quarta-feira, 29 de junho de 2011

A HORA E A VEZ DO FUNDO - Parte II

Olá Pessoal,

Passada 1 semana desde que subimos o barco, a reforma segue a todo vapor.

O fundo do Mystic todo lixado, exibindo a fibra
O Lourival já lixou todo o fundo do barco, deixando a fibra aparecendo. Identificamos alguns pequenos pontos de osmose que já foram prontamente tratados e ele já começou a emassar o fundo com epoxi.

A aplicação de massa é uma etapa chata e relativamente demorada, pois é necessário aplicar a massa e lixar quantas vezes forem necessárias até que se alcance uma superfície lisa e uniforme.
























As fotos acima revelam o bom estado do leme e como ele está ficando, já com a primeira demão de massa epoxi. Ainda falta lixar e fazer as aplicações subsequentes, mas já tá bem mais bonito que aquele monte de cracas. (rs)

Pode não parecer, mas o trabalho de nivelamento do leme é crítico, pois deformações ou diferenças no trabalho afetam diretamente o desempenho do barco, sobretudo no contravento.
 
O que sobrou do eixo
O hélice está com as pás corroídas e parecem um papel, de tão finas que ficaram
 Paralelamente ao trabalho do Lourival, o Mendell já retirou o eixo e o hélice. O trabalho consistirá na troca dessas peças, além da bucha do pé de galinha, da fabricação de um novo flange, de sistema mais moderno, além da troca dos anodos (do eixo e do casco). O hélice foi enviado a um fabricante para que produza outro com as mesmas especificações do original.

O anodo de sacrifício do casco já está instalado



Até a próxima!



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quarta-feira, 22 de junho de 2011

A HORA E A VEZ DO FUNDO

Ontem demos início a mais um capítulo na reforma do Mystic. Finalmente chegou a nossa vez na fila do Clube Naval Charitas para docar o barco e fazer a reforma do fundo.
 
O MYSTIC sendo rebocado pelo R22 Dominus
Partimos cedo do PCSF rebocando o Mystic até o CNC, já que o motor também está na fila da revisão. Chegando ao clube, partimos para guinchada, que é sempre um momento de tensão, fora a expectativa do que vamos encontrar.

A subida em si foi bastante tranquila. O guindaste do CNC é bastante robusto e passa bastante segurança. Os marinheiros são bastante experientes e sabem o que fazem, apesar de não tomarem muito cuidado com pequenos detalhes, como por exemplo pisar no convés de botas.





No cais do Clube Naval, aguardando ser içado
 
Tensão e expectativa
 
Mal o barco foi içado, o Lourival (competente profissional, com quem já fiz a pintura do convés do Tuiú - meu ex barco) já iniciou a raspagem do fundo. A idéia é tirar completamente toda a tinta do fundo, fazer uma análise cuidadosa se existe osmose a ser removida, dar novo primer e fazer nova pintura de fundo.


Só para lembrar, o Mystic está há 6 anos sem receber qualquer tratamento anti-cracas. Antes daquela velejada do feriado de 21/04 (veja o post mais abaixo), o fundo parecia uma criação de mariscos. Era impossível velejar.

Lourival, iniciando a raspagem das cracas

 O diagnóstico inicial não foi dos piores, mas revelou a necessidade de algumas intervenções não previstas. Devido ao tempo que o barco ficou sem manutenção, o anodo de sacrifício se acabou há muito tempo e o eixo + hélice estão comprometidos.

MYSTIC já com o fundo todo raspado

Não há tempo para lamentações! Já contatei o Mendell e encomendei um eixo novo e novas buchas do sistema. Aproveitei a faina para sacar o motor e despachá-lo para o Josivan - especialista em motores Control, em Ubatuba (SP). Vou aproveitar e pedir a ele um hélice devidamente dimensionado para o conjunto.

Criação de cracas - Não sobrou muita coisa do eixo e do hélice


Conforme o serviço for sendo executado, tentarei ir postando aqui as fotos e comentários das etapas.

Aos amigos e leitores, peço a ajuda de opinarem sobre o que está sendo feito. Idéias e conselhos são sempre bem vindos.

Bons Ventos

segunda-feira, 13 de junho de 2011

NEM TUDO SÃO FLORES

O final de maio foi marcado pela entrada de uma forte ressaca no litoral Sudeste brasileiro. O tamanho e a direção do swell foram exatamente as condições que permitem as ondas adentrarem a Baía de Guanabara.


 



Como fartamente noticiado pela imprensa, a ressaca, dessa vez, produziu diversos estragos na orla de Niterói, como por exemplo a destruição do calçadão da Praia das Flechas, nas proximidades do MAC (Museu de Arte Contemporânea).






O pico de Itapuca, no canto direito da Praia de Icaraí, que fica dentro do Saco de São Francisco, em Niterói.

As grandes ondas fizeram a cabeça dos surfistas, que pegaram excelentes ondas na Praia de Icaraí, mas também preocupando os velejadores que tem seus barcos em poitas no Saco de São Francisco.


O PCSF no canto da PRaia de São Francisco



O MYSTIC fica apoitado em frente ao Praia Clube São Francisco. Pra quem não conhece, o clube fica no canto direito da Praia de São Francisco, no fundo da enseada. Aquele canto é bastante assoreado e em dias de ressaca,costumam quebrar ondas no local.



Apesar de nova e revisada, fiquei preocupado com a resistência da poita onde o barco fica. Optei, então, por lanças duas âncoras para garantir que, caso a poita arrebentasse, o barco não fosse arrastado para a praia. Passada a ressaca, fui ao clube recolher os ferros e preparar o barco para o primeiro final de semana a bordo com a família - iríamos para o Queijos & Vinhos da regata Chico Mendes, em Paquetá. Para a minha surpresa, uma das âncoras enroscou na poita. Perdi a manhã inteira e parte da tarde mergulhando para conseguir soltar a âncora de 10kg + 10m de corrente da poita.
Localizando o enrosco

Preparando para o mergulho
 

Do clube, minha esposa, enquanto esperava para zarparmos para Paquetá, registrava meu infortúnio para resgatar a âncora. Devido ao vento que entrou logo em seguida, junto com uma chuva desanimadora, resolvemos adiar o passeio para uma nova oportunidade.


Até a próxima.

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terça-feira, 17 de maio de 2011

UM POUCO DE HISTÓRIA








Outro dia estava conversando com o amigo Rodrigo, do veleiro Keekee que me indicou o site de um museu americano, cujo nome e localização, coincidentemente, eram o nome meu barco: o MYSTIC SEAPORT MUSEUM  







Essa descoberta veio de encontro com uma curiosidade que sempre tenho em relação aos meus barcos: o significado do nome. No caso do Mystic (místico, em português), o significado, segundo o dicionário Aurélio é:

[Do gr. mystikós, pelo lat. mysticu.]
Adj.
 1.     Misterioso e espiritualmente alegórico ou figurado
 2.     Referente à vida espiritual e contemplativa
 3.     Devoto, religioso, contemplativo, piedoso.
 4.     Que lembra a vida ou ambiente místico  

~ V. testamento --.
 S. m.
 5.     Aquele que, mediante a contemplação espiritual, procura atingir o estado extático de união direta com a divindade.

Bem, ainda que tenha o barco há bem pouco tempo e ainda esteja na fase de reforma, creio que encontrei  um significado mais identificado comigo.

O prazer de estar a bordo, em contato com a natureza e ao mesmo tempo protegido pelo barco desse marzão, sinto um imenso prazer, quase um estado de espírito. Aliás, essa é uma sensação experimentada desde a primeira vez que velejei.





Voltando ao museu, o Mystic Museum fica localizado às margens de um rio com o mesmo nome - o Mystic River, em Mystic City - Connecticut e é um museu naval, inclusive com embarcações verdadeiras do século passado, além de objetos, livros, manuscritos, mapas e cartas, projetos de construção de embarcações antigas e muito mais.



 

Se um dia for aos EUA, tentarei visitar. Por enquanto, vale a visita: www.mysticseaport.org




Até a próxima!

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sexta-feira, 29 de abril de 2011

VELEJADA NO FERIADO

O ferirado da Semana Santa foi especial. Meu irmão, que mora no interior de São Paulo e fazia bastante tempo eu não o via, veio com a família especialmente para o meu aniversário, ocorrido no dia 23.

Como nunca o havia levado para velejar, precisei dar uma ajeitada no barco para podermos sair e curtir o evento.

Ele, após uma verdadeira Via-Crucis chegou a Niterói na 5ª feira, dia 21 e fomos direto para o clube, para começarmos a preparação do barco. Era necessário recolocar a vela mestra no lugar (eu a havia levado para o Arnaldo fazer uns ajustes), recolocar as capas do estofamento (tiradas para lavar) e o principal: adaptar de alguma forma um motor de popa no barco, já que ainda não resolvi o que vou fazer com o motor de centro do barco (se instalo o original, ou se troco por um Yanmar zerinho) e era necessário levar o barco para um mergulhador conhecido meu raspar o fundo.

Depois de estudar um pouco, acabamos adaptando uma madeira na escada de popa do barco, de forma a acomodar meu valente Mercury 3.3 hp. Partimos, então, no motorzinho (não havia uma gota de vento), rumo ao Clube Naval Charitas (CNC), onde encontraria o mergulhador Biriba.

Meu irmão timoneando o MYSTIC. Ao fundo o valente 3.3 hp e à direita da foto, o novo equipamento de fundeio.

Apesar da baixa velocidade, o passeio por si só já estava agradável, com sol e um calor combatido com uns refrigerantes gelados. Baixamos o novo equipamento de fundeio do Mystic (100m de cabo + 10m de corrente + âncora Bruce de 10kg) ao largo do CNC e o Biriba logo mergulhou para fazer o serviço. O fundo estava criticamente sujo, resultado de vários anos sem receber qualquer limpeza e muito menos uma renovação da pintura de fundo.

O retorno, já no fim da tarde, também foi ao som do motorzinho, já que o vento não deu o ar de sua graça. A velocidade, porém, foi bem maior, já que não tínhamos mais aqueles tripulantes indesejáveis grudados no fundo do casco.

Biriba em ação


A 6ª feira chegou, e com ela a expectativa da primeira velejada do meu irmão. O sol estava bem quente e o vento ainda não havia aparecido, motivos pelos quais deixei a velejada para o fim da tarde.

Eu no leme e meu sobrinho, curtindo o pé na água.

Às 15h30 estávamos no barco - eu, meu irmão e um casal de sobrinhos. Já havia uma leve brisa e o sol já não era tão implacável assim. O dia estava lindo e o cenário não podia ser mais bonito. Icei a mestra e abri a genoa. Não havia um destino definido, mas queria ir o mais longe possível, mostrar um pouco desse mundão azul a nossa disposição. Infelizmente, olhando para fora do Saco de São Francisco, não havia quase vento. Resolvemos, então, ficar velejando por ali mesmo, curtindo a brisa de S/SE.

Logo ao zarpar tivemos uma suspresa muito legal: encontramos meu amigo Gustavo, passeando com sua namorada a bordo do seu veleiro Rappunzel. Seguimos levemente adernados, contornando a raia do campeonato estadual de Dingue, que ocorria ali. Nosso primeiro destino era passar próximo do Clube Naval. Na sequência, cruzamos com o J-24 Marrento, lá do PCSF, do amigo André, que, além da velejada, rebocava o filho de um amigo.

Enquanto o Gustavo e a Sabrina velejavam a bordo do Rappunzel, ...

...o André e seu sócio levavam o filho do cara pra fazer esqui-bunda no Marrento.


O barco acelerava suavemente, cantarolando o barulho da água no casco. Meus sobrinhos queriam botar os pés na água e foram para a plataforma de popa do Mystic. Diversão pura!

Do CNC, resolvi velejar numa popa rasa em direção à praia de Icaraí e depois um contravento até o JIC. Gostaria de ter passado mais perto do Morro do Morcego - um lugar que acho muito bonito, mas ali o vento era zero. Demos várias cambadas, cruzamos mais algumas vezes com o Rappunzel e a tarde foi caindo. O enfraquecimento do vento avisava que era hora de retornar ao clube e assim o fizemos. Quando nos aproximávamos, o vento acabou com o barco a poucos metros da poita. Estiquei o croque e pesquei-a e na sequência, amarrei o barco na poita. Era o fim do passeio.

Contabilizando, o dia não poderia ter sido melhor! A velejada foi perfeita, com vento na medida certa, proporcionando um passeio confortável e prazeroso e sem espantar as crianças a bordo. O motor acabou servindo apenas para testemunhar que um barco a vela é feito para velejar. Virou um passageiro de luxo. Fui embora cansado, mas extremamente feliz, pois foi minha primeira velejada no barco com o fundo limpo e as velas novas, e principalmente com a presença do meu irmão.

MYSTIC orçando, sem destino.

O dia estava lindo!!!

Um belo cenário, para uma bela velejada.

Por do sol na Estrada Froes, com o Rio de Janeiro ao fundo.

Até a próxima MYSTIC!!!!


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