnóstico foi o pior possível: todos os displays estavam condenados. Sem alternativa, pedi então que desinstalasse a traquitana toda e guardei os displays.

Os instrumentos acenderam, mas ...
 O tempo passou e a falta de uma sonda me incomodava profundamente, além de, a cada vez que olhava para aqueles displays no fundo do armário, sempre desconfiar que eles tinham solução e que sua retirada fora precipitada.

Na semana passada resolvi ir para o barco testar os aparelhos e acabar de uma vez por todas com minha inquietude. Com um multímetro, confirmei que chegava energia normalmente no painel externo, onde os displays estavam instalados, apesar dos pinos do conector estarem bastante oxidados. Na sequência, saí desmontando os acabamentos do teto da cabine, fuçando os paineiros etc e percorri todo o caminho desde os sensores até o dito painel. Os cabos estavam em bom estado e íntegros, além de não haver problema em suas conexões com os sensores, pelo fato de não haver conectores ali. O cerco estava se fechando.

... ainda sem marcar dados
Sem fazer qualquer limpeza, espetei o conector da sonda e para minha alegria, ele acendeu. Conclusão: o cara não testou porcaria nenhuma! Conectei os demais displays (wind e speed) e vi, pela primeira vez, os eletrônicos do MYSTIC funcionando, ainda que sem marcar qualquer informação. Fazê-los funcionar seria uma questão de tempo - eu pensei, apesar de restar a dúvida se os sensores estavam funcionando.

O próximo passo foi desmontar o painel e acessar os cabos lógicos (cabos que vem dos sensores). Já na semana seguinte a que comecei o trabalho e armado de um spray limpa contato, procurei fazer uma limpeza minuciosa dos conectores, bem como recuperar um ou outro que aparentavam estar com os pinos tortos. O grande momento enfim chegara: era hora de conectar tudo e ver se funcionavam.

A conexão foi um capítulo à parte: sem manual e com uma penca de cabos, quase todos iguais, como ligar sem errar? E se ligasse errado, queimaria os displays ou algum sensor? Na verdade, as ligações foram meio óbvias, pois quando segui os cabos, eu marquei qual era pra quê. Somente as ligações elétricas entre cada display requereu um pouco mais de atenção.


O sensor do wind, no tope do mastro
OK! Tudo ligado, era hora de testar! Energia ligada, os instrumentos funcionaram, para minha enorme alegria. Mas alguns minutos depois, as informações vindas dos sensores começaram a apresentar intermitência na marcação, ou seja, a sonda hora marcava corretamente, ora marcava uma profundidade louca. O wind marcava a direção do vento, mas não sua velocidade e o speed não poderia marcar nada mesmo, pois o sensor estava fora do casco.

A noite de trabalho se encerrou sem que eu conseguisse resolver o problema. Mesmo após desmontar tudo e limpar novamente os conectores e remontar novamente, desta vez no painel onde ficam, as informação continuaram truncadas. Fui pra casa com uma pontinha de frustração. O que poderia ser?



Tudo funcionando, mas com marcações irreais

Ontem estive novamente no barco para subir no mastro e trocar a lâmpada do tope por LED e para tirar a biruta, que estava quebrada. Antes de começar a preparar a faina, liguei os eletrônicos e, para minha surpresa, eles funcionaram normalmente. Enquanto preparava a faina para subir, deixei tudo ligado, para verificar se o problema do meio de semana se repetiria. Para minha alegria, tudo funcionava. Quando eu ia subir no mastro, entrou um vento SW de uma pre-frontal que acabou por suspender minha faina, pois o barco balançava muito. Pelo menos foi bom para verificar que o wind parece ter ficado bom de vez. Ainda que com as unidades métricas desconfiguradas (estava em m/s, ao invés de nós), o aparelhinho marcou honestamente a velocidade e direção - 12 m/s, ou aproximadamente 24 nós. Com a tarde perdida mesmo, terminei de montar o painel e fui pra casa.


video

Mais uma vez, a lição que tiro disso tudo é a questão da falta de mão de obra especializada. Enquanto confiei no trabalho de um profissional, fiquei praticamente 2 anos sem os instrumentos. Com um pouco de estudo, paciência e crença de que tudo poderia dar certo, tive, eu mesmo, que meter a mão na massa e resolver o problema. Felizmente com um final feliz. Mais uma etapa cumprida e que venham as próximas.


Bons Ventos,



sábado, 15 de junho de 2013

HOTEL 5 ESTRELAS

Final da semana passada foi de folga nas atividades no MYSTIC. Fomos pra Angra curtir um passeio a bordo do Caulimaram, do meu amigo de sempre, Ulisses e sua esposa, Marcela.

O Caulimaram
No início do ano, o Ulisses trocou seu Velamar 33 - o Coronado por um Samoa 36 - projeto do renomado projetista/cruzeirista brasileiro Roberto "Cabinho" Barros e (muito bem) construído pelo Manolo. Desde então, o Ulisses e a Marcela vinham insistindo para curtirmos um final de semana com eles.

Como sempre fazemos quando o MYSTIC está em Angra, partimos pra lá no sábado de manhã. A programação era zarpar da marina do Condomínio Portogalo logo após o almoço, dar uma velejada pela parte leste da Baía da Ilha Grande, pernoitar na praia da Crena, na Enseada do Abraão e retornar no dia seguinte de manhã, após o café.

Eu já havia visto o Caulimaram quando fizemos juntos a travessia Angra x Rio do MYSTIC, em abril, mas mesmo assim, ao chegar no cais, fiquei impressionado com o porte do barco e seu bom estado. E era só o começo! O barco é completo! Roda de leme com um baita pilotão automático, estação de vento, ecobatímetro, conversor 12V x 110V, geladeira elétrica, TV (com antena externa), sanitário elétrico, guincho elétrico, 650  litros de água, boiler para banho quente e muito mais. Um verdadeiro hotel 5 estrelas.

Além de nós, também foram convidados para o passeio o Henrique e sua esposa, Luciana. Quando chegamos, eles já nos aguardavam a bordo. Enquanto o Ulisses e o Henrique trocavam as luminárias do barco por LEDs, eu fiquei brincando com o Gustavo no cockpit. É enorme minha felicidade ao ver que meu pequeno está plenamente adaptado à vida a bordo e já se desloca com desenvoltura pra lá e pra cá.

Já era hora do almoço e como a fome já estava falando mais alto, a Marcela preparou um prático macarrão com atum com molho de tomate que nos deu uma bela forrada no estômago.

Saímos da marina sob uma fraca brisa, de não muito mais que 8 nós, mas que ainda assim empurrava o Caulimaram, com suas 8 toneladas, a honestos 4,5 nós, num contravento folgado. Muito bom!!! Velejamos tranquilamente durante algumas horas até as proximidades da Enseada do Abraão. Ali o vento morreu de vez e não tivemos outro jeito senão terminar de chegar a motor. Nosso destino final foi a praia da Crena, na extremidade esquerda da Vila do Abraão, pra quem olha do mar.

Destino Ilha Grande
A praia da Crena fica no fundo de uma pequena enseada e, na minha opinião, é o lugar mais tranquilo do Abraão para fundeio e pernoite. Na sequência, baixamos o bote e remamos até a praia da Julia, onde o deixamos e seguimos a pé até a Vila, para comprar umas cervejas e outras coisas para o jantar e café da manhã do dia seguinte.

Tripulação reunida
A noite caiu e retornamos para o barco sob um céu parcialmente estrelado. Para o jantar as meninas prepararam pizza de frigideira e em seguida, para completar a noite, abrimos um vinho e comemos alguns tira-gosto. A temperatura estava extremamente agradável e eu resolvi dormir no cockpit, não por falta de cama, pois eu, Renata e o Gustavo ficamos alojados na cabine de popa, com sua enorme cama, para os padrões de um barco. Durante a noite ainda caiu uma leve chuva que deu um ar ainda mais preguiçoso a nossa estadia. Da proteção do dog-house emendado ao bímini eu ficava contemplando o som da chuva na água daquele recanto. Dormi...

O domingo amanheceu com o sol realçando a beleza do mar naquele pedaço de paraíso. A chuva da noite ajudou a realçar o verde da mata e deu um tom esvoaçado sobre a Vila. São cenários como esse que aliviam nosso estresse do dia a dia e que nos fazem acreditar que vale a pena preservar a natureza. A paz sentida nesses momentos quase sempre compensam o esforço para estar ali.

Vila do Abraão, vista de bordo
As horas avançavam e um compromisso em casa, para a hora do almoço nos obrigou a suspender logo após o café da manhã. Ainda não havia vento quando recolhemos a âncora do Caulimaram e, assim, fomos navegando num ritmo preguiçoso a motor mesmo, contemplando as belezas da região e com nossa proa apontada de volta para a marina Portogalo.

Nos despedimos de nossos amigos renovando promessas de um novo passeio, de preferência num dia com bastante vento, para podermos extrair todo o potencial que o Samoa 36 pode oferecer na vela. Retornamos para Niterói com a alma e as forças renovadas, com muitas imagens bonitas povoando nossas mentes, até que o passar do tempo as apague. Aí saberemos que é hora de voltar para mais um passeio no paraíso.


Bons Ventos.

Curiosidade...

Na hora do almoço

Explorando a enseada da Crena

"Olha o peixe, papai!!!"

Entrar e sair da cabine não foi problema

Vento fraquinho, fraquinho

Que onda, hein?!!!

Ulisses e Marcela - os anfitriões

"Posso "puxar", papai?"

domingo, 2 de junho de 2013

UMA LISTA INTERMINÁVEL

E aí, pessoal? Beleza?

Imagine o seguinte:

- Hoje vou para o barco limpar o poceto...

Até aí, tudo bem, pois trata-se de uma tarefa bastante simples e rápida de ser executada. Então você entra no seu barco e, munido de balde, esponja e um detergente, levanta a tampa do paineiro. A primeira visão não é das melhores. Seu porão está com bastante água, quando você descobre que sua gaxeta está vazando.

- Ora, isso é mole! É só apertar o porta gaxeta! - Você pensa.

Continuando a faina, a melhor maneira de dar uma esvaziada no porão é ligando a bomba. Ao acionar o botão, você percebe que sua bomba está cuspindo água igual a um chafariz. Não lhe resta outra alternativa senão secar o porão com a esponja e um pano mesmo. Lá pelas tantas da faina, você nota que aquela mangueirinha do ralo do banheiro está entupida e por isso fica sempre um "choro" de água escorrendo por baixo dos paineiros...

Bem, a história acima é pura ficção e serve somente para ilustrar que uma simples manutenção pode resultar numa lista de afazeres sem fim. No nosso exemplo, a limpeza virou na seguinte lista de tarefas:

- Limpeza do poceto (a tarefa original);
- troca da bomba de porão;
- troca da gaxeta;
- desentupir o ralo do banheiro; e
- limpar o porão, abaixo dos paineiros.

O compressor da geladeira
Podem acreditar, lá no MYSTIC é a mesma coisa. Mais! Sou capaz de apostar que no barco de todo mundo é assim. Tem sempre alguma coisinha aparecendo pra fazer!

Quando trouxe o barco de Angra, no mês passado, já tinha uma pré-lista em mente e que só está aumentando. Hoje pretendo:

- Fazer a limpeza do porão do barco;
- Ressuscitar a geladeira, que desde quando comprei o barco, não funciona;
- Reorganizar as baterias sob a cama de popa, para caber uma segunda bateria de serviço;
- Limpar a caixa d'água,
- Eliminar os vazamentos de água em algumas gaiutas;
- Ressuscitar os eletrônicos do barco (Tridata), que assim como a geladeira, nunca funcionaram;
- Trocar o registro do esgoto da pia da cozinha, que parou de funcionar;
- Trocar a gaxeta;
- Consertar a biruta, no topo do mastro;
- Revisão da capa da mestra (lazy jack)
- Eliminar um micro furo na mangueira do escapamento;
- Criação de um sistema para manter a mesa da cabine rebatível;
- Otimizar o sistema de burro da mestra; e
- Reorganizar o sistema de rizo da mestra.

O registro da pia não veda mais nada
Desde que o barco chegou a Niterói, alguns itens da lista já foram cumpridos. Outros já foram iniciados e os demais ainda nem sei por onde começar. 

O porão do barco já foi limpo, incluindo a troca da bomba por outra mais potente, troca da válvula de retorno e desengripameto do automático. As baterias já foram reorganizadas, só faltando comprar uma nova. O micro furo também já foi consertado, assim como a capa da mestra já retornou da Cognac Velas. O Luciano Guerra (veleiro Araiti), que tem me dado uma força enorme nessa faina sem fim, já trocou e regulou a gaxeta.

A geladeira será um capítulo a parte. Ela já foi testada e o compressor funcionou, mas descobri que um dos tubos de gás está rompido. A instalação elétrica da geladeira terá de ser refeita, assim como o termostato, hoje podre, terá de ser trocado.

Algumas gaiutas já tiveram sua borracha trocada, mas não toquei ainda nas do teto da cabine. Já a mesa da cabine foi retirada, restando desmontá-la e remodelá-la. Já estudei o sistema do burro e já sei o que vou fazer, mas falta comprar um moitão.

O que essa biruta tem, ...
... que essa biruta não tem?

Bem, ainda há muito o que fazer e o tempo urge! Minha meta inicial era retornar com o barco pra Angra na segunda quinzena de julho, mas tenho dúvidas se conseguirei. Vamos ver...



Bons Ventos!






quinta-feira, 30 de maio de 2013

ESTAMOS DE VOLTA

Olá pessoal,

Depois de um tempo sem postar, estamos de volta!!!

Não que nesse período o barco estivesse largado, ou mesmo que não estivéssemos navegando. Andou faltando um misto de tempo, paciência e criatividade para escrever. Mas o mar correu pela quilha do MYSTIC e a ideia agora é fazer um breve resumo do que rolou.

Depois daquele final de semana em meados de março (vejam a última postagem antes dessa), ainda fui à Angra com o Gustavo, com a ideia de simplesmente dar uma velejada, sem destino. Era um dia de semana, com sol fraco, mais para um mormaço e vento fraco. Bem fraco.

Saímos do clube a motor, em busca de ventos mais frescos. Logo ali em frente avaliamos que as rajadas já seriam suficientes para levar o MYSTIC e assim, começamos o passeio propriamente dito. Caso o vento permitisse, havíamos planejado das a volta na Ilha Gipóia e, portanto, tomamos o rumo do canal. Como com o passar das horas o vento não aumentou, ainda na altura da laje do Pendão, abortamos o plano simplesmente porque não haveria tempo suficiente para cumprirmos nossa meta. Some-se a isso que o tempo fechou de vez e uma leve garoa começou a cair. Bem, dali demos uma velejada até as Ilhas Botinas e seguimos de volta para o clube. No caminho o vento morreu de vez e terminamos o trajeto a motor, tal como saímos.

Eu já vinha aproveitando minhas idas à Angra para fazer algumas manutenções no barco, mas estava incomodado que a logística para trabalhar não era a melhor. Nessa ida, por exemplo, resolvi tirar a capa da mestra para levar para o Arnaldo (Cognac Velas) fazer uma revisão e foi só!

O MYSTIC em sua poita, em frente ao PCSF

A solução para poder dar um trato no barco seria trazê-lo para Niterói e, no final de semana do dia 20 de abril, zarpamos de Angra com destino ao Praia Clube São Francisco, em Niterói.

Tripulação
Para esta travessia, convoquei o Gustavo e o Luciano Guerra (veleiro Araiti) para comporem a tripulação do MYSTIC. Trata-se de dois velejadores muito safos e com uma boa experiência, de maneira que fiquei muito tranquilo para essa empreitada. Na verdade eu tinha outros amigos que gostaria de convidar para a travessia, mas pesou minha crença de que um barco cheio prejudica o conforto e o desempenho. Não faltarão oportunidades para eu pagar minhas promessas de vagas em travessias. (rs)

Junto com o MYSTIC, zarpou de Angra o Caulimaram - novo veleiro do meu amigo e parceiro de travessias, Ulisses. Esse barcão merece um post exclusivo, que terei o prazer de escrever em breve.

O Caulimaram navegando ao largo, rumo ao nosso ponto de encontro para travessia
Zarpamos das proximidades do Abraão, na Ilha Grande, por volta das 18h15, com vento fraco de través para alheta (S/SW). O mar estava bem calmo e assim ficou durante toda a travessia. Conseguimos velejar a mais ou menos 5 nós de velocidade em praticamente toda a Restinga de Marambaia, quando o vento morreu definitivamente. Navegávamos próximo ao través de Guaratiba quando o motor foi ligado em definitivo.

Esta foi uma travessia chata, sem graça, apesar da excelente companhia dos meus amigos tripulantes. O fato é que não vimos golfinhos, o vento não chegou a empolgar e até mesmo outras embarcações não cruzamos. Se é que podemos considerar uma diversão, a partir da Barra da Tijuca começamos a ver nuvens de chuva isoladas despejando aguaceiros aqui e ali. Ficamos num misto de torcida e preparados para desviar delas, pois não tem coisa pior que uma travessia molhada.

Por do sol na saída da Ilha Grande
Quando o dia clareou, já estávamos adentrando a Baía de Guanabara e, pontualmente às 6h30 da manhã o Gustavo estava sendo desembarcado na Marina da Glória. Dali, eu e o Luciano atravessamos a Baía para Niterói, rumo ao PCSF - nosso destino final. Quando arrumávamos o barco, já na poita, caiu uma chuvarada, que nos obrigou a permanecer a bordo até depois das 9h. Foi bom porque me permitiu dar uma cochilada - um motivo a mais para curtir o barco.

Chegando na Baía de Guanabara, com o dia amanhecendo

A partir de agora o papo volta a ser manutenção! A lista de afazeres e melhorias é grande e espero conseguir realizar tudo antes de levar o barco de volta pra Angra. Minha previsão (e vontade) é retornar em meados de julho, mas essa agenda só a evolução dos trabalhos vai poder confirmar.


Até a próxima!!!







sexta-feira, 1 de março de 2013

O ESTAI E OS TERMINAIS NORSEMAN


Olá Marujos,


Tenho visto muitas mensagens de e-mail comentando incidentes recentes envolvendo o rompimento de terminais Norseman. Já faz um tempo que gostaria de escrever algo a respeito e que acho muito importante e pode ser um motivo da redução da vida útil dos terminais

A montagem do terminal Norseman tem umas particularidades e tem que ser muito bem feita, sob o risco de acontecer rompimentos que podem explicar o que temos lido recentemente por aí.


Um esticador com um terminal Norseman em um de suas extremidades.

Para quem nunca teve a oportunidade de ver como é um terminal Norseman, a foto acima, de um esticador que tenho aqui e que ainda não troquei no barco, mostra as partes que compõem a peça. O terminal possui uma pecinha cônica dentro dele cuja montagem correta é fundamental, não só para a segurança do estai, como também para a durabilidade da peça.

Antes de explicar a montagem e os cuidados fundamentais para não deixar o terminal ser corroído precocemente, cabe mostrar como o cabo de aço dos nossos estais são feitos.

Na imagem ao lado (extraída do site do fabricante de cabos Morsing Carl Stahl - http://www.carlstahl.com.br), o cabo de aço utilizado em estaiamentos é o primeiro da lista (Cordoalha - 1x19). Percebe-se que ele é composto por uma espécie de 2 cabos enrolados - um envolvendo o outro. Pois ele é exatamente assim, com a particularidade de serem enrolados em sentidos opostos, com o objetivo de se evitar que o cabo de aço do estai se desenrole por algum motivo, ou com o passar do tempo. A cordoalha interior é enrolada no sentido horário e a exterior, no sentido anti-horário.

Bem, entendida como é a composição do cabo de aço de um estai, vamos entender agora pra que serve aquela pecinha cônica de cobre que vai por dentro do terminal Norseman e a montagem do terminal no cabo de aço.

Para encaixar a ponta do cabo dentro do terminal, gerando um atrito suficiente que, com a pressão, não deixe que o cabo saia dali, é utilizado o cone por dentro do cabo de aço, de forma a expandi-lo. Primeiro passa-se a ponta roscada do terminal pelo cabo de aço. Em seguida, desenrola-se a parte externa do cabo até a cordoalha interna ficar exposta. Enfia-se essa cordoalha interna por dentro do cone e depois enrola-se novamente a cordoalha externa, cobrindo tudo. É importante que sobre aproximadamente 5mm da cabo enrolado, além do cone. Feito isso, o material está pronto para ser roscado o terminal. O grande macete agora é preencher todo o corpo do terminal, o cabo de aço e tudo mais que for ficar dentro do terminal com silicone, ou Sikaflex etc. Isso é fundamental para que não se acumule água dentro do terminal. Uma vez roscada a peça, seu terminal está montado e pronto para uso.

Não obstante o desgaste natural pelo tempo de uso dos estais, que pode levar ao seu rompimento, algumas considerações importantes sobre esses serviços de montagem é que nem sempre aquele "rabicho" no cabo de aproximadamente 5mm, citado acima, é respeitado. O risco do cabo escapar de dentro do terminal aumenta enormemente por esse descuido. Eu mesmo já passei por isso e felizmente nada de mais aconteceu, pois o meu escapuliu na primeira pressão que dei.

Um terminal rompido com indício de corrosão de dentro pra fora

Talvez a outra consideração importante e um provável grave motivo para as rupturas que vimos recentemente, seja a falta (ou desgaste) do silicone (ou sikaflex) vedando o interior dos terminais. Sabemos que entra muita água salgada ali, seja dos borrifos da velejada, seja simplesmente pela mão molhada de algum tripulante que segurou no brandal. O fato é que aquele é um ponto que passa despercebido nas limpezas feitas no barco e cujo acúmulo de água salgada pode acelerar a corrosão da peça, enfraquecendo-a e podendo resultar no pior. Fiquem atentos!!!

Bem, este post está longe de ser o diagnóstico para os desagradáveis incidentes vividos pelos colegas de mar, nem se tem essa pretensão. A intensão é somente contribuir com mais alguns possíveis motivos que possam ter levado ao ocorrido.


Bons Ventos e até a próxima.


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sábado, 23 de fevereiro de 2013

DE VOLTA AO PARAÍSO

Olá Pessoal,

Finalmente tirei, na semana passada, o gesso da mão. Por conta do tempo que fiquei imobilizado, não pude ir à Angra cuidar do barco, totalizando longos 2 meses distante das velejadas no paraíso.

Na 6ª feira passada, juntamente com meu amigo Gustavo, fizemos um "bate e volta" à Angra para dar uma limpeza no barco, ligar o motor e, claro, dar uma voltinha. Acabou que conseguimos fazer as tarefas e ainda deu tempo de atravessar para o Sítio Forte e almoçar no Bar da Telma, voltando pra Niterói no mesmo dia.

Gustavo (em pé) e o S. Orlando formaram comigo a tripulação do MYSTIC para esse passeio.

Com o sucesso da empreitada da semana passada, resolvemos repetir o "bate e volta" e voltamos à Angra ontem. Para esse passeio, convidei também meu ex-sogro, com quem mantenho contato até hoje e uma pessoa que gosto muito - um segundo pai para mim. Ele possui um veleiro na região também, mas praticamente não veleja, talvez por falta de companhia de quem entenda um pouco e, por causa disso, é mais um motivo para eu levá-lo em meus passeios.

Chegamos em Angra por volta de 10h, comemos um sanduíche e zarpamos com destino à Lagoa Verde, na Ilha Longa. A idéia era fazer um pit stop para um mergulho e seguir para a Praia da Tapera, para mais um almoço na Telma.


A Lagoa Verde é, na verdade, um cantinho espremido entre a Ilha Longa e a Ilha Grande. Suas águas são indecentemente transparentes e de um tom esverdeado muito bonito. 

Como ainda era relativamente cedo, não havia vento e por isso motoramos até lá. Pra falar a verdade, chegamos na Lagoa Verde junto com a entrada de um S/SW médio, que acabou nos desestimulando a parar, por causa das condições que poderiam piorar e também por causa de duas escunas que lotavam o local.

Da Longa até o Sítio Forte foi uma velejada agradável, apesar dos ventos bastante rondados daquele canto. Chegamos na Tapera e logo desembarcamos, pois o calor era forte e a água estava numa temperatura perfeita para um mergulho. Pedimos a famosa lasanha de peixe da Telma e fomos para dentro d'água.

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Enquanto almoçávamos, começamos a escutar trovoadas vindas do continente e notei que o tempo já estava bem escuro pras bandas do clube. Terminamos de almoçar e logo zarpamos, pois ainda tinha um ventinho razoável e a velejada de volta prometia.

Partimos do Sítio Forte com destino ao clube já cercados de chuva por todos os lados. O vento ainda soprava honestamente e por isso cortamos o motor e abrimos as velas. Por um descuido na hora de desligar a chave, acabamos desligando um automático que, a rigor, nunca funcionou direito, mas que se desligado, corta a ignição. No momento que o vento fraquejou, não teve santo que fizesse o motor ligar. Praticamente velejamos com ventos inconstantes e algumas pancadas de chuva até próximo do clube, quando após ter trocado bateria, verificado tudo que poderia ter quebrado, lembrei do bendito botão. A chegada, embora molhada, foi tranquila e já quase sem vento.

Óleo? Detritos? Só sei que é triste ver isso na Ilha Grande
A nota triste do passeio foi a enorme quantidade de peixes mortos, exalando um mau cheiro terrível que passamos na saída do clube e uma mancha esquisita que vimos quando nos aproximávamos da Lagoa Verde. Quando retornávamos para o clube, cruzamos  com uma enorme traineira dispensando mais de uma tonelada de pequenos peixes mortos na água. Depois, esses mesmos pescadores são os primeiros a reclamar que suas pescarias não são mais tão fartas e culpam a poluição e o progresso por isso. Talvez se não matassem tantos peixes pequenos, hoje haveria mais disponibilidade de pescado.

Bons Ventos e até a próxima!

Eu, S. Orlando e o Jarbas, nosso timoneiro oficial

As verdes águas da Lagoa Verde

O dia estava lindo

S. Orlando caminhando na Praia da Tapera

MYSTIC mais uma vez na enseada do Sítio Forte

Gustavo era só curtição

Eu e meu querido MYSTIC

A tripulação e o MYSTIC ao fundo

Velejada de retorno

Já na poita, se secando e arrumando para ir embora

domingo, 10 de fevereiro de 2013

UM CRUZEIRO A 20 METROS DO CAIS

Olá amigos, 

Quando se fala em velejar, qual prazer te satisfaz? Muito provavelmente a maioria de nós vai imaginar um sonho normalmente distante, ou quase inatingível para muitos velejadores - algo como um cruzeiro em alguma ilha paradisíaca, uma volta ao mundo etc.

Às vezes, não nos tocamos que, guardadas as devidas proporções, estar a bordo aqui, ali, ou lá, é praticamente a mesma coisa. O barco é o mesmo, os equipamentos idem... Em alguns casos, estar a bordo perto de casa pode até ter suas vantagens.

Numa manhã ensolarada de um dia desses, estava sentado na beira do cais do meu clube, observando alguns veleiros serenamente adormecidos em suas poitas, quando, de um deles - o Araken, sai o Elmo e dá uma baita espreguiçada. Ele pegou o botinho e veio ao meu encontro, me dar bom dia:

- Elmo, o que você tá fazendo aí a essa hora? - perguntei.
- Ué? Dormindo a bordo. - ele retrucou...

Lembrei que o Elmo e sua esposa costumam passar o final de semana a bordo com uma certa frequência ali mesmo, na poita, em frente ao clube. Normalmente eles saem para uma velejada pelas redondezas, mas sempre retornam à poita. Lembrei, também, que eu mesmo já havia feito algumas poucas vezes, esse "passeio". No meu caso, quase sempre pernoitava na minha poita quando desejava sair muito cedo no dia seguinte para algum lugar. Mas esse não era o objetivo do Elmo.

Bem, como achei uma sacada legal esse aproveitamento que ele e sua esposa dão ao barco, resolvi ouvir dele o que pensa sobre essa forma de curtir o barco. Segue abaixo o sempre bem humorado e perspicaz texto do nosso amigo cruzeirista:

"Velejar é uma das poucas artes que exige algumas doses de um pouco de tudo...

A maioria dos meus amigos velejadores gostam mesmo é de uma boa dose de adrenalina e uma sede medonha (é porque vez por outra todos de um barco e de outro gritam por água). É incrível ver os barcos se aproximarem (espera-se que joguem um pra o outro os embornais repletos do tal líquido), cascos quase se tocam e o grito de água aumenta, mas nada ocorre. Quer dizer: somente uma xingação, quase beirando ao xingamento, eclode no ar!

Às vezes tenho a plena certeza de que nenhum deles aprendeu os ensinamentos do RIPEAM. Certamente não manobrariam assim tão perto uns dos outros... Tenho certeza que, num veleiro, as idades diminuem. Parecem adolescentes... tanto no riso (entenda que é com "S", pois se fosse um "Z" a situação não estaria pra tantas risadas) quanto nos impropérios!!! 
Rio do verbo rir..

Velejar exige o riso como condição "sine qua non" da felicidade intrínseca do velejo, posto que o importante (a menos que esteja em regata) não é chegar, mas o processo, que poderá ou não também exigir um rizo... a menos que o tempo esteja pra virar, ou a tua mulher esteja a bordo e exija a horizontalidade da terra firme (que é vez por outra a exigência da minha).

Velejar também exige uma certa dose de arte e outro tanto de ciência, do contrário jamais chegaria a um porto qualquer... o abatimento, consequência  das correntes e ventos, te faria dar infinitas voltas no planetinha até que o julgasse enorme, mas sem nunca se aperceber que pequeno é você mesmo e seu barco nessa imensidão de água.

Velejar também exige um certa dose de proporção: a imensidão poderá significar apenas 10 metros de água entre você e o cais... É por isso que coloquei minha poita bem perto, pertinho do cais e isso tudo por causa do clube que disponibiliza um botinho bem pequeno pra embarque, com pouca borda livre e com uma afinidade medonha pra embarcar água quando o vento sopra, mesmo que moderado.

Cruzeiro tem dessas proporções: não importa se a viagem entre a cidade e o paraíso leve 12 horas (o paraíso mais perto é Ilha Grande) no meio do nada, na visão do horizonte e a terra mais próxima, mas se você estiver na cidade, o barco não pode ficar mais do que um passo do madeirame cracorento do cais, culpa do botinho de fibra!

No sofrimento do botinho, vez por outra atraco meu barco atravessado no cais. Antes consulto a tábua das marés pra saber se não vou encalhar, e saber se poderemos tomar um banho farto na madrugada. Esta vida de cruzeirista de cidade tem dessas coisas e desenvolvi esta técnica pra convencer minha Imediata que tem verdadeiro horror ao botinho de fibra em noite de "algum" vento.... coisas de cruzeirista de cidade!!! Rio de novo, mas não rizo, porque o tal vento não é lá nada de força 3...

É assim que se forma um cruzeirista! Comece por um acampamento no quintal, monte a barraca, mas tenha um chuveiro quente com secador de cabelo à disposição; depois ponha a barraca no fundo do quintal, quase rente ao muro, longe, muito longe de casa a ponto de exigir uma lanterna no caminho do banheiro (é importante que a casa esteja de luz apagada); depois vá pro barco e use minha poita (é pertinho do cais), mas se esqueça da lanterna.... é assim que se forma umA cruzeirista: alguma distância e uma lanterna, mas nunca use o botinho de fibra....

Cruzeirar exige alguns conhecimentos, um certo feeling sobre a mulher amada, um conhecimento de Capitão e a decisão da Imediata!!!"

De fato, o Elmo costuma aproveitar bastante o barco dele, sem necessariamente ter que preparar o barco com provisões, água, combustível etc. Ainda que um estilo um tanto diferente dos anseios da maioria dos velejadores, esse estilo do Elmo é bastante divertido e o deixa tão ou mais em contato com o barco e com o mar que a maioria dos demais velejadores.

É isso.

Até a próxima!!!