sábado, 1 de março de 2014

TRAVESSIA RIO X ANGRA

Olá Pessoal,


Finalmente, depois de 10 meses em águas niteroienses, o MYSTIC retornou ao paraíso da Baía da Ilha Grande.

A travessia foi muito boa, tranquila e segura. A previsão praticamente se confirmou em sua totalidade e o clima ajudou bastante. Basta dizer que praticamente não fez frio durante a noite, que aliás estava iluminada por um belo luar.






Para essa empreitada, como já é tradição no MYSTIC, tive a companhia do amigo Ulisses Schimmels, comandante do veleiro Caulimaram e do amigo Gustavo Sampaio, comandante do veleiro Rappunzel. Todos velejadores bastante experientes e excelentes companhias para se ter a bordo. Na travessia, tivemos a companhia, também do veleiro TEIMOSIA II, do amigo Fábio Pezzotti, do Clube de Regatas Guanabara.


O MYSTIC ao amanhecer e o Teimosia II ao fundo
O MYSTIC partiu do Praia Clube São Francisco, em Niterói, às 23h25 de 6ª feira (21/02), com destino ao Angra dos Reis Marina Clube. Nossa previsão era cumprir as 71MN que separam os clubes em aproximadamente 15 horas de viagem, já que iríamos fazer um pitstop na Marina Portogalo, para deixar o Ulisses no barco dele. Acabamos levando 14 horas, o que se traduz numa boa média.






A Travessia

Partimos do PCSF com vento zero e mar calmo. Fora da Baía de Guanabara, o vento permaneceu parado, com ondas de aproximadamente 1m de SE. Sob essa condição, acabamos tendo que motorar a noite toda e só ao amanhecer, já no início da Restinga da Marambaia, fomos brindados com um vento NE acima de 15 nós. Cansados do ruído chato e cadenciado do honesto Control que equipa nosso barco, abrimos logo os panos e fizemos o MYSTIC velejar acima dos 6 nós, com surfadas na casa dos 7 a 7,5 nós e máxima de 8,5 nós (!). Já que o mar estava calmo e não tínhamos qualquer previsão de mudança radical, optamos por um trajeto mais próximo à costa e, portanto, mais curto. O lado bom dessa decisão foi, além da viagem ser mais rápida, a possibilidade de quebrar um pouco da monotonia da travessia com belas paisagens que a pouca distância da costa nos permitia ver. Por outro lado, não vimos um golfinho sequer.


Velejando rumo à Angra

Entramos na Baía da Ilha Grande velejando, mas assim que passamos do través da Vila do Abraão, o vento fraquejou de tal forma que optamos por ligar o motor novamente e concluir a viagem. O MYSTIC tocou o cais do ARMC, em Angra precisamente às 13h30 de sábado, sem qualquer avaria e com tudo em ordem. No reabastecimento do tanque calculei um consumo de aproximadamente 22L de diesel por aproximadamente 8 horas de uso (média de 2,75 litros/hora). Nada mal para um motor de 48HP, ao giro de 2.200 RPM.

Pra finalizar, jogamos uma água no convés para tirar o sal da viagem e abastecemos o tanque de água e de diesel. Pronto! o MYSTIC está pronto para o Carnaval, se a chuva permitir.

Até lá!!!




sábado, 15 de fevereiro de 2014

LIMPEZA DE CASCO?!!!!

Olá pessoal!

O MYSTIC já está completando 10 meses nas poluídas águas da Baía de Guanabara. Some-se a isso os mais de 2 anos sem receber pintura de fundo e dá pra imaginar a facilidade com que as cracas tem crescido no casco. Não tem jeito! A única forma de evitar a acumulação das cracas, é diminuindo o tempo entre uma raspagem e outra.

O MYSTIC sendo içado
A minha falta de tempo, de disposição e muito provavelmente, de condicionamento para mergulhar e limpar o fundo, estão sendo supridas pela contratação de um profissional. E é esse o assunto que quero abordar.

A limpeza do casco começou sendo feita de 2 em 2 meses, depois caiu para uma vez ao mês e atualmente está sendo realizada a cada 15 dias. O profissional escolhido mergulha "no pulmão" para fazer o serviço e, para complicar a faina, a água fica a maior parte do tempo muito turva, muitas vezes não dando pra enxergar 2 palmos a frente do nariz.

A galera ajudando na limpeza do fundo
Nas minhas velejadas, mesmo após cada limpeza, não ficava totalmente satisfeito com o desempenho do barco. Como não era regata, não havia barco velejando ao lado pra medir desempenho e a proposta era sempre passear e desestressar, nunca dei muita atenção a isso.

3 cm de cracas na quilha
De um ou dois meses pra cá, não conseguimos manter a regularidade nas limpezas e o profissional começou a se queixar da dificuldade de limpar o casco. Na última semana, inclusive, ele disse que não conseguiu limpar a quilha, tendo inclusive quebrado sua espátula raspando o fundo. Como o MYSTIC está prestes a zarpar de volta para Angra, onde inclusive será docado para pintura do fundo, resolvi esquematizar uma subida em seco aqui em Niterói para realizar uma boa limpeza...

A subida foi tranquila. Nós apoiamos o barco sobre a quilha e logo iniciamos o trabalho, pois tínhamos que devolvê-lo pra água logo, antes que a maré secasse. Logo no início, o raspador quebrou. Corri e fiz um conserto que ficou muito bom, mas logo depois, outro ponto de fixação do cabo quebrou, mas conseguimos finalizar o serviço com uma pequena espátula.

Como as fotos podem demonstrar, a quilha tinha uma camada de aproximadamente 3 cm de cracas. Uma craca pequena e dura. Se é que é possível afirmar, parecia uma craca em cima de outra. Realmente achei muita craca na quilha para algo em torno de 1 mês sem limpeza. O resto do casco só tinha um limo, já que a última limpeza foi há apenas uma semana atrás.

Absolutamente não posso acusar o profissional de não limpar a quilha, primeiro porque ele vinha me comunicando da dificuldade com a limpeza, segundo que nunca mergulhei para conferir o serviço e terceiro que o MYSTIC está praticamente sem tinta de fundo, mas confesso que estou bastante impressionado com a quantidade de encrustação verificada na quilha do barco.


A quilha antes...

... A quilha depois

A tinta de fundo já acabou faz tempo

Cracas, somente da quilha




domingo, 9 de fevereiro de 2014

MAIS UMA ETAPA CUMPRIDA

O Carnaval tá chegando e o MYSTIC ainda encontra-se em Niterói, recebendo suas manutenções. Já está aqui desde Abril do ano passado.


Como já escrevi antes, a lista de afazeres é infindável, de forma que não adianta querer ficar com o barco aqui só trabalhando, sem poder desfrutá-lo como gostamos, que é na Baía da Ilha Grande. Assim sendo, após algumas tentativas frustradas de marcar uma data para levá-lo para Angra, resolvi tentar mais uma vez programar a ida, dessa vez na próxima 6ª feira (14/02).


Novos ângulos para o acervo do MYSTIC

A vontade agora está acompanhada pela necessidade de estar com o barco no clube de Angra - o ARMC na semana que vem, já que a próxima etapa da manutenção já estava agendada e a hora é chegada: o MYSTIC vai ser docado para pintura de fundo.


A luz de tope foi substituída


As manutenções pendentes de serem feitas aqui em Niterói estão em ritmo acelerado e hoje foi dia de sofrer no topo do mastro.



A biruta, coitada, de tão velha, começou a desmanchar e comprei outra para substituí-la. Aproveitando que ia lá em cima, resolvi trocar a luz de top também, por outra, de led. Por fim, também botei uma lampadazinha na luz de cruzeta.




A estação de vento e a paisagem


O trabalho foi um tanto sofrido, por causa do calor, das marolas das lanchas que passavam, pelo vento e pelo balanço da movimentação dos amigos no convés do MYSTIC. Mas felizmente a missão foi cumprida!



Agora é aproveitar o meio de semana para limpar o barco e fechar os últimos preparativos. Dentre eles, ainda quero içar o barco no guindaste para raspar o fundo, cuja tinta já nem deve existir mais e as cracas, com esse verão doido que está rolando, se apoderaram com força do fundo do MYSTIC.


A biruta antes de cair, já sem o leme

Nem tudo são flores!



Bons Ventos e até a próxima.







segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

QUE VENHA 2014 !!!!

Olá amigos,

O ano de 2013 definitivamente é um ano para ser esquecido. Entre lesões, perdas de entes queridos, dificuldades em manter o MYSTIC em dia e um ano muito duro no trabalho, o tempo foi passando e cá estou: ficando resfriado (pra fechar o ano com chave de outro) mas totalmente esperançoso com o ano novo que se aproxima.

Quero agradecer de coração a todos que tiveram paciência de ler os artigos que publiquei aqui e ressaltar que em 2014 pretendo continuar sendo útil, através de novos posts, sejam técnicos, sejam histórias estimulantes a aproximar as pessoas do mar e da natureza.

Adeus 2013
Como costumamos dizer no meio náutico...

Que em 2014 os ventos soprem generosos, sempre a favor.

Que as rajadas sejam sempre favoráveis e os bordos sejam sempre positivos.

Que consigamos orçar diretamente para nossos objetivos e que o mar nos deixe passar.

Que nossos barcos sejam testemunhas do surgimento de novas amizades e da consolidação das antigas também.

E que a paz e um mundo melhor inflem nossas velas!


Um forte abraço,

Lauro Valente & Família



sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

AVENTURAS DE AUDITÓRIO

Olá amigos! Quanto tempo!

Desde quando comecei a fazer as manutenções no MYSTIC, a lista, que já não era simples, tornou-se ainda mais complicada, muito em função da minha dificuldade de estar sempre a bordo trabalhando. Cada tarde de trabalho significa uma tarde longe da família e quem tem filho pequeno sabe o quanto eles consomem um casal. Não dá para toda hora largar tudo e ir pro barco trabalhar. E assim o tempo passou... e pouca coisa foi feita, efetivamente.

Mas esse artigo não é para contar minhas lamentações. Quero compartilhar uma nova experiência vivida esta semana e que me proporcionou especial prazer: Virei palestrante!!! (rs)

Tudo começou alguns meses atrás, durante uma conversa com o Matheus Eichler - Vice Presidente da ABVC Rio e Comodoro da Flotilha Guanabara. Eu havia acabado de assistir a uma palestra ministrada por ele e estávamos conversando sobre as dificuldades de se estimular a vela de cruzeiro por aqui, o fardo que o Matheus e alguns poucos abnegados carregam sozinhos e a necessidade permanente de ajuda que eles tem. Eu já havia passado por isso quando organizei os agradáveis "Encontro em Seco" do Grupo Altomar e sei o quão valioso é qualquer auxílio.



Por outro lado, tenho consciência que, no atual estágio da minha vida, não tenho como me engajar num projeto com o compromisso que o Matheus se dedica. Eu já havia tentado ser útil, certa vez, a uma nova diretoria do meu clube - o PCSF e acabei me vendo obrigado a deixar a turma na mão.
... Mas queria poder ajudar de alguma forma...

Meu amigo de sempre e companheiro das travessias - o Ulisses sempre dizia que eu deveria ganhar um dinheiro dando aula de vela, já que sempre fui muito interessado em entender o comportamento das velas e do barco, sempre caprichava na regulagem e por isso tinha um bom conhecimento. Ele também insistia que eu tinha paciência pra ensinar e tal...

Naquele bate papo com o Matheus, ele me falou algo que acabou sendo a senha para eu ter uma ideia e, mais do que isso, criar coragem de pô-la em prática. Dizia ele que as palestras eram ministradas, muitas vezes, por gente do próprio grupo. Era uma troca de experiências e uma oportunidade de debate entre a turma. Ele ainda me perguntaria se eu não tinha ninguém pra indicar para falar de algum tema útil para a galera... Me senti estimulado, então a colaborar, pois era algo que não me tomaria tempo, nem me demandaria muitos esforços. Desta feita, indiquei meu amigo Luciano Guerra para dar uma palestra sobre meteorologia e me coloquei a disposição para falar alguma coisa sobre regulagem de velas.

A palestra do Luciano foi um sucesso e rende debates e questionamentos até hoje. O pessoal aprendeu um pouco sobre microclima e os sistemas que atuam em nossa região, especificamente. Algo de muito interesse, já que muitos conheceram alguns fenômenos característicos da Baía de Guanabara, por exemplo.

Minha palestra acabou ocorrendo algumas semanas depois e fiquei surpreso com os elogios recebidos, os quais agradeço, porém refuto em parte, pois não me considero um expert no assunto.

Eu baseei minha apresentação num livro que considero uma bíblia para qualquer velejador: "Manual de Regulagem de Velas", de Ivar Dedekan. Claro que minha experiência de 11 anos como regateiro fissurado e o aprendizado que tive com alguns grandes velejadores também ajudaram muito na montagem da palestra.

Basicamente procurei mostrar pra galera de cruzeiro (a qual me insiro, já que minha origem e formação na vela foi cruzeirando e hoje é o que tem me dado mais prazer) que uma boa e eficiente regulagem de velas não deve ser obrigação de quem corre regatas. Um barco corretamente trimado, além de andar mais (objetivo do regateiro), poupa mais o equipamento e traz mais segurança para a velejada.

Numa travessia Rio x Angra, por exemplo, de 12 horas de duração (em média), um barco corretamente trimado pode alcançar 0,5 nó a mais, o que lhe poupará, ao fim da viagem, cerca de 1 hora a menos.

Agora imagine uma velejada com vento mais forte? Velas corretamente içadas e trimadas vão reduzir o adernamento do barco e o peso do leme. A estrutura do veleiro agradece! (rs)

E se você está perigosamente sendo jogado numa praia a sotavento e seu motor não funciona? Maneje corretamente seus panos e orce contra o vento até alcançar uma distância segura.

Bem, existe assunto para um livro, mas deixo isso para o excelente trabalho do Ivar Dedekan. Podemos sim, quem sabe, organizar um novo encontro e discutir esse tema com mais profundidade.

Bons Ventos