sexta-feira, 1 de março de 2013

O ESTAI E OS TERMINAIS NORSEMAN


Olá Marujos,


Tenho visto muitas mensagens de e-mail comentando incidentes recentes envolvendo o rompimento de terminais Norseman. Já faz um tempo que gostaria de escrever algo a respeito e que acho muito importante e pode ser um motivo da redução da vida útil dos terminais

A montagem do terminal Norseman tem umas particularidades e tem que ser muito bem feita, sob o risco de acontecer rompimentos que podem explicar o que temos lido recentemente por aí.


Um esticador com um terminal Norseman em um de suas extremidades.

Para quem nunca teve a oportunidade de ver como é um terminal Norseman, a foto acima, de um esticador que tenho aqui e que ainda não troquei no barco, mostra as partes que compõem a peça. O terminal possui uma pecinha cônica dentro dele cuja montagem correta é fundamental, não só para a segurança do estai, como também para a durabilidade da peça.

Antes de explicar a montagem e os cuidados fundamentais para não deixar o terminal ser corroído precocemente, cabe mostrar como o cabo de aço dos nossos estais são feitos.

Na imagem ao lado (extraída do site do fabricante de cabos Morsing Carl Stahl - http://www.carlstahl.com.br), o cabo de aço utilizado em estaiamentos é o primeiro da lista (Cordoalha - 1x19). Percebe-se que ele é composto por uma espécie de 2 cabos enrolados - um envolvendo o outro. Pois ele é exatamente assim, com a particularidade de serem enrolados em sentidos opostos, com o objetivo de se evitar que o cabo de aço do estai se desenrole por algum motivo, ou com o passar do tempo. A cordoalha interior é enrolada no sentido horário e a exterior, no sentido anti-horário.

Bem, entendida como é a composição do cabo de aço de um estai, vamos entender agora pra que serve aquela pecinha cônica de cobre que vai por dentro do terminal Norseman e a montagem do terminal no cabo de aço.

Para encaixar a ponta do cabo dentro do terminal, gerando um atrito suficiente que, com a pressão, não deixe que o cabo saia dali, é utilizado o cone por dentro do cabo de aço, de forma a expandi-lo. Primeiro passa-se a ponta roscada do terminal pelo cabo de aço. Em seguida, desenrola-se a parte externa do cabo até a cordoalha interna ficar exposta. Enfia-se essa cordoalha interna por dentro do cone e depois enrola-se novamente a cordoalha externa, cobrindo tudo. É importante que sobre aproximadamente 5mm da cabo enrolado, além do cone. Feito isso, o material está pronto para ser roscado o terminal. O grande macete agora é preencher todo o corpo do terminal, o cabo de aço e tudo mais que for ficar dentro do terminal com silicone, ou Sikaflex etc. Isso é fundamental para que não se acumule água dentro do terminal. Uma vez roscada a peça, seu terminal está montado e pronto para uso.

Não obstante o desgaste natural pelo tempo de uso dos estais, que pode levar ao seu rompimento, algumas considerações importantes sobre esses serviços de montagem é que nem sempre aquele "rabicho" no cabo de aproximadamente 5mm, citado acima, é respeitado. O risco do cabo escapar de dentro do terminal aumenta enormemente por esse descuido. Eu mesmo já passei por isso e felizmente nada de mais aconteceu, pois o meu escapuliu na primeira pressão que dei.

Um terminal rompido com indício de corrosão de dentro pra fora

Talvez a outra consideração importante e um provável grave motivo para as rupturas que vimos recentemente, seja a falta (ou desgaste) do silicone (ou sikaflex) vedando o interior dos terminais. Sabemos que entra muita água salgada ali, seja dos borrifos da velejada, seja simplesmente pela mão molhada de algum tripulante que segurou no brandal. O fato é que aquele é um ponto que passa despercebido nas limpezas feitas no barco e cujo acúmulo de água salgada pode acelerar a corrosão da peça, enfraquecendo-a e podendo resultar no pior. Fiquem atentos!!!

Bem, este post está longe de ser o diagnóstico para os desagradáveis incidentes vividos pelos colegas de mar, nem se tem essa pretensão. A intensão é somente contribuir com mais alguns possíveis motivos que possam ter levado ao ocorrido.


Bons Ventos e até a próxima.


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3 comentários:

  1. Laurinho,

    Descupe meter o bedelho mas faltaram duas ou três informações que considero as mais importantes para quem tem Norsemam no barco, ou para quem pretende instalar (só uso esse tipo de terminal nos meus barcos, e sempre sou eu e mais ninguém que faço o serviço, por achar crítico demais para por na mão de qq um)

    Vamos lá:

    1- Além dos 5mm a mais de fios de aço do cabo que devem ficar sobrando além do final do cone, é preciso que eles "abracem" o cone de modo completo e regular, SEM QUE UM FIO TREPE POR CIMA DO OUTRO!!! Use sempre um alicate para moldar os fios de novo em volta da alma do cabo de aço - a parte que passou por dentro do cone - para garantir a distribuiçao correta de esforços pelo interior do terminal.

    2- Não deixe mais do que uns 5 ou 7 mm de cabo sobrando depois do cone, pois não há espaço , dentro do terminal, onde esse material possa se acomodar quando do rosqueamento do terminal; como consequência, o aperto acaba afrouxando e embolando os fios dentro da sede, condenando a prensagem;

    3- Ao rosquear para prensar, pode apertar o terminal com força; o objetivo deste torque é fazer com que a cunha de bronze se deforme e se molde aos fios de aço, ao mesmo tempo em que "morde" a alma no seu interior. Por esse motivo o terminal é de bronze e não de outro material mais duro...e pela mesma razão JAMAIS reaproveite uma cunha de bronze já usada!!!!

    E, por último mas não mais importante, certifique-se de que a cunha (a parte mais delgada dela) aponte na direção do CABO e não do TERMINAL.

    Espero que tenha sido útil!

    Cibreiros

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    1. Opinião como a sua, Marcio, é mais do que bem vinda e tem que ser respeitada.

      De fato suas palavras entraram mais no detalhe do que escrevi. Eu costumo fazer exatamente como você.

      Forte abraço,

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