sábado, 9 de abril de 2016

COMPRAR BARCO PARA REFORMAR VALE A PENA?

Olá amigos,

Um leitor aqui do Blog, outro dia, perguntou se realmente é complicado adquirir e reformar um barco. Acho que esse é um tema interessante para se debater e por isso resolvi fazer essa postagem, ampliando o assunto e colocando meu ponto de vista.

Bem, Vitor, como lhe adiantei na minha resposta, depende. Existem diversas variáveis que devem ser levadas em consideração na hora de comprar um barco.

Tomando a Decisão

MYSTIC, quando comprei
Observando puramente sob o aspecto econômico, posso afirmar, sem dúvidas, que não vale a pena comprar um barco precisando de reparos, para reformá-lo. Salvo raríssimas exceções, quando o comprador tem como eliminar custos do processo (um dono de estaleiro, ou alguém que pode comprar materiais a preço de custo etc), em quase a totalidade das vezes, vai-se gastar muito mais dinheiro para reformar o barco, do que comprá-lo já em boas condições.

MYSTIC hoje
Por outro lado, comprar um barco precisando de reformas pode ser a solução, como foi quando encontrei o MYSTIC, quando não se tem todo o capital para adquiri-lo, naquele momento. Você compra mais barato, e quando tiver dinheiro, vai arrumando aos poucos.

Haverão aqueles que justificarão a aquisição, também, pelo simples prazer de reformar, ou que se apaixonaram por um modelo específico. Conheço vários velejadores que praticamente não saem com seus barcos. Gostam de ficar no cais, fazendo pequenos trabalhos, consertando aqui e ali e um dia, quando terminam tudo, acabam vendendo o barco.

Um ponto positivo é que, reformando o barco, você está colocando materiais novos e passando a conhecer seu veleiro em detalhes. Do outro lado da moeda, ao invés de passear e curtir, estará enfiado lá dentro resolvendo pepinos sem fim. (rs)

Quase certo que, comprando o barco em excelentes condições, ou caindo aos pedaços, sempre haverá algo o que se fazer a bordo e aí, passamos ao ponto que o amigo Vitor se referiu:

Cuidando do Barco

Trepado no mastro,
trocando luz de tope
Dizem que velejar é esporte de rico. Que os barcos custam uma fortuna e que só milionários conseguem manter um. Pura falácia!!! Eu não sou rico (não chego nem perto), mas tenho dois veleiros: o MYSTIC, que é um Fast 310 e o DOMINUS - um Ranger 22 que tenho em sociedade com um grande amigo e que usamos para correr regatas. Meu segredo é simples: faço praticamente todos os serviços nos dois barcos. Tento contratar mão de obra especializada somente em último caso.

Uma dos principais custos de se reformar e/ou manter um barco é a mão de obra especializada para cada tipo de reparo. Custa caro alguém que faça esse tipo de trabalho. E pior: é uma afirmativa quase unânime que não existe, no Brasil, profissionais qualificados para trabalhos em barcos.
Luciano Guerra, dando uma
moral com a geladeira
Geralmente são pessoas simples que, em algum momento no passado, trabalharam em estaleiros, ou como ajudantes de algum profissional e aprenderam o ofício e em seguida resolveram fazer carreira solo. Não fizeram cursos, não tiveram acesso a manuais e especificações técnicas de produtos etc. O que sabem é o que já fizeram algum dia. Outro detalhe é a cultura desse pessoal de prometer prazos e quase sempre não cumpri-los. O aborrecimento é certo!

Outro ponto que às vezes dificulta  cuidar do barco são os materiais e peças de reposição. Quase sempre são objetos e produtos caros e, principalmente, difíceis de achar para comprar (ou encomendar). O dono terá de fazer escolhas, do tipo pagar uma pequena fortuna ao comprar na mão do atravessador, ali na beira do cais, ou procurar onde possa se encontrar o que precisa, ou ainda pesquisar materiais alternativos que resolvam o problema.

Meu filhote ajudando a
lixar o banquinho de popa
Então não vale a pena ter um barco que necessite de reparos etc? Não é isso! Mesmo os barcos novos precisarão de reparos e manutenção. O que se precisa é de disposição para aprender, conhecer e cuidar do seu barco. Saber onde achar o que se precisa, conhecer os profissionais próximos e, o mais importante, ter amigos por perto, pois conversando aqui e ali, sempre se encontra toda e qualquer solução para resolver seu problema.

Velejadores, aliás, são uma grande irmandade que sempre se ajudam, quase sempre em troco de nada. Quantas vezes já dei e ganhei peças e materiais. Quantas vezes amigos já me visitaram no MYSTIC e arregaçaram as mangas e consertaram algo. Então Vitor e qualquer outro leitor, não desistam de seus barcos. Vocês verão que há muito mais prazer do que aborrecimento para poder usufruir desse esporte tão apaixonante.


Bons Ventos


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14 comentários:

  1. Muito bom o texto, Lauro!! E concordo integralmente com suas colocações.
    No meu caso, que não entendia patavina de reformas, materiais ou mão de obra, preferi comprar um barco reformado...e acho que acertei nisso, pois fiz muito pouco no Gaipava, além da manutenção normal, verniz, casco, cabos, etc... contudo, cabe salientar que 'mexer' no barco além de uma higiene mental, é melhor que fazer mercado no sábado...kkkk mas jamais esquecer que velejar é a melhor parte e atividade fim!!
    Bons ventos!!

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    1. Sem dúvida Ricardo!!! Embora eu conheça gente que não tira o barco do cais e seu lazer é mexer mesmo.

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  2. Então para ter um veleiro, mesmo que reformado, a pessoa tem que fazer a manutenção necessária (pelo menos a básica) senão fica caro? Tem que ter disposição e paciência para aprender! Onde vocês aprender isso? Existe curso ou literatura ?

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  3. Então para ter um veleiro, mesmo que reformado, a pessoa tem que fazer a manutenção necessária (pelo menos a básica) senão fica caro? Tem que ter disposição e paciência para aprender! Aonde vocês aprendem isso? Existe curso, literatura ou troca de experiência ?

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    1. Vitor,

      Haverão aqueles que, como eu, tentam fazer o máximo possível de manutenção e reparos por conta própria, mas há também aqueles que não botam a mão em nada e pagam por todo serviço. É uma questão de opção (e disponibilidade financeira). Metendo a mão na massa, com o tempo o novato aprende e entende do barco e sua manutenção. Eu particularmente desconheço cursos sobre esse assunto. Como desde sempre gostei desse tipo de atividade (mecânica, trabalhos manuais etc), acabei evoluindo sozinho e, claro, trocando experiência com outras pessoas, velejadores ou não.

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    2. Vitor, pedindo licença ao meu amigo Lauro e confirmando o que ele disse sobre fazer manutenção autônoma, te digo: Cursos até existem, mas são poucos e muitas vezes apresentam conteúdo inadequado àqueles que querem apenas manter seus barcos no melhor estado possível com custos reduzidos. Também aponto a manutenção por conta própria como o segredo da viabilidade (econômica) de se ter um barco de razoável tamanho já que, teoricamente, apenas pintura geral do casco/convés e fabricação de velas demandariam obrigatoriamente o concurso de profissionais, sendo que a pintura implica em fazer o serviço o mais rápido possível por questões de custos de docagem. Apesar de barco exigir manutenção constante, não apenas cosmética mas também funcional, a boa notícia é que não chega a ser um bicho de sete cabeças. Tudo num veleiro (exceto a parte eletro-eletrônica, ao menos para mim) é muito lógico e relativamente fácil de se aprender e dominar, em especial se a pessoa possui algumas habilidades com ferramentas e materias. Como conselho, sempre oriento a quem estpa iniciando começar por um barco pequeno, simples, onde vc poderá mexer e experimentar sem nenhum risco de estar fazendo algo que resulte numa catástrofe. Ao aprender a dominá-lo - inclusive em relação à manutenção, vc naturalmente demandará algo maior e mais completo/complexo. É o caminho natural das coisas...

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  4. Lauro,

    Parabens pelo blog. Tenho aprendido muito com as tuas materias, feitas com simplicidade e objetividade. Estou afastado da vela faz dez anos, apesar de morar a 100 metros do mar (baia de Zimbros,Bombinhas, Sta. Catarina.
    Nos próximos 90 dias estarei de volta, pois, estou procurando uma veleiro entre 29 e 32 pes, usado e por isso acredito que tuas orientações
    através do blog deverão ser muito úteis em um futuro próximo (claro, se o Mandatário Supremo lá do ceu o permitir. Espero que sim) visto meus conhecimentos técnicos e manuais serem deprimentes. eu apanho mas aprendo. Abç e bons ventos.

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    1. Prezado leitor

      Se eu consegui, não tenho dúvidas que você conseguirá também fazer toda manutenção necessária no seu novo barco. Da minha parte, conte comigo no que puder ajudar.

      Bons Ventos e boa sorte na procura do barco novo.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Boa tarde Lauro, gostaria que você falasse um pouco sobre o banheiro e como funciona o sistema de esgotamento da caixa de detritos. Obrigado e bons ventos.

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    1. Olá Cancelli,
      Achei que já havia repondido essa mensagem... Desculpe!!!
      Bem, dá pra dizer que banheiro em barco é uma adaptação reduzida do banheiro de uma casa.
      Falando especificamente sobre o esgotamento, conheço três formas:
      1) Alguns barcos são equipados com os tradicionais vasos sanitários químicos, desses de camping. Quando o reservatório enche de esgoto, normalmente o comandante o retira e descarrega em um banheiro, ou se estiver longe da costa, no mar mesmo.
      2) Os barcos maiores possuem sanitário de louça, com uma pequena bomba manual, ou elétrica. Os mais modernos já tem um reservatório próprio para armazenar o esgoto do vaso sanitário. Quando o barco chega a uma marina, o comandante retira este compartimento e o descarrega em local apropriado para isso. Nunca fiz, mas acho até que dá pra descarregar numa privada de banheiro de clube, mas não tenho certeza.
      3) A terceira opção é a que equipa o MYSTIC. Um vaso de louça (marca Jabsco) com bomba manual. Como meu barco é mais antigo, não tenho a tal caixa de armazenamento de "cocô". No meu caso, o dito "nº 2" (rs), ao ser bombeado, é macerado e despejado diretamente no mar.

      Não sei se consegui tirar a sua dúvida, mas esse é um tema que dá pra pesquisar com certa facilidade na internet.

      Bons Ventos

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  7. Oi Lauro! Tô começando a pensar muito em barcos e acabei conhecendo o seu blogue. Queria te fazer duas perguntas; como eu consigo aprender a velejar e em um veleiro como a mystic, a capacidade é para quantas pessoas, e se tem separação entre os ambientes.
    Abraço, gostei muito do blogue.

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    1. Olá LdS,

      Primeiro é importante saber se você já sabe velejar e se já velejou em barcos menores. É que um 31 pés já é um barco de reações mais complexas no velejo. Exagerando um pouco, é como se você quisesse aprender a dirigir pela primeira vez, já em um ônibus. Seria muito mais fácil se começasse em um Uno Mille, por exemplo.

      Dito isso, vamos às respostas:

      - Você consegue aprender a velejar em aulas de vela. Qualquer clube ou marina, hoje, tem alguém ensinando. Você pode tentar também como aconteceu comigo, que de tanto passear com amigos que tem barco, acabei aprendendo. Daí comprei um laser e passei a praticar por conta própria.
      - Aprender a velejar num barco de 31 pés como o MYSTIC é só uma consequência (ou evolução) do aprendizado e prática em barcos menores. Você já será capaz de antecipar os movimentos do barco, de maneira a prevenir erros. Mas na essência, velejar num barco de 2 velas como o MYSTIC, ou num barco também de 2 velas, menor, é a mesma teoria.
      - Falando da capacidade do barco, o MYSTIC, se não me engano, está homologado para 9 pessoas. Alguns barcos do mesmo tamanho (e às vezes até o mesmo modelo) podem ter capacidades diferentes, mas aí vai do processo de homologação na Marinha, quando o barco é lançado. Até é possível alterar essa quantidade, mas dá um trabalhão e não é barato. Tem que contratar um engenheiro naval e entrar com um pedido na Capitania dos Portos.
      - Por fim, sobre os ambientes, o MYSTIC (modelo Fast 310) tem uma cabine fechada na popa (BE) e um banheiro fechado, também na popa (BB). O salão tem a cozinha, a mesa de navegação, a mesa de refeições + sofá e a cama de proa no mesmo ambiente.

      Bem, espero ter tirado suas dúvidas. Qualquer coisa, estamos aqui para ajudar.

      Bons Ventos

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