quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

VIREI LANCHEIRO!!! (rs)

Olá Amigos,

Depois de bastante tempo em que tive muitos afazeres, problemas pessoais e alguma dificuldade para ir ao barco que me desanimaram bastante em fazer as postagens, acabei dando um tempo do Blog...

Enfim, espero fazer 2019 um ano diferente, a começar com a tentativa de retomar as postagens. Valeu Franklin (Grupo WhatsApp dos FASTs) pelo incentivo a voltar!!!

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Bem, uma queixa que sempre tive do meu barco é que sua velocidade de cruzeiro é muito baixa. Pra mim, que muitas vezes já saí de Niterói pra fazer um "bate e volta" na Praia da Tapera, na Ilha Grande, retornando a Niterói no mesmo dia, essa morosidade do barco na travessia das 7 MN que separam o clube da Ilha acentuavam a minha já manifesta ansiedade.

Esteira "comportada"

Assim, em 2018, cansado de ver vários conhecidos comentando que a velocidade de cruzeiro dos seus barcos é de 6 e até 7 nós, decidi fazer alguma coisa pra melhorar os 4,5 a 5 nós de velocidade de cruzeiro do MYSTIC.

Pesquisa daqui, conversa dali, concluí que realmente estou muito bem servido de motor (o MYSTIC está equipado com um motor Control 48 HP), mas que precisava dar uma atenção ao casco e ao hélice.

O casco jamais foi problema, porque na medida do possível, mantenho ele sempre limpo e com a tinta venenosa em dia. Sobrou, então o hélice.

Quando comprei o barco e tive que refazer todo o sistema de propulsão (http://veleiromystic.blogspot.com/2011/07/hora-e-vez-do-fundo-final.html), acabei refazendo o mesmo hélice que já estava lá - 2 pás com não sei que medidas. O serviço foi feito pelo Zezinho, da Fundição Barrufão, aqui mesmo em Niterói. O Zezinho é um cara que tira leite de pedra e faz produtos a um preço bastante acessível, o que foi essencial naquela época, porque eu já estava quebrado com tanta despesa da obra do barco. O contraponto é que, apesar de bem feito e funcional, o hélice não era resultado de qualquer cálculo. Eu precisava fazer um hélice novo!!!!

De volta às pesquisas, resolvi que se quisesse um bom desempenho, teria que meter a mão no bolso e encomendar algo mais elaborado. Por indicação de vários amigos e após uma pesquisa de preços entre os mais conceituados fabricantes de hélices no Brasil, acabei encomendando um hélice de 3 pás na Metalúrgica Andreoni.

Fui muito (muito mesmo!!!) bem atendido pelo pessoal da Andreoni. Tiveram toda a paciência do mundo em me explicar a dinâmica de um hélice, sua relação com motorização, casco e deslocamento etc e ainda fizeram todo os cálculos necessários para dimensionar o hélice ideal para o MYSTIC.

Passei as seguintes informações pro pessoal da metalúrgica:

Veleiro: Fast 310 (31 pés - 9,30m)
Linha d´água: 7,46m
Deslocamento aproximado: 3 ton
Motor: Control 48HP 
Reversão: ZF BW-7 - Relação 2,47:1 avante e 2,36:1 a ré

Diâmetro do hélice atual: 15 1/2 polegadas
Passo desconhecido
Quantidade de pás atual: 02
Diâmetro do eixo equipado no barco: 1 1/4 polegada

Obra de arte!!!

Menos de uma semana depois da encomenda, recebi em minha casa o hélice da Andreoni. Ele era simplesmente lindo!!! O acabamento, primoroso!!!



As medidas vieram gravadas no corpo da peça:

Diâmetro: 16 polegadas

Passo: 15 polegadas

Quantidade de pás: 03





Na mesma semana fui pra Angra, instalei o bicho e parti pra uma navegada de teste. Já na saída do cais comecei a perceber a diferença da troca dos hélices: a manobra do barco agora era fácil, com respostas rápidas e mais precisas! Resolvi atravessar para o Sítio Forte, aproveitando o dia de mar calmo e sem vento.

Durante a travessia eu não acreditava no que estava presenciando! O barco navegava macio, com bem menos trepidação que antes. A velocidade chamou a atenção: o percurso, que jamais foi vencido em menos de 2h, foi completado em pouco mais de 1h. O giro de cruzeiro, que era em torno de 2500 rpm, agora não tem necessidade de passar dos 1800 rpm

Posso dizer que a melhora de desempenho do barco valeu cada centavo pago no hélice!

Seguem abaixo as fotos das medições realizadas dentro da Enseada do Sítio Forte, com zero de vento e mar liso:



Na foto acima, simplesmente coloquei o barco em marcha avante, sem acelerar. Impressiona que a velocidade praticamente já é a da antiga velocidade de cruzeiro do barco, com hélice de duas pás.




 Elevando o giro para 1500 rpm, a velocidade foi para incríveis 5,9 nós! Sem dúvida a melhor relação giro vs. desempenho.




1800 rpm foi o giro de cruzeiro recomendado pelo Josivan (especialista nos motores Control). A velocidade, agora, é compatível com o que as pessoas costumam dizer de seus barcos (6,5 nós). Neste desempenho, a popa do barco já começa a enterrar na água.




Em 2000 rpm o barco atingiu a marca dos 7 nós de velocidade. O motor continuava com barulho e trepidação confortável, mas o casco já desenhava um vistoso bigode no mar e a popa, enterrada na água.




Ainda fiz mais um teste: Quanto o barco andaria, no antigo giro de cruzeiro (2400 rpm)? A resposta está na foto: 7,6 nós.



Por fim, fiz a derradeira experiência, colando a manete do acelerador no máximo e observando o desempenho. O resultado não foi muito agradável. O motor trepidou desconfortavelmente e a descarga soltou uma fumaceira danada. Acabei não fotografando o painel de teste, mas a velocidade passou fácil dos 8 nós. Conversei também com o Josivan sobre a fumaça e ele me tranquilizou, dizendo que a fumaça é resultado de uma má queima do diesel nos cilindros, devido ao esforço que o motor estava fazendo naquele giro. Menos mal

Bem, virar lancheiro foi só uma brincadeira, já que agora até dá um certo prazer andar no motor. Mas o sangue de velejador continua circulando em minhas veias e, como diz meu amigo Juca Andrade, "vamos no pano mesmo"!!!


Bons Ventos





sábado, 9 de abril de 2016

COMPRAR BARCO PARA REFORMAR VALE A PENA?

Olá amigos,

Um leitor aqui do Blog, outro dia, perguntou se realmente é complicado adquirir e reformar um barco. Acho que esse é um tema interessante para se debater e por isso resolvi fazer essa postagem, ampliando o assunto e colocando meu ponto de vista.

Bem, Vitor, como lhe adiantei na minha resposta, depende. Existem diversas variáveis que devem ser levadas em consideração na hora de comprar um barco.

Tomando a Decisão

MYSTIC, quando comprei
Observando puramente sob o aspecto econômico, posso afirmar, sem dúvidas, que não vale a pena comprar um barco precisando de reparos, para reformá-lo. Salvo raríssimas exceções, quando o comprador tem como eliminar custos do processo (um dono de estaleiro, ou alguém que pode comprar materiais a preço de custo etc), em quase a totalidade das vezes, vai-se gastar muito mais dinheiro para reformar o barco, do que comprá-lo já em boas condições.

MYSTIC hoje
Por outro lado, comprar um barco precisando de reformas pode ser a solução, como foi quando encontrei o MYSTIC, quando não se tem todo o capital para adquiri-lo, naquele momento. Você compra mais barato, e quando tiver dinheiro, vai arrumando aos poucos.

Haverão aqueles que justificarão a aquisição, também, pelo simples prazer de reformar, ou que se apaixonaram por um modelo específico. Conheço vários velejadores que praticamente não saem com seus barcos. Gostam de ficar no cais, fazendo pequenos trabalhos, consertando aqui e ali e um dia, quando terminam tudo, acabam vendendo o barco.

Um ponto positivo é que, reformando o barco, você está colocando materiais novos e passando a conhecer seu veleiro em detalhes. Do outro lado da moeda, ao invés de passear e curtir, estará enfiado lá dentro resolvendo pepinos sem fim. (rs)

Quase certo que, comprando o barco em excelentes condições, ou caindo aos pedaços, sempre haverá algo o que se fazer a bordo e aí, passamos ao ponto que o amigo Vitor se referiu:

Cuidando do Barco

Trepado no mastro,
trocando luz de tope
Dizem que velejar é esporte de rico. Que os barcos custam uma fortuna e que só milionários conseguem manter um. Pura falácia!!! Eu não sou rico (não chego nem perto), mas tenho dois veleiros: o MYSTIC, que é um Fast 310 e o DOMINUS - um Ranger 22 que tenho em sociedade com um grande amigo e que usamos para correr regatas. Meu segredo é simples: faço praticamente todos os serviços nos dois barcos. Tento contratar mão de obra especializada somente em último caso.

Uma dos principais custos de se reformar e/ou manter um barco é a mão de obra especializada para cada tipo de reparo. Custa caro alguém que faça esse tipo de trabalho. E pior: é uma afirmativa quase unânime que não existe, no Brasil, profissionais qualificados para trabalhos em barcos.
Luciano Guerra, dando uma
moral com a geladeira
Geralmente são pessoas simples que, em algum momento no passado, trabalharam em estaleiros, ou como ajudantes de algum profissional e aprenderam o ofício e em seguida resolveram fazer carreira solo. Não fizeram cursos, não tiveram acesso a manuais e especificações técnicas de produtos etc. O que sabem é o que já fizeram algum dia. Outro detalhe é a cultura desse pessoal de prometer prazos e quase sempre não cumpri-los. O aborrecimento é certo!

Outro ponto que às vezes dificulta  cuidar do barco são os materiais e peças de reposição. Quase sempre são objetos e produtos caros e, principalmente, difíceis de achar para comprar (ou encomendar). O dono terá de fazer escolhas, do tipo pagar uma pequena fortuna ao comprar na mão do atravessador, ali na beira do cais, ou procurar onde possa se encontrar o que precisa, ou ainda pesquisar materiais alternativos que resolvam o problema.

Meu filhote ajudando a
lixar o banquinho de popa
Então não vale a pena ter um barco que necessite de reparos etc? Não é isso! Mesmo os barcos novos precisarão de reparos e manutenção. O que se precisa é de disposição para aprender, conhecer e cuidar do seu barco. Saber onde achar o que se precisa, conhecer os profissionais próximos e, o mais importante, ter amigos por perto, pois conversando aqui e ali, sempre se encontra toda e qualquer solução para resolver seu problema.

Velejadores, aliás, são uma grande irmandade que sempre se ajudam, quase sempre em troco de nada. Quantas vezes já dei e ganhei peças e materiais. Quantas vezes amigos já me visitaram no MYSTIC e arregaçaram as mangas e consertaram algo. Então Vitor e qualquer outro leitor, não desistam de seus barcos. Vocês verão que há muito mais prazer do que aborrecimento para poder usufruir desse esporte tão apaixonante.


Bons Ventos


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domingo, 3 de abril de 2016

PINTURA DE FUNDO NOVA

Manutenção, manutenção, manutenção e manutenção! Ela nunca acaba!

Quer ter um barco direito (e consequentemente, bonito, seguro, confiável etc)? Então tem que fazer manutenção sempre!

A pintura de fundo do MYSTIC completou 2 anos no mês de março e nem estava tão ruim assim, mas em alguns pontos já estava bem desgastada e acumulando cracas com uma certa facilidade. Resolvi, então, partir para um retoque reforçado. Comprei logo 3 galões de tinta Renner e contratei o Celestino "Guinho" para pintar. Como a tinta anterior também era Renner e não estava tão ruim, o Guinho só precisou dar uma lixada e aplicar as novas demãos. Ficou ótimo!!!

ANTES

DEPOIS

Aproveitei que o barco estava em seco e troquei o último registro que ainda não tinha feito, quando comprei o barco, pois este veio fibrado no casco. Agora todos os registros estão em bom estado e seguros.


Bons Ventos




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quarta-feira, 23 de março de 2016

VELEJADINHA DE FÉRIAS

Olá amigos,

Tirei umas semanas de férias do trabalho!

Em meio a um mar de tarefas e pendências pra resolver, encontrei um tempinho pra dar uma velejada de Ranger 22, na última 3ª feira. Foi uma velejadinha solo aqui na Baía de Guanabara mesmo, mas foi bem divertida!

Velejando em meio a belas paisagens
Interessante que sempre sofri com alguma falta de confiança para tocar um barco sozinho, embora tenha convicção que possuo experiência e capacidade de sobra para fazer isso. Cada vez mais e mais tenho velejado só e tenho gostado bastante. Eu tenho uma meta de num futuro próximo, empreender uma travessia em solitário, mas nada digno de um livro, ou um feito a ser seguido. Somente a extrapolação de um limite pessoal. Uma pequena travessia em solitário.


Pousando novamente dos meus sonhos e voltando ao relato, o passeio dessa semana, apesar de ser o mesmo de muitas outras vezes, mais uma vez me fez ver as mesmas coisas,  de forma diferente. Como o mar é legal!!! As mesmas paisagens mostram-se sempre muito diferentes! 

Dessa vez optei por fazer um través pra lá e um través pra cá. Queria ver velocidade e não queria o barco muito adernado, como num contravento em orça apertada. Saí do clube em Niterói, icei as velas, caprichei na regulagem e aproei para a Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro. Fui 
Outros veleiros
observando os pássaros voando e tentando tirar ensinamentos do "relacionamento" deles com o vento. Prestei atenção ao calor da Pedra do Morcego e seu efeito no vento ali nas proximidades. Olhei atentamente para os braços de maré e seu efeito sobre o barco. Obviamente a poluição não passou despercebida e, refletindo sobre todo aquele lixo flutuando (era muito lixo, como sempre) e a proximidade dos jogos olímpicos, observei os atletas estrangeiros treinando por ali. Fiquei com a impressão do profissionalismo desse pessoal. Com toda aquela sujeira ali, era pra eles reclamarem muito!!! Não ficaria surpreso se houvesse um boicote! Acreditem!
Retornando
Na Baía de Guanabara, em determinados momentos e condições, você não veleja mais de 100 metros sem colidir com algo - normalmente sacos plásticos. E eles lá, aos montes, treinando do jeito que dava. Uma vergonha! Bem, aí, num pensamento típico "carioca-tupiniquim", eu olhava pra cima e a paisagem deslumbrante do Pão de Açúcar, do Cristo etc, davam uma aliviada na decepção com a água.

Eu atravessei a Baía de Leste para Oeste e voltei. Enquanto o vento se manteve na casa dos 12 / 15 nós, meu valente Rangerzinho andou quase todo o tempo acima dos 6 nós de velocidade. Nada mal para um projeto de 36 anos de vida, com apenas 22 pés e equipado com uma genoa 125%. Quando o vento minguou, foi a hora do novo membro da família entrar em ação - um Evinrude 3.5 hp de 4 tempos, que empurrou o barco a honestos 5 nós (no mar liso).

Museu de Arte Contemporânea (MAC) ao fundo

Pedra do Morcego

Chegada ao clube

Cheguei ao clube já no final da tarde, arrumei rapidamente o barco e fui embora, buscar o filhote na escola.

Quando a gente consegue dar uma velejada dessa, sempre ficam as boas lembranças e o gostinho de quero mais. Certamente tentarei ainda dar mais uma velejada antes do fim das férias! Mas aí será assunto para, quem sabe, uma nova postagem.



Bons Ventos

Até a próxima!



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sábado, 16 de janeiro de 2016

FECHANDO 2015

FELIZ 2016, PESSOAL !!!!

O MYSTIC fechou o ano de 2015 em grande estilo, com um passeio pelas águas da Ilha Gipóia e Ilha de Paquetá, em Angra.

O ano de 2015 foi um ano de muito trabalho e compromissos crescentes, que tem me afastado cada vez mais do mar. Consegui uma folguinha no trabalho, emendando o feriado de Natal com o de Ano Novo e, aproveitando uma trégua nos compromissos particulares de final de ano, combinamos com o "Bernardo & Joana family" um pequeno passeio pela Ilha Grande.

MYSTIC e Verona II na Amendoeira
Eu tinha em mente que não queria tumulto, nem dificuldades no pernoite, banho etc e isso seria um desafio nessa época do ano, naquela região. Já o Bernardo desejava fazer seu primeiro pernoite em família a bordo e era importante que as coisas transcorressem bem. Lembrei-me de, certa noite de insônia, estar pesquisando ilhas e praias fora do eixo da badalação, pois já havia um tempo que eu gostaria de visitar lugares novos (mesmo estando muito longe de conhecer todos os encantos da Ilha Grande), algo como praias desertas, de areias claras como Lopes Mendes.

A Gipóia é uma ilha rodeada de belas praias, dentre elas a badaladíssima Praia do Dentista. Em sua face E está a conhecida praia de mesmo nome (Leste), de onde parte a tradicional Procissão Marítima de Angra dos Reis, todo dia 1º de janeiro. Outras praias, de Leste a Norte da ilha possuem bons restaurantes no seu entorno e, aproximadamente na face SW da ilha, existem duas pequenas praias que, apesar da proximidade da Praia do Dentista, praticamente não são visitadas. Estava escolhido nosso destino para o passeio.

Ilhas Botinas
A programação ficou mais ou menos assim: chegaríamos no clube em Angra, eu botaria o barco no cais e ficaríamos curtindo o resto do dia ali mesmo. No dia seguinte partiríamos cedo para a Gipóia, aproveitaríamos parte do dia ali e depois seguiríamos para a Ilha de Paquetá - não muito longe dali e onde poderíamos comer uns pastéis e beber uma cerveja. Dali, de volta para o clube, haveria uma boa chance de dar uma velejada, já que aquele trecho da Baía da Ilha Grande (BIG) costuma soprar uma viraçãozinha de tarde. O próximo dia (o último), iríamos de manhã cedo para a Ilha Cataguás, a pouco mais de umas 2 MN do clube e então retornaríamos, fecharíamos tudo e partiríamos de volta pra Niterói.

Os costões da Ilha Gipóia

 Claro que toda essa programação teria que ser aceita pelo Murphy.

O grande dia chegou! Saímos de casa logo depois do almoço com um tempo "meio barro, meio tijolo", com o sol meio tímido, mas fomos. Chegamos em Angra com tanta chuva que tivemos que parar no Shopping Pirata's Mall pra esperar melhorar um pouco. Só chegamos no barco já de noite e foi a conta de arrumar tudo, tomar um banho e ir pra cama dormir.

A Praia da Amendoeira

O dia seguinte amanheceu nubladão, com raros mormaços, mas o calor e a empolgação não nos deixaram desistir do passeio. Além do mais, o Bernardo já estava a caminho da tal praia. Não tinha uma gota de vento e o Control 48 HP do MYSTIC cantou alto até o nosso destino - não sem antes passarmos pelas Ilhas Botinas e pela costa da Ilha Gipóia, contemplando seu relevo.

Chegando lá, fomos logo pra água e depois nadamos até a praia. Só havia uma lancha fundeada no canto e nossos dois veleiros no meio. Mais tarde outras duas embarcações pararam próximo, mas havia espaço suficiente para todos, tanto é que nem nos cruzamos na areia. Como não tinha sol, passamos protetor somente no Gustavo, o que se revelou um erro. Algum tempo depois, o sol saiu com tudo e não tínhamos uma barraca para nos proteger. Tudo bem! Voltamos pra água e curtimos um montão lá.

Águas quentes e transparentes
A tal praia, da Amendoeira, é linda! A areia é branquinha como eu sonhara e termina na mata. Não consegui ver qualquer construção, embora tenha percebido uma trilha num canto. A água parece de uma praia de mar aberto, de tão transparente que é. Por falar em mar aberto, como a posição da praia é virada para a saída da Baía da Ilha Grande (BIG), ali quebram ondas quando há swell. Outro detalhe importante é a pouca profundidade de sua orla. Por conta disso, tivemos que fundear bem afastados, para que as poucas ondas do dia não nos jogasse na praia.

Depois de muito nadarmos e brincarmos na areia, acabamos "expulsos" da praia pelo sol e calor. Meu desejo de conhecer um local assim ali nas redondezas estava saciado e como a fome já estava torcendo meu estômago, dei a ordem de suspender, com destino à Ilha de Paquetá. Eu e Renata estávamos vermelhos que nem turista alemão no verão de Copacabana, no Rio de Janeiro e essa conta acabou nos sendo cobrada mais tarde...

Uma hora mais tarde, novamente navegando a motor, chegamos à Ilha de Paquetá, lotada de lanchas e "farofeiros da alta sociedade". Este é um detalhe que merece um aparte na nossa história:

É impressionante como tem gente abastada que inunda os Facebooks e Instagrans da vida criticando e/ou zoando os hábitos, digamos, "espalhafatosos" das classes mais humildes, mas que fazem o mesmo em paraísos como a BIG. Assistimos de tudo um pouco: latinhas caindo ao mar, lanchas tentando se espremer entre outras, som alto, mergulhos acrobáticos em cima dos outros e muitas estripulias mais.

Paraíso e farofada, lado a lado
Bem, feito esse "aparte", fundeamos mais afastados da confusão e desembarcamos para devorarmos os deliciosos pastéis de camarão que servem ali. As crianças aproveitaram, claro, pra brincar mais e nós ficamos curtindo o resto da tarde o clima agradável e a beleza do local.

Infelizmente, o retorno para o clube foi, uma vez mais, no motor, porque o vento não deu o ar da graça. No canal entre a Ilha Gipóia e o continente cruzamos com várias lanchas e foi triste constatar como existem ignorantes, mal educados e irresponsáveis pilotando potentes máquinas por nossos mares. Eles passam perto em alta velocidade, desconhecem (ou não respeitam) as mais básicas regras de trânsito aquaviário e colocam todos em sua volta em perigo.

Curtindo a piscina do clube
Chegamos ao cais do clube são e salvos e satisfeitos com o passeio do dia. Não fossem as queimaduras feitas pelo sol, o dia teria sido perfeito! Resolvemos, então, tomar um banho e ir comer uma pizza no shopping, para encerrar com chave de ouro o nosso dia.

O último dia amanheceu com um sol inclemente e minhas costas e braços deixavam claro que não havia como suportar mais uma aventura sem a proteção da camada de ozônio da Terra. Não nos restou alternativa senão adiar o passeio para Cataguás para uma próxima oportunidade. Ficamos na piscina do clube (eu de protetor fator 60 e camisa de manga comprida) relaxando até a hora do almoço, quando iniciamos a arrumação das coisas para nosso retorno pra casa. Logo em seguida a turma do Bernardo se despediu, seguindo rumo a outro encontro que eles tinham.

Como sempre, nossos passeios não precisaram ser para longe para nos divertirmos pra valer. O contato com o mar e a natureza mais uma vez renovou nossas energias e nos encheu de vontade de retornar em breve. É um passeio e uma diversão que desejo que todos possam ter um dia, de contato com um paraíso que, apesar dos esforços do homem em destruir, ainda encontra-se bastante preservado e convidativo.


Até a próxima!

Praia da Amendoeira: paraíso deserto

Comandante e Imediato, fazendo a navegação

Meu tripulante banguela (rs)

Em Ilha de Paquetá...

... e na piscina do Clube

Um lindo dia!