domingo, 30 de setembro de 2012

DIA DE AJUDAR OS AMIGOS

No último sábado, atendi uma convocação do meu amigo Ulisses e uni o útil ao agradável: fomos levar seu veleiro - o Coronado, do Portogalo para a Marina Verolme, onde o barco foi docado para pintura de fundo e polimento do costado.

Para a empreitada, além do comandante Ulisses e eu, foram escalados nosso amigo Luciano Guerra - nativo da Ilha Grande e comandante do veleiro Araiti e o Chico, da Metalúrgica FOCH - já que também pretendíamos tirar o leme para trocar as buchas do eixo e não há ninguém mais qualificado que o Chico pra isso. A Marcela (esposa do Ulisses) também fez parte da trip, porém, responsável pelo apoio em terra, ou seja, ela nos deixou em Portogalo e foi de carro nos buscar na Verolme.

Acompanhe como foi a faina através da narração das fotos abaixo:


Saímos de Niterói às 6h30 para chegarmos cedo em Portogalo e logo zarparmos rumo ao Verolme. Na foto acima, o Coronado em sua vaga no Pier. Note as algas no leme do barco.

Chico esperando para embarcar

Mal safamos o enrocamento de entrada do Portogalo, tratamos logo de içar as velas, pois o dia lindo e o vento generoso que já soprava aquela hora da manhã nos convidava para uma velejada inesquecível.

Ulisses e Chico. Essa dupla tem muito história pra contar! (rs)

Vento E de 15 nós e excelente clima a bordo. Não há nada melhor do que uma velejada entre amigos! Na foto acima, Luciano a BE, eu no leme e o Chico a BB. Aproveitei a velejada e levei meu tablet, para testar o Navionics - um aplicativo que certamente vai substituir os chartploters nos barcos. Nele verificamos uma velocidade média acima de 6 nós (com casco sujo).



Pouco mais de 1 hora depois de zarparmos de Portogalo, chegamos à Marina Verolme.

O Coronado, já atracado ao pier da Marina Verolme, aguardando a maré encher para iniciarmos a faina de retirada do barco da água. Não sei quanto o Ulisses está pagando por essa brincadeira, mas nesse momento percebi a alta qualidade no atendimento da Marina.

O Coronado já fora d'água, sendo levado pelo travel lift para a área de reparos da Marina. Lembra da primeira foto (acima), com o leme todo cheio de algas etc? Nada como uma boa velejada, acima dos 6 nós para dar uma limpada parcial no casco! (rs)

Realmente, a estrutura da Marina é muito boa! Com o travel lift não é preciso, sequer, tirar o back stay do barco e seu transporte é feito com muita segurança e sem solavancos por corredores largos, num ambiente limpo e organizado.

O Coronado pesa exatas 4 toneladas (sem o Ulisses a bordo - rs)

Outro detalhe digno de registro: O barco só foi liberado para início do serviço por volta de 15h30 do sábado. Quando a maioria dos profissionais já estariam dando alguma desculpa pra irem embora e deixarem o início das atividades para 2ª feira, a turma do André (profissional contratado para o serviço) caiu pesado no trabalho, para adiantar ao máximo a estadia do barco em seco.

Enquanto o pessoal já raspava e lavava o fundo do Coronado, o Ulisses e o Chico subiram a bordo para soltarem o leme, enquanto eu e o Luciano... bem, alguém tinha que ficar de stand by se precisassem de alguma ajuda extra. (rs)

Não é fácil ser esposa de velejador fissurado. A Marcela merece um prêmio!!!



É isso aí, pessoal!!! Depois eu posto as fotos do final da "operação".

Aliás, essa aventura também pode ser acompanhada no próprio Blog do Coronado.

www.aventurasdocoronado.blogspot.com.br



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

DE VOLTA À TAPERA


Olá pessoal!


Final de semana passado foi de passeio em Angra.

O amigo leitor deve até achar a história meio monótona, já que partimos do clube (ARMC) e acabamos indo novamente para o Sítio Forte. Só que desta vez fomos para outra praia, dentro daquela mesma enseada: a da Tapera, onde fica o Bar da Telma. A história é legal e com retoques de agitação. Leia até o final que você não vai se arrepender. (rs)

A semana cansativa, com muito (muito mesmo) trabalho, pedia um finalzinho de semana no paraíso sem muitos afazeres. O que eu queria mesmo era descanso e poder nadar com meu filhote nas águas calmas da Ilha Grande. Fazia mais de 1 mês que não visitávamos o barco em Angra, pois este é um período do ano em que temos uma série de compromissos e os passeios acabam ficando em segundo plano. Havíamos combinado com nossos parceiros de sempre - o Ulisses e a Marcela, do veleiro Coronado, de irmos para o Saco do Céu, onde encontraríamos com o Luciano (veleiro Araiti), no restaurante do seu tio, Cadiquinho. Conversando com outro amigo, o Mario Grillo, do veleiro Taormina, soube que ele estaria levando seu barco para Angra na 6ª feira e que passaria uns dias passeando pela região. Não combinamos nada de específico, a não ser da possibilidade de nos encontrarmos em algum destino. 

A já tradicional foto do Mystic chegando ao Sítio Forte,
com a Praia da Tapera ao fundo
A semana foi transcorrendo e, acompanhando a evolução da previsão do tempo para o final de semana, constatei a chegada de uma frente no domingo de tarde. O percurso de ida do ARMC para o Saco do Céu é uma velejada para E, passando por um estreito formado pelo continente e a Ilha dos Macacos. Com a volta programada mais ou menos para o mesmo período da chegada da frente fria, sabia que naquela passagem poderia pegar o SW da frente canalizado e pela proa, o que deixaria o retorno do passeio arriscado e cansativo. Conversando com o pessoal, acabamos decidindo ir para o Sítio Forte mesmo, pois meu retorno (e do Mário) para o clube seria com vento de alheta e o Ulisses e o Luciano retornariam com vento de popa.

Almoço a bordo
Como sempre, chegamos eu, minha esposa e nosso pequeno, sábado no ARMC, próximo à hora do almoço e, sem perder tempo, fomos logo para o barco. Arrumei rapidamente tudo, subi a mestra e zarpamos. Dessa vez, resolvemos não perder tempo almoçando no clube. A idéia era almoçar a bordo, durante a travessia. Para o cardápio teríamos panquecas de carne (dessas que se compra pronta) pra mim e pra Renata e papinha de estrogonofe para o Gustavo. Foi a primeira vez que testamos o forno do Mystic.

Saímos com um belíssimo sol e temperatura extremamente agradável. O vento estava muito fraco de E, o que nos fez motorar durante toda a travessia. O Mário me ligou, avisando que já estava em Sítio Forte, almoçando no Bar do Lelé e combinamos de nos encontrar mais tarde no bar da Telma.. O Ulisses estava finalizando os preparativos para zarpar de sua base, em Portogalo e o Luciano, não consegui contato. Aliás, tentei durante todo o final de semana e não consegui encontrá-lo. Foi uma pena, pois fez falta no nosso encontro.

A galera, no Bar da Telma
O Bar da Telma (que na verdade chama-se Recanto dos Maias) não tem a infra-estrutura do Bar do Lelé, por exemplo, mas considero um lugar muito mais aprazível, menos cheio e mais frequentado por velejadores, além de um atendimento quase familiar, com comida deliciosa. Pra quem puder ir lá um dia, não deixe de pedir uma Lula empanada e um Leite da Macaca - drink a base de coco e canela.

Passamos o resto da tarde e noite jogando conversa fora até que a bateria do pequenino acabou e o sono também nos tomou de assalto. Fui dormir logo, pois estava ansioso pelo dia seguinte para nadar com o Gustavinho.

O dia seguinte amanheceu com sol e uma leve e gelada brisa de SW. Fomos tomar café da manhã a bordo do Coronado e nos preparar para desembarcar na praia. Conversando com o Ulisses, ele comentou que na noite anterior havia um grande halo em volta da lua.

Café da manhã no Coronado
Nas palestras que já assisti sobre meteorologia, aquele seria um dos sinais da aproximação da frente. Infelizmente meu banho de mar com o Gustavo teve que ficar para uma outra oportunidade, pois o tempo começou a fechar, o vento parou e o clima ficou meio abafado - todos indicativos que o vento pré-frontal estava se aproximando. Resolvemos todos suspender e retornar para nossos clubes, antes que a frente chegasse.

Ajeitei o Mystic mais ou menos para poder tocar o barco com conforto e segurança, caso o vento entrasse e nos pegasse no meio do caminho. A verdade é que largamos a poita da Telma já sob as primeiras rajadas do pré-frontal. Tanto o Mystic quanto o Taormina partiram a motor, sem velas armadas e antes mesmo de sairmos da enseada do Sítio Forte, o SW já soprava vigoroso fazendo carneirinhos ali dentro como nunca tinha visto. O Mario optou por continuar motorando em seu retorno ao clube e eu, reduzi a marcha do motor para menos da metade (para continuar carregando a bateria) e abri uma "cuequinha" de genoa, de mais ou menos 1 metro. Com essa configuração, meu Fast 310 com fundo recheado de cracas (afinal, acabei não mergulhando, lembra?) andava mais ou menos o mesmo que o Delta 26 do meu amigo.

O vento já soprava forte e produzia borrifos, então resolvemos levar o Gustavo para dentro da cabine, mas alguns minutos depois, a Renata voltou com ele para o cockpit, ficando na entrada da cabine, pois achamos que ele ficou meio "murchinho", dando indícios que poderia estar mareando. Eu arriscaria dizer que o vento soprava acima dos 20 nós, com algumas rajadas beirando os 30. O mar levantou incomodamente e algumas marolas estavam estourando. No meio do caminho, já sem a proteção de qualquer ilhota, a combinação vento/ondas deixou a velejada bastante desconfortável, com o barco balançando muito e sacrificando bastante o leme. Procurei usar de toda minha experiência (que não é muita) para não forçar o governo do barco e surfar algumas ondinhas. Nosso anjinho, ao sabor de todo aquele turbilhão, pegou no sono, no aconchego do colo aquecido da mãe. Uma cena linda de ver.

Chegamos ao Clube no momento em que o vento praticamente parou, o que, pra nossa sorte, foi bom, pois facilitou bastante a aproximação e amarração do barco em sua poita. A parte ruim foi que, com o pré-frontal tendo passado, a chuva veio na sequência e nos pegou no exato momento em que deixávamos nosso querido Mystic no seu lar. Tirei meu casaco de tempo e o enrolei no pequenino e ainda abracei  mãe e filho, tentando protegê-los um pouco. Mesmo molhado, estava feliz, pois tudo correu bem e o barco aguentou firme e seguro as intempéries.

Agora é reagendar nosso passeio para o Saco do Céu, antes de fazer a travessia de volta à Niterói, onde pretendo realizar algumas manutenções no barquinho.

Até a próxima!

Desbravando novos cantos do barco

Bar da Telma
MYSTIC na Tapera

Não basta ser pai. Tem que participar

A Marcela é uma excelente cozinheira
O botinho surfava as marolas

Não faltou vento para o retorno ao clube

O vento levantou o mar

domingo, 8 de julho de 2012

[OFF TOPIC] RESPEITO É BOM E EU GOSTO

Como boa parte dos brasileiros, adoro esportes. Além da vela, amo o surfe (esporte que pratiquei intensamente por quase 18 anos), jogava uma pelada de vez em quando, um vôlei, gosto de assistir Fórmula 1 e aprecio as lutas de MMA.

Independente do esporte e do grau de competitividade de cada um, sempre julguei fundamentais a humildade e o fair play na disputa de qualquer competição. Na minha opinião, o jogo de nervos como estratégia para desestabilizar um adversário tem que ser praticado com muito cuidado e, principalmente, respeito.

Há 2 anos, um senhor norte americano chamado Chael Sonnen vem se valendo dessa estratégia de provocação para, primeiro, conseguir notoriedade suficiente para se credenciar a desafiante ao título de campeão dos pesos médios do UFC, já que considero duvidosas suas qualidades enquanto lutador de MMA. Segundo que um cara que já foi pego em exame antidoping, ou seja, é um drogado assumido, nunca deveria receber uma segunda chance num esporte que hoje adentra milhões de lares em todo o mundo (onde está o exemplo para as futuras gerações?) e, por fim, já que escolheu tal expediente como estratégia de luta, que pelo menos mantivesse o respeito e, mais, não envolvesse toda uma nação na sua estratégia doente de combate.

Bem, acho que o Sr. Sonnen perdeu um precioso tempo em que poderia estar treinando e estudando seu adversário - Anderson Silva, com ataques tresloucados, desreipetosos e descabidos. Deu no que deu! Sofreu uma derrota humilhante, com direito a ser finamente ridicularizado na entrevista concedida por nosso herói, Anderson Silva, ainda no octógono.

Obrigado Anderson! Você não defendeu somente seu título e sua honra. Você honrou todos os brasileiros que foram atacados por esse imbecil. E você fez da melhor maneira possível: dentro do ringue e de acordo com todas as regras, sem desrespeitar ninguém.

Essa noite vou dormir feliz!

Até a próxima.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

REGATA CHICO MENDES

Olá Pessoal!!!

Neste final de semana refizemos um passeio diferente. Para aqueles que não sabem, meu primeiro veleiro cabinado foi um Ranger 22 - comprado em sociedade com um amigo com o propósito de corrermos regatas. Sempre participamos ativamente das regatas da Classe Ranger, com especial interesse em algumas bastante tradicionais.

A Regata Chico Mendes é uma dessas especiais, por dois motivos: ela homenageia o saudoso Chico Mendes, velejador da Classe desde sempre, cartola e grande incentivador do esporte. O outro motivo é a programação diferente deste evento. A regata é disputada largando das proximidades do ICJG, na Ilha do Governador (um grande bairro do Rio de Janeiro), com chegada na bucólica Ilha de Paquetá, no fundo da Baía de Guanabara. Lá, na noite de sábado, após a regata, é realizado um Queijos & Vinhos de confraternização e em seguida podemos pernoitar a bordo de nossos barcos, na calma e segurança do Paquetá Iate Clube.

Dominus e Araiti, vistos de bordo do Taormina
Este ano, como estou com filho pequeno, deixamos de participar da regata e decidimos ir diretamente para a ilha. Vários amigos, rangeristas ou não, combinaram de se encontrar lá e a empolgação era grande. De Niterói, partiriam em comboio o DOMINUS (meu Ranger 22), o ARAITI (Velamar 31 do comandante Luciano Guerra) e o Delta 26, TAORMINA, do comandante Mário Grillo. Eu passei as últimas semanas preparando o barco, a fim de que nada desse errado, inclusive mandando limpar o carburador, troca de velas, revisão e regulagem do motor de popa do Ranger - um Mercury 8hp. Coloquei umas capas novas que havíamos encomendado para o estofamento do barco, fora a reforma da genoa, feita recentemente pelo Arnaldo, da Cognac Velas.

É... Não deu.
Muito bem, ... barco abastecido; todos a bordo; zarpamos do PCSF pouco antes das 13h, para uma travessia de aproximadamente 11 MN. Com pouco mais de 200 metros navegados, meu querido 8hp deu suas primeiras tossidas e 50 metros depois apagou. Experiente azarado que sou, não me abalei com o percalço, afinal haviam dois companheiros que poderiam me rebocar sem problemas. Meti a mão na cordinha e duas puxadas depois ele já estava empurrando o Dominus novamente, ainda que sob protestos, na forma de tossidas, engasgadas e perdas de aceleração. Eu, mais interessado na farra que meu pequeno tripulante fazia e nas fotos que estava fazendo, simplesmente ignorava aquele ser. "Se quiser reclamar, vai falar com o Murphy!!!" - pensava eu.

... mas "vamo que vamo"!!!

A passagem por baixo da Ponte Rio x Niterói marcou, aproximadamente, o meio da viagem e, também, a revolta definitiva do motor. Prontamente o Luciano jogou um cabo de reboque para mim e o Dominus completou sua travessia rebocado pelo Araiti.

O dia estava lindo e a Baía de Guanabara, a despeito de toda poluição, continua linda. Mas, conforme o Luciano muito bem apontou, o modelo de progresso escolhido pelo homem acabará com tudo isso num futuro não muito distante. Pra qualquer lugar da Baía que olhávamos, lá estavam os terminais portuários ou petrolíferos, os estaleiros, as plataformas tampando a visão do Pão de Açúcar e uma infinidade de navios de apoio a exploração de petróleo. Lamentável. Por outro lado, foi com uma alegria enorme que vimos alguns golfinhos passeando entre os monstros de aço.

O Pão de Açúcar (ao fundo), ofuscado pelo "progresso"
Chegamos a Paquetá próximo das 15h, cheios de fome. Fui recebido pelo amigo Marcial Ávila, a quem joguei o cabo de amarração e atraquei ao lado do seu Brasília 32, MIXUCA. O Marcial, sempre ele, ainda me recebeu com um copo de cerveja e assim, iniciei os "trabalhos" do final de semana. Sentamos em outra mesa e almoçamos duas travessas de risoto de frutos do mar e outras duas travessias de filé de peixe ao molho de camarão. Aos poucos o pessoal da regata e outros participantes foram chegando e a social foi crescendo na varanda do Paquetá Iate Clube.

Social de fim de tarde, enquanto aguardávamos o almoço

Algum tempo depois, o Filipe chegou com seu catamarã Praia 30 e fomos apresentados (nos conhecíamos somente pelos grupos do Yahoo). Vendo aquele figurão magrinho, lembrei logo do Luciano, catando alguém para subir no mastro do Araiti, para trocar (ou desengripar) a roldana da adriça da mestra. Se não aparecesse ninguém mais magrinho que meus 74kg (estou de dieta e já emagreci 7kg - quanto arrependimento!!! rs), já havia me comprometido a encarar a faina. Fomos lá e o Luciano:

- Quanto você pesa, Filipe?
- 76kg. - respondeu ele.

O resto da conversa não importa. Me ferrei. (rs)


Casa cheia, fartura e muita animação
A noite foi maravilhosa! Temperatura agradável e um farto Queijos e Vinhos com minha família e cercado por amigos! Como do salão até meu barco eu tinha certeza que não haveria nenhuma blitz de Lei Seca, nem seria necessário dirigir nada além de minhas finas canelas, a única coisa que ficou seca mesmo foram as garrafas de vinho. Ao final da festa eu nem estava tão ruim assim, mas uma desequilibrada na beira do cais foi a senha para meus algozes amigos sentenciarem que eu estava pior do que bambu verde em dia de ventania:

- Olha a rajada!!! Joga o ferro, Lauro!!! Escora Renata, que o comandante tá perdendo o leme!!!

Após uma boa noite de sono, acordei com a voz do Luciano do lado de fora do barco resmungando que eu ainda não havia acordado. Levantei bem, porém um pouco cansado - sinal que a noite foi divertida e que o vinho era de qualidade. Tomamos um ótimo café da manhã, patrocinado pelo Araiti, mas que foi servido na varanda do clube. Terminado aquele momento de prazer gastronômico, fui praticamente arrastado para bordo do Araiti, onde o Luciano, com a ajuda do Samuel Gonçalves e seu irmão - Jônatas, do R22 SET POINT¨, me vestiram uma cadeirinha de escalador e me içaram ao topo do mastro do Araiti. Só faltou o cara gritar lá de baixo que eu só sairia dali quando terminasse o dever.

O fato é que estava um sol de rachar e já fazia um calor considerável. Some-se a isso o esforço que fiz para escalar os 11 metros de mastro do Araiti, a bendita cadeirinha apertando meu estômago e estava traçado o ambiente que eu teria que trabalhar. Lá pelas tantas, comecei a sentir um pequeno enjôo. Olhei pra baixo e os três estavam ouvindo musiquinha, no maior papo animado. Gritei pro Luciano que não aguentaria ficar muito mais tempo lá em cima.

O lado bom de ter de subir no mastro é a paisagem que se vê lá de cima. Pena que não havia levado a máquina fotográfica. Olhando para o meu querido Ranger, ainda deu tempo de ver uma lancha manobrando para sair do cais e, claro, se enroscando no cabo da minha âncora. Devia ter reclamado, pois pior do que se embolar com o cabo do Dominus, o lancheiro, como lhe é peculiar, saiu acelerando tudo e as marolas sacudiram o Araiti freneticamente, turbinando meu enjôo.

Após trabalhar mais uns 10 minutos, não aguentei. Virei pra baixo e avisei:

- Luciaaaano!!! Meu enjôo tá piorand..... RAÚÚÚÚÚÚL!!! RAÚÚÚÚÚÚL!!!!!

Agora tô bem!!!
A cena foi cômica. Três marmanjos correndo do convés e quase se jogando no mar. O barco vizinho tentando fechar a gaiúta entre uma golfada e outra e lá se foi meu Queijos & Vinhos versão 2012 da Regata Chico Mendes. As pessoas na varanda olhando aquela cena incrédulas e a cara do Luciano após olhar o convés (e a cabine) do seu querido barco foi uma cena impagável. (rs)    Eu? Passou o enjôo e terminei o serviço tranquilamente, enquanto os caras limpavam a latrina que aquele barco se tornou.

Bem, passado o relato da brincadeira, é óbvio que fiquei sentido do estrago que causei. O Luciano é um cara muito legal e que sempre me ajuda (e muito) nas manutenções que sempre faço no MYSTIC (meu Fast 310). Eu queria muito retribuir tudo que ele já fez por mim, mas acho que aumentei minha dívida. DESCULPE LUCIANO!!!!!

Passado o episódio do mastro e após um banho revigorante. já era hora de retornar. A maioria dos barcos já haviam partido e ainda tínhamos 11 MN pela frente. As meninas foram a bordo do Ranger (por que será?) e eu fui com o Luciano a bordo do Araiti. O barco já estava limpinho e cheiroso e retornamos ao som de Metallica, dando gargalhadas do final de semana que passamos juntos.

Estamos programando nosso próximo passeio para o Saco do Céu, na Ilha Grande, assim que o Araiti retornar para sua casa, na Vila do Abraão.

Até lá!!!!
Araiti saindo de Niterói

Taormina, do comandante Mario Grillo


Tripulante
Relógio da Mesbla. Marco de chegada de Paquetá 

Os barcos no Paquetá Iate Clube

A turma de Niterói, com uniforme do Araiti

Café da manhã




sexta-feira, 1 de junho de 2012

SÍTIO FORTE

Olá pessoal,

Após algumas semanas de chuva aqui no RJ, aproveitamos a previsão de sol para o último final de semana e partimos para Angra novamente. O destino ainda foi o nosso tradicional e preferido: o Sítio Forte.

Em relação ao último passeio, não há grandes novidades, já que praticamente repetimos o último roteiro, pois achamos que encontramos a melhor logística para curtirmos o final de semana que é chegar ao ARMC no sábado, por volta da hora do almoço e, enquanto eu pego o barco na poita e o levo para o cais para abastecer de água etc, a Renata vai pedindo nosso almoço no restaurante. Assim, deixamos para partir no meio da tarde e chegamos ao Sítio Forte ao entardecer.

O Mystic no Sítio Forte
Neste final de semana, apesar da previsão de sol, o vento seria frio e de NE. Pois bem, zarpamos do clube com uns 15 nós+ de vento S/SE, que significa vento praticamente na cara para nossa travessia rumo à praia de Ubatubinha. Antes mesmo de chegarmos ao canal, demos de cara com um mar com bastante marolas e alguns carneirinhos, que deixaram a travessia bastante desconfortável e um pouco molhada, por causa de algumas ondas mais salientes que batiam no costado do Mystic. Com o fundo do barco parcialmente raspado na semana anterior e o vento contra, nossa velocidade, sem forçar o motor, era de pouco menos de 4 nós. Resolvi, então, abrir um pedaço da genoa e vejejar um pouco arribado, sem contanto, tirar o conforto da almiranta e do meu pequeno. Logo, passamos a velejar a quase 5 nós, com um VMG em torno de 4,5 nós. Ao longo da travessia, conforme nos aproximamos da Ilha Grande, o vento perdia pista para levantar as marolas e, com isso, a velejada/motorada se tornou mais confortável.

O Coronado, do Ulisses e Marcela



Chegamos à ancoragem (restaurante do Lelé) por volta de 17h15, quase ao mesmo tempo que nosso companheiro de aventuras - o Coronado, do Ulisses e da Marcela. Eu ainda esperava a chegada de outro amigo, o André Lessa, do veleiro Verona II, que durante a semana disse que passaria o final de semana por lá.


André e seu Verona. Ao fundo, a pequena Ayla
brincando no botinho


Quando ele chegou, todos já estavam em terra, eu dando banho no meu pequeno e já com a mesa servida de um peixe assado com purê, porque ninguém é de ferro. (rs)Ainda curtimos um bom bate-papo, até que o vento frio nos expulsou de volta para o aconchego de nossos barcos. O vento, aliás, rondou para a pior direção possível naquele canto da praia: de NE.




Mal chegamos no barco, o Gustavo tomou sua mamadeira e emborcou lá na cama de proa. Em seguida deitei com ele e a Renata resolveu dormir num sofá da sala. O NE estava deixando o mar mexido no ancoradouro e a noite prometia ser desconfortável. Pra mim seria pior ainda, pois em condições como essa eu procuro não dormir direto, levantando de tempos em tempos para conferir se o fundeio do barco estava ok.

O vento soprou a noite inteira, embora tenha diminuído um pouco por volta de meia noite. Felizmente o barco se comportou bem naquelas condições e pudemos ter um sono relativamente calmo. Logo às 7h nosso atleta acordou e tive que levantar. Ainda dei uma enrolada com ele pra Renata descansar mais um pouco, mas num ambiente confinado como um barco, isso é bem difícil. (rs)

O domingo amanheceu lindo, com o céu de um azul difícil de se ver na cidade grande. Não havia uma nuvem no céu e o vento havia parado. O clima estava frio o que afastou qualquer pretensão de um mergulho no mar. Preparamos, então, um belo café da manhã e convidamos nossos amigos para virem a bordo do Mystic. No cardápio havia bolo de laranja, queijo minas e prato, presunto, mortadela, pão de forma, pãozinho, suco de caju, leite e café. Um banquete!!! Peguei o botinho e fui buscar o Ulisses e a Marcela e no caminho, passei pelo Verona e chamei o André, a Eliane e a Ayla. Infelizmente a turma do Verona já havia tomado café, mas mesmo assim, foram a bordo conhecer o Mystic.

Café da manhã
Após uma aprazível manhã, já com as primeiras rajadinhas do NE começando a soprar, suspendemos rumo ao clube, juntamente com o Coronado, que partiu de volta a sua marina. O André saiu poucos minutos antes, mas foi dar um rolá pelas outras praias do Sítio Forte.

O retorno, tal como a ida, foi de contravento, mas pelo menos sem as incômodas marolas. Novamente abri a genoa para ajudar o desempenho do motor e não ser necessário forçá-lo. A travessia foi maravilhosa, sob um sol extremamente agradável e um clima bastante gostoso. O Gustavo, após brincar a manhã inteira, apagou e dormiu até nossa chegada. A Renata o acompanhou dentro da cabine e fiquei só no cockpit, novamente acompanhado dos meus pensamentos e daquela paisagem deslumbrante. Amarrei o leme com a proa em nosso destino e fui para o pé do mastro, curtir a travessia dali.

Como de praxe, chegamos ao ARMC por volta da hora do almoço. Guardamos o barco na poita e desembarcamos direto para o restaurante, onde almoçamos, antes de pegar a estrada de volta. Olhei para o barco e percebi que ele está bem sujo. muito provavelmente nossa próxima ida à Angra será para dar uma faxina geral no Mystic, afinal ele merece!!!


Os já tradicionais anfitriões da Praia de Ubatubinha

Curtindo um solzinho

Trocando a fralda

Mystic e seus convidados

Estacionamento na porta do Mystic


Até a próxima!!!