sábado, 15 de fevereiro de 2014

LIMPEZA DE CASCO?!!!!

Olá pessoal!

O MYSTIC já está completando 10 meses nas poluídas águas da Baía de Guanabara. Some-se a isso os mais de 2 anos sem receber pintura de fundo e dá pra imaginar a facilidade com que as cracas tem crescido no casco. Não tem jeito! A única forma de evitar a acumulação das cracas, é diminuindo o tempo entre uma raspagem e outra.

O MYSTIC sendo içado
A minha falta de tempo, de disposição e muito provavelmente, de condicionamento para mergulhar e limpar o fundo, estão sendo supridas pela contratação de um profissional. E é esse o assunto que quero abordar.

A limpeza do casco começou sendo feita de 2 em 2 meses, depois caiu para uma vez ao mês e atualmente está sendo realizada a cada 15 dias. O profissional escolhido mergulha "no pulmão" para fazer o serviço e, para complicar a faina, a água fica a maior parte do tempo muito turva, muitas vezes não dando pra enxergar 2 palmos a frente do nariz.

A galera ajudando na limpeza do fundo
Nas minhas velejadas, mesmo após cada limpeza, não ficava totalmente satisfeito com o desempenho do barco. Como não era regata, não havia barco velejando ao lado pra medir desempenho e a proposta era sempre passear e desestressar, nunca dei muita atenção a isso.

3 cm de cracas na quilha
De um ou dois meses pra cá, não conseguimos manter a regularidade nas limpezas e o profissional começou a se queixar da dificuldade de limpar o casco. Na última semana, inclusive, ele disse que não conseguiu limpar a quilha, tendo inclusive quebrado sua espátula raspando o fundo. Como o MYSTIC está prestes a zarpar de volta para Angra, onde inclusive será docado para pintura do fundo, resolvi esquematizar uma subida em seco aqui em Niterói para realizar uma boa limpeza...

A subida foi tranquila. Nós apoiamos o barco sobre a quilha e logo iniciamos o trabalho, pois tínhamos que devolvê-lo pra água logo, antes que a maré secasse. Logo no início, o raspador quebrou. Corri e fiz um conserto que ficou muito bom, mas logo depois, outro ponto de fixação do cabo quebrou, mas conseguimos finalizar o serviço com uma pequena espátula.

Como as fotos podem demonstrar, a quilha tinha uma camada de aproximadamente 3 cm de cracas. Uma craca pequena e dura. Se é que é possível afirmar, parecia uma craca em cima de outra. Realmente achei muita craca na quilha para algo em torno de 1 mês sem limpeza. O resto do casco só tinha um limo, já que a última limpeza foi há apenas uma semana atrás.

Absolutamente não posso acusar o profissional de não limpar a quilha, primeiro porque ele vinha me comunicando da dificuldade com a limpeza, segundo que nunca mergulhei para conferir o serviço e terceiro que o MYSTIC está praticamente sem tinta de fundo, mas confesso que estou bastante impressionado com a quantidade de encrustação verificada na quilha do barco.


A quilha antes...

... A quilha depois

A tinta de fundo já acabou faz tempo

Cracas, somente da quilha




domingo, 9 de fevereiro de 2014

MAIS UMA ETAPA CUMPRIDA

O Carnaval tá chegando e o MYSTIC ainda encontra-se em Niterói, recebendo suas manutenções. Já está aqui desde Abril do ano passado.


Como já escrevi antes, a lista de afazeres é infindável, de forma que não adianta querer ficar com o barco aqui só trabalhando, sem poder desfrutá-lo como gostamos, que é na Baía da Ilha Grande. Assim sendo, após algumas tentativas frustradas de marcar uma data para levá-lo para Angra, resolvi tentar mais uma vez programar a ida, dessa vez na próxima 6ª feira (14/02).


Novos ângulos para o acervo do MYSTIC

A vontade agora está acompanhada pela necessidade de estar com o barco no clube de Angra - o ARMC na semana que vem, já que a próxima etapa da manutenção já estava agendada e a hora é chegada: o MYSTIC vai ser docado para pintura de fundo.


A luz de tope foi substituída


As manutenções pendentes de serem feitas aqui em Niterói estão em ritmo acelerado e hoje foi dia de sofrer no topo do mastro.



A biruta, coitada, de tão velha, começou a desmanchar e comprei outra para substituí-la. Aproveitando que ia lá em cima, resolvi trocar a luz de top também, por outra, de led. Por fim, também botei uma lampadazinha na luz de cruzeta.




A estação de vento e a paisagem


O trabalho foi um tanto sofrido, por causa do calor, das marolas das lanchas que passavam, pelo vento e pelo balanço da movimentação dos amigos no convés do MYSTIC. Mas felizmente a missão foi cumprida!



Agora é aproveitar o meio de semana para limpar o barco e fechar os últimos preparativos. Dentre eles, ainda quero içar o barco no guindaste para raspar o fundo, cuja tinta já nem deve existir mais e as cracas, com esse verão doido que está rolando, se apoderaram com força do fundo do MYSTIC.


A biruta antes de cair, já sem o leme

Nem tudo são flores!



Bons Ventos e até a próxima.







segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

QUE VENHA 2014 !!!!

Olá amigos,

O ano de 2013 definitivamente é um ano para ser esquecido. Entre lesões, perdas de entes queridos, dificuldades em manter o MYSTIC em dia e um ano muito duro no trabalho, o tempo foi passando e cá estou: ficando resfriado (pra fechar o ano com chave de outro) mas totalmente esperançoso com o ano novo que se aproxima.

Quero agradecer de coração a todos que tiveram paciência de ler os artigos que publiquei aqui e ressaltar que em 2014 pretendo continuar sendo útil, através de novos posts, sejam técnicos, sejam histórias estimulantes a aproximar as pessoas do mar e da natureza.

Adeus 2013
Como costumamos dizer no meio náutico...

Que em 2014 os ventos soprem generosos, sempre a favor.

Que as rajadas sejam sempre favoráveis e os bordos sejam sempre positivos.

Que consigamos orçar diretamente para nossos objetivos e que o mar nos deixe passar.

Que nossos barcos sejam testemunhas do surgimento de novas amizades e da consolidação das antigas também.

E que a paz e um mundo melhor inflem nossas velas!


Um forte abraço,

Lauro Valente & Família



sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

AVENTURAS DE AUDITÓRIO

Olá amigos! Quanto tempo!

Desde quando comecei a fazer as manutenções no MYSTIC, a lista, que já não era simples, tornou-se ainda mais complicada, muito em função da minha dificuldade de estar sempre a bordo trabalhando. Cada tarde de trabalho significa uma tarde longe da família e quem tem filho pequeno sabe o quanto eles consomem um casal. Não dá para toda hora largar tudo e ir pro barco trabalhar. E assim o tempo passou... e pouca coisa foi feita, efetivamente.

Mas esse artigo não é para contar minhas lamentações. Quero compartilhar uma nova experiência vivida esta semana e que me proporcionou especial prazer: Virei palestrante!!! (rs)

Tudo começou alguns meses atrás, durante uma conversa com o Matheus Eichler - Vice Presidente da ABVC Rio e Comodoro da Flotilha Guanabara. Eu havia acabado de assistir a uma palestra ministrada por ele e estávamos conversando sobre as dificuldades de se estimular a vela de cruzeiro por aqui, o fardo que o Matheus e alguns poucos abnegados carregam sozinhos e a necessidade permanente de ajuda que eles tem. Eu já havia passado por isso quando organizei os agradáveis "Encontro em Seco" do Grupo Altomar e sei o quão valioso é qualquer auxílio.



Por outro lado, tenho consciência que, no atual estágio da minha vida, não tenho como me engajar num projeto com o compromisso que o Matheus se dedica. Eu já havia tentado ser útil, certa vez, a uma nova diretoria do meu clube - o PCSF e acabei me vendo obrigado a deixar a turma na mão.
... Mas queria poder ajudar de alguma forma...

Meu amigo de sempre e companheiro das travessias - o Ulisses sempre dizia que eu deveria ganhar um dinheiro dando aula de vela, já que sempre fui muito interessado em entender o comportamento das velas e do barco, sempre caprichava na regulagem e por isso tinha um bom conhecimento. Ele também insistia que eu tinha paciência pra ensinar e tal...

Naquele bate papo com o Matheus, ele me falou algo que acabou sendo a senha para eu ter uma ideia e, mais do que isso, criar coragem de pô-la em prática. Dizia ele que as palestras eram ministradas, muitas vezes, por gente do próprio grupo. Era uma troca de experiências e uma oportunidade de debate entre a turma. Ele ainda me perguntaria se eu não tinha ninguém pra indicar para falar de algum tema útil para a galera... Me senti estimulado, então a colaborar, pois era algo que não me tomaria tempo, nem me demandaria muitos esforços. Desta feita, indiquei meu amigo Luciano Guerra para dar uma palestra sobre meteorologia e me coloquei a disposição para falar alguma coisa sobre regulagem de velas.

A palestra do Luciano foi um sucesso e rende debates e questionamentos até hoje. O pessoal aprendeu um pouco sobre microclima e os sistemas que atuam em nossa região, especificamente. Algo de muito interesse, já que muitos conheceram alguns fenômenos característicos da Baía de Guanabara, por exemplo.

Minha palestra acabou ocorrendo algumas semanas depois e fiquei surpreso com os elogios recebidos, os quais agradeço, porém refuto em parte, pois não me considero um expert no assunto.

Eu baseei minha apresentação num livro que considero uma bíblia para qualquer velejador: "Manual de Regulagem de Velas", de Ivar Dedekan. Claro que minha experiência de 11 anos como regateiro fissurado e o aprendizado que tive com alguns grandes velejadores também ajudaram muito na montagem da palestra.

Basicamente procurei mostrar pra galera de cruzeiro (a qual me insiro, já que minha origem e formação na vela foi cruzeirando e hoje é o que tem me dado mais prazer) que uma boa e eficiente regulagem de velas não deve ser obrigação de quem corre regatas. Um barco corretamente trimado, além de andar mais (objetivo do regateiro), poupa mais o equipamento e traz mais segurança para a velejada.

Numa travessia Rio x Angra, por exemplo, de 12 horas de duração (em média), um barco corretamente trimado pode alcançar 0,5 nó a mais, o que lhe poupará, ao fim da viagem, cerca de 1 hora a menos.

Agora imagine uma velejada com vento mais forte? Velas corretamente içadas e trimadas vão reduzir o adernamento do barco e o peso do leme. A estrutura do veleiro agradece! (rs)

E se você está perigosamente sendo jogado numa praia a sotavento e seu motor não funciona? Maneje corretamente seus panos e orce contra o vento até alcançar uma distância segura.

Bem, existe assunto para um livro, mas deixo isso para o excelente trabalho do Ivar Dedekan. Podemos sim, quem sabe, organizar um novo encontro e discutir esse tema com mais profundidade.

Bons Ventos

domingo, 23 de junho de 2013

MANUTENÇÕES - PARTE 1

Desde abril, quando trouxe o barco de Angra pra Niterói, tenho tentado ir ao clube pelo menos 1 vez por semana, mesmo que tenha que ser de noite, após o trabalho. A lista de afazeres é extensa e quase sempre que meto a mão pra fazer alguma coisa, sempre aparecem pequenas complicações que aumentam e atrasam o trabalho. Foi o caso da troca da bomba de porão e limpeza do poceto. Descobri uma válvula de retorno velha no meio do circuito. Pra retirá-la, acabei tendo que trocar a mangueira etc.


Os instrumentos, em foto na época em que estava comprando o barco.

Hoje vou escrever um pouco sobre os eletrônicos e o desfecho positivo da operação de salvamento dos aparelhos.

Quando comprei o barco, os displays sequer acendiam. Eu não sabia se era somente um problema elétrico, se os aparelhos estavam queimados, ou mesmo se estavam devidamente instalados. Depois que superasse essa etapa, ainda seria necessário verificar se as informações chegavam corretamente dos sensores.

MYSTIC, já sem os instrumentos no painel sobre a cabine
Como na época eu não dispunha de tanto tempo assim e haviam outras prioridades, contratei um profissional que, apesar de eletrônica não ser seu forte, tinha bastante experiência com barcos e seus sistemas. O diagnóstico foi o pior possível: todos os displays estavam condenados. Sem alternativa, pedi então que desinstalasse a traquitana toda e guardei os displays.

Os instrumentos acenderam, mas ...
 O tempo passou e a falta de uma sonda me incomodava profundamente, além de, a cada vez que olhava para aqueles displays no fundo do armário, sempre desconfiar que eles tinham solução e que sua retirada fora precipitada.

Na semana passada resolvi ir para o barco testar os aparelhos e acabar de uma vez por todas com minha inquietude. Com um multímetro, confirmei que chegava energia normalmente no painel externo, onde os displays estavam instalados, apesar dos pinos do conector estarem bastante oxidados. Na sequência, saí desmontando os acabamentos do teto da cabine, fuçando os paineiros etc e percorri todo o caminho desde os sensores até o dito painel. Os cabos estavam em bom estado e íntegros, além de não haver problema em suas conexões com os sensores, pelo fato de não haver conectores ali. O cerco estava se fechando.

... ainda sem marcar dados
Sem fazer qualquer limpeza, espetei o conector da sonda e para minha alegria, ele acendeu. Conclusão: o cara não testou porcaria nenhuma! Conectei os demais displays (wind e speed) e vi, pela primeira vez, os eletrônicos do MYSTIC funcionando, ainda que sem marcar qualquer informação. Fazê-los funcionar seria uma questão de tempo - eu pensei, apesar de restar a dúvida se os sensores estavam funcionando.

O próximo passo foi desmontar o painel e acessar os cabos lógicos (cabos que vem dos sensores). Já na semana seguinte a que comecei o trabalho e armado de um spray limpa contato, procurei fazer uma limpeza minuciosa dos conectores, bem como recuperar um ou outro que aparentavam estar com os pinos tortos. O grande momento enfim chegara: era hora de conectar tudo e ver se funcionavam.

A conexão foi um capítulo à parte: sem manual e com uma penca de cabos, quase todos iguais, como ligar sem errar? E se ligasse errado, queimaria os displays ou algum sensor? Na verdade, as ligações foram meio óbvias, pois quando segui os cabos, eu marquei qual era pra quê. Somente as ligações elétricas entre cada display requereu um pouco mais de atenção.


O sensor do wind, no tope do mastro
OK! Tudo ligado, era hora de testar! Energia ligada, os instrumentos funcionaram, para minha enorme alegria. Mas alguns minutos depois, as informações vindas dos sensores começaram a apresentar intermitência na marcação, ou seja, a sonda hora marcava corretamente, ora marcava uma profundidade louca. O wind marcava a direção do vento, mas não sua velocidade e o speed não poderia marcar nada mesmo, pois o sensor estava fora do casco.

A noite de trabalho se encerrou sem que eu conseguisse resolver o problema. Mesmo após desmontar tudo e limpar novamente os conectores e remontar novamente, desta vez no painel onde ficam, as informação continuaram truncadas. Fui pra casa com uma pontinha de frustração. O que poderia ser?



Tudo funcionando, mas com marcações irreais

Ontem estive novamente no barco para subir no mastro e trocar a lâmpada do tope por LED e para tirar a biruta, que estava quebrada. Antes de começar a preparar a faina, liguei os eletrônicos e, para minha surpresa, eles funcionaram normalmente. Enquanto preparava a faina para subir, deixei tudo ligado, para verificar se o problema do meio de semana se repetiria. Para minha alegria, tudo funcionava. Quando eu ia subir no mastro, entrou um vento SW de uma pre-frontal que acabou por suspender minha faina, pois o barco balançava muito. Pelo menos foi bom para verificar que o wind parece ter ficado bom de vez. Ainda que com as unidades métricas desconfiguradas (estava em m/s, ao invés de nós), o aparelhinho marcou honestamente a velocidade e direção - 12 m/s, ou aproximadamente 24 nós. Com a tarde perdida mesmo, terminei de montar o painel e fui pra casa.



Mais uma vez, a lição que tiro disso tudo é a questão da falta de mão de obra especializada. Enquanto confiei no trabalho de um profissional, fiquei praticamente 2 anos sem os instrumentos. Com um pouco de estudo, paciência e crença de que tudo poderia dar certo, tive, eu mesmo, que meter a mão na massa e resolver o problema. Felizmente com um final feliz. Mais uma etapa cumprida e que venham as próximas.


Bons Ventos,