sexta-feira, 26 de agosto de 2011

AGORA SIM, UM MOTOR!!!

Olá amigos,

Chegou a hora de falar detalhadamente do motor.

Como todos sabem, antes de ser comprado por mim, o MYSTIC estava praticamente abandonado e isso acabou acarretando sérios problemas no motor. Dentre outras coisas que se deterioraram, os anodos simplesmente não existiam mais e com isso, o motor original do barco - um VW Control de 48HP, acabou se estragando definitivamente, devido à corrosão. O então proprietário decidiu tirar o motor perdido e comprou outro, do mesmo fabricante, usado.

Quando fui ver o barco para comprá-lo, o motor estava no meio da cabine, ainda por instalar. Preocupado em adquirir um barco sem testar a máquina, me restou a alternativa de tentar pesquisar a vida daquele motor. Pesquisa daqui, procura dali, consegui chegar ao cara que o vendeu - o Luiz, do veleiro Berro D'água, que me deu todo o histórico da máquina. Pra mim, o que me tranquilizou foi confirmar que a procedência do motor era muito boa, já que o Luiz era realmente um cara sério e pude perceber o quanto cuidadoso ele era com seu barco etc. Soube que o motor foi todo reformado pouco antes de ter sido vendido, o que me agradou, pois tinha chance de não ter que gastar muito dinheiro com maiores problemas.

Infelizmente, não foi bem assim.

O motor em sua configuração original, colocado dentro do compartimento, quando descobri que aquele não servia ali
 Quando fui, pessoalmente, fazer a instalação do motor, percebi que aquele motor não cabia no compartimento do Fast 310. Mas como, se a maioria dos Fast 310 que conhecia eram equipados com o tal Control?

De volta às pesquisas, descobri que haviam duas marinizações diferentes para o mesmo motor, de forma a atender particularidades da construção de cada modelo da Fast Yachts, naquela época. Originalmente, o motor VW tem seu bloco montado ligeiramente inclinado, com o alternador trabalhando em seu lado o esquerdo. Marinizado dessa forma, o Control equipou os Fasts 303 e 345. Já o Fast 310 possui um compartimento um pouco mais estreito, o que gerou a necessidade do bloco ser montado rigorosamente na vertical.

Não me restou outra alternativa senão sacar o motor lá de dentro enviá-lo ao Josivan, em Ubatuba - uma verdadeira autoridade quando o assunto é motor Control. Aproveitando que o MYSTIC estava docado no Clube Naval Charitas, mandei retirar a máquina e entreguei-o ao Josivan.

Alguns dias depois o Josivan me ligou dando a boa e a má notícia: a boa foi que o motor, do jeito que chegou na oficina, foi pra bancada e pegou de estalo, confirmando o que o Luiz havia dito sobre a reforma. A má notícia foi que a alteração na marinização implicaria na troca da reversora e na troca do trocador de calor. Como diz o ditado "Já que está no inferno, abraça o diabo", mandei logo ele dar outra geral no motor, o que resultou na substituição da bomba d'água salgada por outra novinha, na troca do alternador por outro bem mais potente, na otimização do motor que o Josivan faz (troca das mangueiras por tubos de alumínio) entre outras providências.

Obviamente que todo esse trabalho, mais a contratação do próprio Josivan para fazer a instalação no barco não podia ficar barato, mas pelo menos ainda está mais barato que um motor zero (o qual não tenho recursos, por enquanto, para comprar) e o serviço está sendo realizado por um profissional reconhecidamente especialista neste motor.

O motor chegou essa semana e o Josivan já começou a instalação. Resta agora somente aguardar a finalização da instalação e os primeiros testes para confirmar se esse motor é isso tudo que quem tem, diz que é.

Em breve postarei aqui o resultado de mais essa fase da reforma do barco e minhas impressões sobre o motor Control.

Aguardem!!!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

OPÇÕES DE PASSEIO NA BAÍA DE GUANABARA E ADJACÊNCIAS

Olá amigos,

No final de julho aproveitei minhas férias e saí de tarde para dar uma velejada com o Mystic. Dentre os muitos assuntos discutidos a bordo durante o passeio, surgiu a questão de alternativas de destinos para quem veleja na Baía de Guanabara.

Acho que existe um certo preconceito com a Baía, principalmente por conta da poluição da água, o que faz com que esses passeios se limitem a uma velejada. Ninguém se anima a fundear em algum lugar para um mergulho, pernoite, ou mesmo para somente almoçar. Vocês sabiam que existem restaurantes a beira d'água dentro e fora da Baía que podem servir boas refeições?

Eu mesmo não aproveito tanto assim todo o potencial que a Baía de Guanabara dispõe, mas sempre que posso, tento complementar meus passeios com algum evento. Bem, vou tentar apresentar algumas opções que espero possam servir para estimular mais os passeios por aqui:

Praias do Adão e Eva

As praias do Adão e Eva, em Niterói (próximas à Fortaleza de Santa Cruz) são uma boa opção de fundeio para um churrasco a bordo, desembarque para curtir a praia, ou mesmo um mergulho. Por estarem bem próximas da boca da barra, é bem comum a água estar limpa no final da maré enchente.

Praias do Adão & Eva
 Urca

Dentro da Baía, às margens do Forte de São João, na Urca, algumas vezes já vi alguns barcos fundeados por ali e o pessoal se refrescando com um bom banho de mar. Tal como as praias do Adão e Eva, aquela área está mais próxima ainda da boca da barra. Então, na subida da maré, aquele é um local onde a água fica limpa primeiro.


Praia Vermelha

Ali pertinho, já do lado de fora da Baía, há uma enseada bastante interessante, aos pés do Pão de Açúcar, sendo também um bom lugar para fundear, pernoitar, ou curtir um churrasco a bordo e dar uns mergulhos. Estou me referindo à Praia Vermelha, na Urca. O local é relativamente protegido pela Ilha da Cotunduba e bastante frequentado por praticantes de mergulho autônomo e caça sub. Já estive ali algumas vezes e gostei bastante. Dá para fundear mais para o fundo da enseada, bem perto da praia. Procure ficar atento somente ao vento Leste, se este soprar forte, pois ele empurra para a praia, no fundo da enseada.

Praia Vermelha, em foto disponível no site rotasturisticas.com
Itaipú

Navegando um pouco mais, rumo E, chegamos a Praia de Itaipú. Talvez esse seja o destino mais conhecido de quem tem barco. Ali, além da praia e da água normalmente cristalina, tem também vários restaurantes que servem desde petiscos até refeições dentro do seu próprio barco. Nas vezes em que estive lá, fui muito bem servido pela turma do restaurante Sabino's. O local é protegido do vento E, mas deve ser evitado em dias com previsão de SW, que te joga na praia. O canto de Itaipú é, também, um bom fundeio para pernoite.

Praia de Itaipú
Ilhas Maricás e Arquipélago das Cagarras

Para aqueles que gostam de navegar para mais longe, duas opções bastante interessantes são o arquipélago das Cagarras a W/SW da boca da barra e as Ilhas Maricás a E de Itaipú. Em Maricás, só vale a pena ir em condições de mar calmo e vento E, já que o fundeio fica na face W da ilha e no geral, ela não é muito protegida. O dado interessante é que em Maricás existe uma prainha escondida.

A prainha das Ilhas Maricás e o Arquipélago das Cagarras

Bar da Rampa

De volta às águas abrigadas da Baía de Guanabara, no fundo da enseada de Botafogo, encontra-se o Clube de Regatas Guanabara. Em sua área náutica existe um bar chamado Bar da Rampa, no melhor estilo "pé sujo", mas onde se bebe uma cerveja "estupidamente" gelada acompanhada de uma generosa porção de camarão frito ou empanado. O melhor de tudo é que o preço é extremamente honesto. Quando estive lá embarcado, joguei ferro ao largo do clube e solicitei o apoio deles para desembarcar no cais do clube, que fica em frente ao Bar. Fui muito bem recebido e recomendo.

Ilha de Jurubaíba

Conversando com amigos, soube que nessa ilha, localizada a N da Ponte Rio x Niterói, existe um aprazível restaurante que serve pratos variados a base de frutos do mar. Nunca fui, mas pretendo fazer uma visita ao local e descobrir se o tal restaurante ainda existe e se o peixe é isso tudo que me falaram.



Ilha de Paquetá (Paquetá Iate Clube)

Essa aprazível ilha localizada no fundo da Baía de Guanabara é um ótimo local para pernoite e passeios alternativos. Nela está localizado o PIC - Paquetá Iate Clube. Todas as vezes em que estive no PIC (não foram poucas), fui muito bem recebido. Já pernoitei lá, já fui somente para almoçar e sempre fui muito bem atendido. O apoio náutico oferecido pelo clube é mais que suficiente e o restaurante tem uma comida bem saborosa a um preço honesto. Anualmente, é lá onde acontece a Patescaria - um evento voltado para os velejadores de cruzeiro. O clube fica repleto de barcos e a ilha lotada, para a festa de São Roque.

O Paquetá Iate Clube e os barcos na Patescaria

Bem, estes são os locais que conheço e arrisco recomendar. Ficaria grato se alguém tiver alguma outra sugestão e queira comartilhá-la consco.

Bons Ventos



sexta-feira, 29 de julho de 2011

VELEJADA DE MEIO DE SEMANA

Alô amigos,

Aproveitando uma parte das férias que estou tirando agora, vou adiantando algumas coisas no barco e, claro, resolvi aproveitar para dar uma velejadinha básica. O fundo do barco está recém pintado e eu ainda não tinha saído pra aproveitar toda performance que o fundo lisinho poderia proporcionar.

Como o barco está sem motor (eu o retirei e mandei para o Josivan dar uma revisão geral na máquina), projetei e encomendei ao Chico, da FOCH, um suporte de motor de popa que pode ser adaptado nas alças da escada do barco. Ficou ótimo. Dessa forma, quando o vento acabou, pendurei o meu valente Mercury 3.3 hp e retornamos tranquilamente ao clube.

O valente Mercurizinho, mandando ver.
Para essa "empreitada", escalei novamente meu irmão, que passa uma semana de férias aqui no RJ e resgatei um amigo de regatas do Ranger que há muitos anos não pisava num veleiro - o Marcus.

Bem, a tarde não começou exatamente como queríamos, pois eu havia esquecido que o 3.3 hp estava com a cordinha do start partida e faltava recolocar a vela mestra no mastro (eu a havia enviado ao Arnaldo para alguns ajustes).

Algumas horas depois zarpamos à vela com vento fraco e sem destino. O final da tarde se aproximava e já não dava mais tempo para grandes aventuras. Tomamos assim o rumo da boca barra (saída da Baía de Guanabara) e a proposta era ir até onde a claridade permitisse. O Mystic deslizava tranquilamente a 4 nós de velocidade. É impressionante como um fundo liso faz diferença no desempenho.

O MYSTIC, rumo à boca da barra

Já fora da Baía, deixando para trás a Fortaleza de Santa Cruz
Chegando na Ilha da Cotunduba

Quando livramos o través do Morro do Morcego, em Niterói, o vento refrescou um pouco e o Mystic ensaiou suas primeiras adernadas. As cervejas foram abertas, o papo já ia animado, quando resolvemos dar a volta na Ilha Cotunduba, fora da Baía.

Com vento bem de través na faixa dos 12 nós, o barco, que estava equipado com a mestra full batten + genoa 100% - tudo em prolam, velejava a impressionantes 7,5 nós. Tudo bem que ali a maré estava vazando forte, mas nada que roube o mérito do barco.



Já pra fora do través da Cotunduba, percebemos que não havia vento no canal entre a ilha e o continente. Resolvemos, então, cambar e fazer o mesmo caminho de volta.

Quando passamos no través da Fortaleza de Santa Cruz, o vento acabou. Naquele momento, percebemos como a maré vazava forte. Enquanto encaixávamos o 3.3 hp no suporte, rapidamente a maré arrastou o barco para fora da baía.

Uma vez o motorzinho ligado, apesar dos seus "humildes" 3.3 hp versus as talvez 3 toneladas do barco, a correnteza foi vigorosamente vencida e retornamos as calmas águas do interior da Baía de Guanabara.

O retorno ao clube, já de noite, foi tranquilo, sempre regado a uma boa cerveja e um ótimo bate-papo, com muitos causos e promessas de novas velejadas.

Meu irmão e o Marcus

A conversa estava boa

Até a próxima!!!

terça-feira, 12 de julho de 2011

A HORA E A VEZ DO FUNDO - Final

Olá pessoal,


Hoje finalmente o MYSTIC ficou pronto e retornou ao seu habitat - o mar. Foram longos 21 dias na área de reparos do Clube Naval Charitas, sob os cuidados do Lourival. Eu havia optado pela obra nessa época, porque, além da fila de espera para docar o barco, este é o período do ano que menos chove. Pro meu azar, perdemos praticamente uma semana inteira sem poder trabalhar por causa da chuva que caiu em Niterói na semana passada. Paciência...

Falando do que interessa, o que era pra ser uma simples pintura de fundo e polimento do costado, acabou virando uma reforma completa do fundo, incluindo a troca do eixo, hélice, flange, bucha, registros de água etc. Foram algumas surpresas desagradáveis, mas que no final foi melhor assim, pois agora sei que o fundo está em excelente estado e tão cedo não precisarei me preocupar com ele.

As fotos abaixo poderão mostrar melhor como foi essa etapa da revitalização do barco:

FUNDO

Sendo retirado da água. A primeira visão de como estava o fundo
No mesmo dia, com o fundo raspado.
O fundo totalmente lixado, mostrando a fibra do casco.
Nesta foto o fundo com a massa epoxi já aplicada.

Aqui, as camadas massa epoxi (brando por baixo), Galverette (vermelho) e Intergard (branco por cima).
O primer está aplicado. Falta só a tinta anti-incrustante.


O fundo definitivamente pintado com a tinta venenosa.
EIXO / HÉLICE


Craca pura. Nesse momento não dava pra ver o estado do eixo e do hélice

Após a raspagem, a surpresa desagradável: o material estava condenado.



O eixo já foi retirado e o pé de galinha sendo devidamente tratado.
... Com o primer, aguardando o novo eixo e hélice.

O novo eixo e hélice já estão no lugar, com o anodo já instalado e com o primer.







O eixo no lugar, pronto para ir para a água


REGISTROS


Os registros do banheiro já estavam emperrados
Registros novos significam segurança contra o afundamento do barco, principalmente estes que são muito usados.




Entrada de água do motor: a foto já diz tudo.
O novo registro e a mangueira já instalada.
 POLIMENTO E RETOQUE DO COSTADO

O costado de boreste estava bem machucado por anos encostado no mesmo cais


Antes...
... Depois
Somente no retoque e polimento, ... ficou ótimo!!!

Bem, vencida esta etapa, o plano é, já a partir da próxima semana, refazer a pintura da máscara do casario e trocar os cabos do guarda mancebo. Claro que esta outra etapa será a matéria do próximo post.

Até lá!!!





quarta-feira, 29 de junho de 2011

A HORA E A VEZ DO FUNDO - Parte II

Olá Pessoal,

Passada 1 semana desde que subimos o barco, a reforma segue a todo vapor.

O fundo do Mystic todo lixado, exibindo a fibra
O Lourival já lixou todo o fundo do barco, deixando a fibra aparecendo. Identificamos alguns pequenos pontos de osmose que já foram prontamente tratados e ele já começou a emassar o fundo com epoxi.

A aplicação de massa é uma etapa chata e relativamente demorada, pois é necessário aplicar a massa e lixar quantas vezes forem necessárias até que se alcance uma superfície lisa e uniforme.
























As fotos acima revelam o bom estado do leme e como ele está ficando, já com a primeira demão de massa epoxi. Ainda falta lixar e fazer as aplicações subsequentes, mas já tá bem mais bonito que aquele monte de cracas. (rs)

Pode não parecer, mas o trabalho de nivelamento do leme é crítico, pois deformações ou diferenças no trabalho afetam diretamente o desempenho do barco, sobretudo no contravento.
 
O que sobrou do eixo
O hélice está com as pás corroídas e parecem um papel, de tão finas que ficaram
 Paralelamente ao trabalho do Lourival, o Mendell já retirou o eixo e o hélice. O trabalho consistirá na troca dessas peças, além da bucha do pé de galinha, da fabricação de um novo flange, de sistema mais moderno, além da troca dos anodos (do eixo e do casco). O hélice foi enviado a um fabricante para que produza outro com as mesmas especificações do original.

O anodo de sacrifício do casco já está instalado



Até a próxima!



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