domingo, 22 de janeiro de 2012

DESGRAÇA POUCA É BOBAGEM

Olá amigos,

Ainda que esta história não esteja ligada ao MYSTIC, acho que é um bom "causo" (e verídico) para contar pra vocês, pois, de toda minha experiência com barcos, segundo meus amigos, esta é a passagem mais engraçada de tudo que já vivi no mar.

Era véspera do reveillon de 2007 para 2008 e eu possuía um Brasília 27-S que comprei em 2006 para reformar, diga-se de passagem, sem motor. Para aquele reveillon, um grupo de amigos, cada um com seu barco, havia combinado de passar a virada do ano na enseada do Sítio Forte, na Ilha Grande e eu estava muito empolgado com a idéia, afinal, tudo aquilo era novo pra mim e algo que eu acalentava há muito tempo.

O Tuiú, após a reforma
 Ao longo do ano de 2007, reformei o barco e, dentre outras coisas, comprei um motor de centro usado e o reformei completamente. Na sequência, contratei um "mulambo" (que nem vale a pena citar seu nome aqui) para instalar o dito cujo, mas o cara só fez M...

A moral da história, é que a obra só ficou pronta na véspera do Natal e eu precisava, desesperadamente, levar o barco para Angra.

Mal imaginava o que estava por vir.

Antes de continuar o relato, é importante registrar que sempre me achei um cara meio azarado e que as coisas materiais conspiram contra mim. Se é verdade ou não, cada um que tire a sua conclusão, mas que naquele reveillon a Lei de Murphy dormiu abraçada comigo, ahhh dormiu!!! (rs)

Naquele mês de dezembro, após o final da reforma, recrutei dois amigos para levar o barco comigo: O Eduardo Petersen e o Gustavo Sampaio. Como de costume, zarpamos durante a noite e a motor, já que nessa época do ano não venta muito de madrugada, na costa do Rio de Janeiro. Particularmente, estava feliz, pois os planos estavam se concretizando e estava rumando para o paraíso da Ilha Grande.

Já alta madrugada, durante meu quarto de leme, eu refletia que apesar de todos os pesares, o motor estava funcionando honestamente, apesar de todas cagadas que o Jamilson (pronto! Falei!!!) fez durante a instalação. Não se passaram 10 segundos e o giro caiu e o motor apagou. Pior! O Gustavo sai lá de dentro dizendo que o chão da minha cabine - aquele com tapetinho novo e todo limpinho, estava ensopado de óleo.

Resumindo, velejamos o resto da madrugada a 1 nó de velocidade. Já de manhã, de saco cheio de boiar, resolvemos tentar ligar o motor que, sem motivo aparente, voltou a funcionar. Completamos a viagem.

Praia da Tartaruga, base do Tuiú em Angra
Na semana seguinte, que já era a da virada, deixei minha esposa na praia, junto com o pessoal, enquanto fui para o barco (que estava numa poita em frente) dar uma limpeza geral. Enquanto eu limpava, um amigo que esquiava ali perto, deixou uma bóia dessas de esquiar amarrada a contrabordo do Tuiú.

Terminada a limpeza do interior, passei para o convés e, enquanto esfregava, achei uma antena de VHF. Imediatamente fiz sinal pro Zeca e gritei:

- Você esqueceu sua antena de VHF aqui!!!
- Não!!! A minha está aqui!!! - respondeu ele.

Olhei pra cima e bingo!!! Minha antena de VHF havia caído. Muito do pau da vida, peguei meu botinho zero km que estava estreando, para ir até a praia buscar minha esposa pra me ajudar a subir no mastro. Dei a primeira puxada na cordinha do motor, a segunda, terceira, décima e ele não pegou. Cuspindo marimbondos, tive que remar até a praia.

Na hora de retornar ao barco, cadê o remo? Sumiu!!! Ninguém havia passado por ali, a maré não subiu, ... sei lá!!! Voltamos para o barco com somente o outro remo do botinho e terminei o serviço.

Tuiú na Ilha de Itanhangá

Nossa programação era zarpar da Praia da Tartaruga no dia 29/12, pernoitar na Ilha de Itanhangá e chegar ao Sítio Forte no dia 30/12 e assim o fizemos. Partimos eu, minha esposa, o Gustavo e a namorada dele e fizemos um belo passeio pela região até a Ilha de Itanhangá.

Chegando lá, mortos de fome, chamei o restaurante dali no rádio e perguntei pelo cardápio. Tudo, até o mais simples dos bifinhos, custava uma verdadeira fortuna. Resolvemos, então, cozinhar a bordo. Ligamos o gás e começamos a esquentar uma água para fazer uma macarronada, mas acabou que não deu nem pra fazer um chá, pois o gás acabou e tivemos que comer mesmo foram sanduíches frios pelo resto do dia.

Na manhã seguinte, após uma noite pessimamente dormida por causa do balanço
 
Chegando no Bracuhy
causado pelas lanchas que passam  por ali em direção ao Porto Frade, partimos em direção ao Bracuhy, onde comprei um novo botijão de gás e almoçamos muito bem no restaurante Bowteco. Felizmente ali tudo deu certo.

Zarpampos logo após o almoço, com destino à Ilha Grande. O vento estava generoso e a velejada foi excelente até o canal entre a Ilha da Gipóia e o continente. Ali, devido ao vento contra e o grande movimento de lanchas, que levantavam muitas (e grandes) marolas, resolvemos ligar o motor. A idéia era desligá-lo assim que nos livrássemos daquela confusão.

Bem no meio do canal, o giro do motor deu uma diminuída e o Gustavo resolveu checar. Lembro-me da cara dele como se fosse hoje, quando botou a cara pra fora da cabine e falou:

-  Cara, seu motor tá parecendo um chafariz!

MOLD MD-10 11HP - A fonte de todo problema
 Não deu tempo nem de fazer cara de susto. O motor parou de vez e não havia Santo que o fizesse funcionar.

Deprimido e já querendo desistir de tudo, o Gustavo ainda me deu forças pra continuar:

- Lauro... O barco é à vela!!! Além do mais, ficaremos no Sítio Forte até o dia de ir embora, quando podemos voltar velejando, ou arrumamos um reboque com um dos amigos.

Após incontáveis bordos, finalmente chegamos ao vento limpo e, numa orça folgada, aproamos em direção ao nosso destino.

Como o barco velejava bem adernado, minha esposa me pediu para eu recolher um biquini que estava amarrado no guarda mancebo de sotavento e que poderia cair. Partidário da teoria de "uma mão para se segurar e outra para fazer o serviço", fui tentar pegar a roupa. Nem preciso dizer que, assim que soltei o biquini do guarda mancebo, uma marola mais saliente me desequilibrou, me enrolei com o pregador e lá se foi a peça pra dentro d'água. Ele ainda ficou boiando e por isso voltamos para buscá-lo, mas quando minhas mãos estavam a poucos metros do famigerado biquini, ele simplesmente afundou.

A velejada prosseguiu sem maiores incidentes (se é que dá pra dizer isso) e o fim de tarde já nos alcançava. Naqueles momentos de tranquilidade, aproveitei e telefonei para o André, que já estava no Sítio Forte, em uma poita e o avisei que, caso não achasse uma poita para o Tuiú, ficaria a contrabordo dele. O receio era que, caso entrasse um vento que arrastasse a âncora do Tuiú, não teria um motor para me safar. Então, ...

Continuando minha saga, na entrada do Sítio Forte o vento morreu de vez. Sem vento e sem motor, definitivamente não pretendia passar a noite por ali. Num surto de raiva, olhei praquele motorzinho pendurado no botinho que até então rebocava e pensei: "desgraçado, vai ser agora que você vai funcionar, senão te afundo aqui mesmo!!!" Pulei no botinho e comecei a puxar a cordinha freneticamente, sob o olhar perplexo de meus tripulantes. Após umas 15 puxadas, algumas gotas de suor perdidas e muitos xingamentos, meu querido Mercury 3.3 compreendeu os riscos que corria e resolveu colaborar.

Tuiuzinho - Palco da minha cena de Superman
 Não conseguindo puxar o barco com o botinho, não me restou outra alternativa senão empurrá-lo, mas a cena que se sucedeu era, no mínimo, ridícula. Como não dava pra encostar a proa do bote na estrutura que suporta a plataforma de popa do Tuiú, não me restou outra alternativa senão adotar uma posição meio que de superman, e com uma mão segurar a plataforma e com a outra timonear o motorzinho. Imaginem a cena? Chegando ao Sítio Forte lotado de barcos que nem super-homem?

Já era noite quando nos aproximamos do fundeio. Havia muitos barcos e não dava pra ver o Caiçara (barco do André), nem seria muito prudente ficar zanzando no meio da galera naquelas condições. Deixei o Tuiú a deriva ao largo e fui com o botinho procurar o Caiçara. Encontrando meu destino, encostei no bordo dele e fui explicar o ocorrido pro André. Não havia percebido que estava em frente à boca de saída da bomba de porão do barco dele. Não preciso nem dizer que, claro, a bomba armou exatamente naquele instante. O que levei no peito é impublicável.

Completamente "cagado", retornei para buscar o Tuiú. Entrando no fundeio, sob o olhar curioso, incrédulo e enojado de meus futuros vizinhos pelos próximos 3 dias, encontrei uma poita que acabara de ser liberada e ali amarrei o Tuiú. Já eram quase 23h e eu estava esgotado, com fome e profundamente decepcionado, por tudo que já havia acontecido. Meu amigo Gustavo novamente atuou como psicólogo e tratou de elevar meu moral, pois, segundo ele, já estávamos ali; era reveillon; nossos amigos estavam todos lá e agora era só diversão e que só deveria me preocupar com isso somente dali a 3 dias. Concordei.

Me limpei como deu e fui desembarcar o pessoal para ainda tentar jantar no Lelé (onde passaríamos a virada). Primeiro as damas. Levei as moças pra terra e quando retornei, o Gustavo estava com duas latinhas de cerveja estupidamente geladas. Ele pulou no bote e ao nos afastar do Tuiú, fizemos um brinde. Ele meteu a mão na latinha, abriu e tomou um merecido gole. Sem titubear, meti a mão na minha latinha e plact! O lacre saiu na minha mão! Meus olhos marejaram na hora. Olhei para o Gustavo e ele, tentando segurar o riso, não sabia o que me dizer.

Restaurante do Lelé, onde aconteceu o reveillon
Em terra, chamamos a garçonete e pedimos um peixe frito. Já era quase meia noite e ouvimos, lá de baixo, a bronca que o Lelé deu na menina:

- Desce lá e avisa que o restaurante já fechou!!!

O próprio Lelé desceu e nos avisou, mas, ao ouvir nossa história, se sensibilizou e fritou um peixino rápido pra gente.

O dia 31 transcorreu bem, apesar das sacanagens sofridas. Murphy somente reapareceu na hora da passagem.

Faltavam 15 minutos para a grande virada. Os comandantes já se alinhavam na mureta para a explosão de seus respectivos champagnes. Preocupado que algo desse errado, eu antecipei a retirada do lacre da minha garrafa. Puxei a rolha mais pra beiradinha do gargalo e dei uma leve sacudida. Na contagem regressiva, já não importava mais se estourasse a rolha antes, afinal, o que são 5 segundos de diferença?

- Cinco! - Eu sacudi freneticamente a garrafa.
- Quatro! - Continuei sacudindo e comecei a empurrar a rolha para fora.
- Três! Dois! Ummm! - Nada da rolha sair!!!
- EEEEEeeeeeeee!!!!!! Os fogos pipocavam! O champagne jorrava! Os casais se abraçavam e eu, já com a rolha na boca, tentando arrancá-la da garrafa.

Talvez uns 40 segundos depois, consegui arrancar a desgraçada. O champagne deu uma jorrada meio brocha e, sob a gargalhada geral, servi minha esposa.

Fotos? Esqueçam! Pois o computador onde salvei as provas de toda a minha desgraça deu pau e perdi tudo. (rs)

E foi assim que 2007 se foi.
O ano de 2008 começou mais promissor. Após alguns dias de sol, calor e uma estadia agradabilíssima, chegava a hora de ir embora. Voltando para a Praia da Tartaruga sendo rebocado pelo Eduardo Petersen, bem no meio do canal entre a Ilha Grande e o continente, não é que encontramos um remo idêntico ao que havíamos perdido? A peça era tão nova que parecia a nossa mesmo!

E assim acabou aquele inesquecível feriado. Aproveitei as férias e saquei o motor do barco e o reformei novamente. Ele nunca mais me deixou na mão.

Bons Ventos!!!




domingo, 15 de janeiro de 2012

A PRIMEIRA TRAVESSIA A GENTE NUNCA ESQUECE

"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver."

Amyr Klink

Eu estava lá!!! E pude ver, eu mesmo, como é bonito o nascer do dia no mar.

O GRANDE DIA

Era 00h30min da madrugada de sábado (14/01) quando, finalmente, o MYSTIC deixou sua poita em Niterói rumo à Angra. Durante aqueles primeiros minutos da travessia que apenas havia começado, vi passar um filme em minha mente, desde a compra daquele veleiro abandonado na Marina da Glória, até aquele momento: todas as dificuldades com documentação, motor, disponibilidade de tempo para fazer o que tinha que ser feito, ...

O começo, um pouco tenso pela incerteza de que tudo correria bem pelas próximas 75 MN até o clube Marinas, em Angra, logo foi tomado pelo prazer e pela sensação indescritível de vitória ao olhar para aquela luz de navegação agora acesa, ao ronco suave e sem vacilos do motor e principalmente a cada rajada que empurrou o barco mar afora até seu destino.

A TRAVESSIA

MYSTIC rumando à escuridão do mar aberto

Passei a semana acompanhando e conversando com amigos sobre a previsão do tempo e do mar para a travessia. Não poderia ser melhor: mar calmo a favor e ventos do quadrante de N.

Para essa empreitada estava muito bem acompanhado do meu parceiro de sempre nas travessias, o Ulisses do veleiro Coronado (www.aventurasdocoronado.blogspot.com). Eu havia convidado outros amigos para a tripulação, mas infelizmente as desistências foram ocorrendo, principalmente pela dificuldade de conciliar a agenda de todos com a data da travessia.

Zarpamos do PCSF a motor, pois não havia vento dentro da Baía de Guanabara naquele momento. A maré ainda vazava, o que facilitou nossa saída da barra. Como sempre fazemos, já saímos com o grande içado para estabilizar o barco, mas não sem antes passar as forras de rizo, pois nunca sabemos o que teremos pela frente.
Ulisses "pagando" seu quarto de leme

Quando navegávamos já no través da praia do Leblon, começou a soprar uma brisa de N suficiente para desligarmos o motor. Não demorou muito e o vento refrescou, obrigando-nos a tomar uma forra na mestra. Como era o primeiro grande teste do MYSTIC, era madrugada e ainda havia muito mar pela frente, resolvemos adotar uma postura mais conservadora e decidimos rizar direto para a segunda forra. A genoa era uma 100% e não foi necessário diminuí-la. O barco, com o equilíbrio mantido, continuou velejando próximo dos 6 nós.

Nossa alegria não durou muito tempo, pois o vento logo minguou e tivemos que ligar o motor novamente. Seguimos com máquina numa média de velocidade de 5,5 nós, o que dava uma excelente previsão de chegada na Ilha Grande, por volta de 12h de sábado.

Algum tempo depois, navegando ao largo da praia da Barra da Tijuca, o vento N voltou a soprar com vontade. Nós prontamente abrimos a genoa e desligamos o motor. O MYSTIC novamente velejava, mantendo a média de velocidade sempre perto dos 6 nós. Pena que mais uma vez o vento não demorou muito e enfraqueceu. Para mim, isso não era mais problema algum, pois já confiava no motor e sem perder tempo, acionei o Control 48HP que equipa o MYSTIC e seguimos viagem.

O comandante, rindo à toa

 Já navegávamos na altura da Ilha de Guaratiba, entrando nas águas da bela Restinga da Marambaia, quando o vento N voltou a soprar. Mais uma vez abrimos os panos e cortamos o motor.

Até aquele momento tudo estava dando certo e a cada milha navgada, ganhava mais con fiança no barquinho. Éolo, então, resolveu botar o MYSTIC (e os nervos do comandante) à prova: o vento começou a soprar mais forte e cada vez aumentava mais. Honestamente, ... de forma conservadora, estimamos uns 20 nós constantes e algumas rajadas, talvez na casa dos 25 nós. Nesses momentos é que é bom se ter uma tripulação safa e de confiança. Não precisamos trocar mais do que duas palavras e mudamos a configuração do barco para poupá-lo de maiores esforços, afinal, nunca é demais lembrar que aquele era o primeiro teste de verdade do MYSTIC e o estaiamento, apesar do ótimo aspecto de bem conservado, tem pelo menos 7 anos.

Segurança acima de tudo
Com a mestra mantida na 2ª forra de rizo desde a primeira velejada da noite, enrolamos metade da genoa, regulamos a posição dos carrinhos da escota e soltamos um pouco o burro da mestra. O vento ainda era través, mas o mar ficou um pouco picado e passou a molhar o convés.

A tocada do barco também mudou, de forma a não forçar o leme e também defender a tripulação daquelas marolas mais salientes que insistiam em molhar o convés. A velocidade caiu e o MYSTIC passou a velejar na faixa dos 4,8 nós de média.

Algum tempo depois, o vento amenizou e simplesmente abrimos a genoa. A velocidade foi mantida e a velejada continuou prazeroza.

O vento se manteve constante durante toda a manhã, o que nos permitiu atravessar toda a Restinga da Marambaia velejando.

Como sempre, cruzamos com alguns pesqueiros, principalmente aqueles com seus grandes (e assustadores) braços abertos, puxando redes de arrasto. Cruzamos também, com 2 rebocadores puxando uma balsa com um enorme guindaste em seu convés. Ficou a curiosidade de saber como eles se viraram na hora do vento.

Já estávamos próximos do fim da Restinga quando o vento voltou a apertar. Dessa vez soprou ainda com mais força - cerca de uns 25 nós constantes e um pouco mais (bem mais) nas rajadas. Novamente enrolamos parcialmente a genoa e seguimos com cautela, afinal, estávamos terminando nossa travessia e não queríamos que algo desse errado, justamente ali. Negociamos com o vento e as ondas e assim chegamos à entrada da Baía da Ilha Grande.

Como aquela região tem um microclima bastante peculiar, ainda na entrada da Baía o vento acabou para não mais voltar. Pela última vez acionamos o já confiável motor do MYSTIC e seguimos viagem.

Já passava de 14h e o sol estava escaldante. Some-se a isso a falta de vento e assim conclua o tamanho do calor que fazia debaixo do bímini do MYSTIC. Olhando para aquela água azul magnífica, não nos restou outra alternativa senão fazer um pit stop no meio do canal e dar um merecido mergulho, afinal estava realizando um sonho que vinha acalentando fazia alguns meses e aquele era momento de comemoração.

Finalmente seguimos nossa viagem rumo ao ARMC, onde fomos muito bem recebidos e deixamos meu querido MYSTIC em seu novo lar. Que ele descanse bastante, pois a partir de agora, as aventuras vão começar!!! (rs)

Bons Ventos e até a próxima!!!



Dia nascendo e o maciço da Gávea ao fundo

Sol e vento generoso

Desempenho honesto

Terra a vista!!!! O MYSTIC e a Ilha Grande ao fundo

Laje da Marambaia

As águas da Baía da Ilha Grande acariciando e dando boas vindas ao MYSTIC

Comandante

O novo lar do MYSTIC
MYSTIC no ARMC

domingo, 1 de janeiro de 2012

FELIZ ESPERANÇAS NOVAS

2011 acabou!!!

Com o ano que se encerrou, deixamos para trás tudo de ruim que aconteceu. Aproveitamos para esquecer os planos que não se realizaram e os feitos que não deram certo. Ano novo é sempre motivo para renovar as energias para fazer acontecer não só o que planejamos, mas também o que sonhamos.

Um novo ano surge no horizonte

 Já que não consegui cumprir minha meta de levar o Mystic para Angra em 2011, esse continua sendo meu principal objetivo para 2012.
 

No final do ano andei meio sumido do barco, mas ainda consegui fazer umas poucas coisas. Falta tirar umas fotos e postar aqui. Aguardem!!!



Então é isso...

Um Ótimo 2012 para todos nós. Que os ventos soprem sempre a nosso favor. Que o mar nos deixe passar em segurança. Que as cambadas sejam sempre certeiras e para o bordo certo.

FELIZ 2012

Lauro Valente

terça-feira, 1 de novembro de 2011

FOTOS DA REGATA ANGRA x RIO

Olá Pessoal,

Já diz o ditado que imagens valem mais do que mil palavras.

Então, vamos ao que interessa:

Véspera da regata. Pôr do Sol na Ilha Grande


Outro ângulo do cruzamento com o monstro de aço
Fim do primeiro dia de regata e um adversário no caminho do sol. Restinga da Marambaia

Tripulação, após uma fria e úmida noita de ventos fracos.


Bons Ventos


.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

REGATA ANGRA x RIO

Olá Pessoal,

No dia 22/10 participei, a bordo do veleiro Araiti, do meu amigo - comandante Luciano Guerra, da Regata Angra x Rio.

Estava há tanto tempo afastado das travessias que a expectativa era enorme. Passei a semana, juntamente com o Luciano, analisando as previsões meteorológicas e avaliando a melhor estratégia para não fazermos feio na regata.

Na 5ª feira antes da regata, a tripulação se reuniu, avaliou as previsões e fechou a estratégia. Esperávamos ventos de E constantes, na casa dos 15 a 18 nós, podendo rondar para NE durante a noite e mar de SE com ondas de 2 metros a 2,5 metros durante a travessia. Dependendo de quanto tempo levássemos da linha de largada até a boca da Baía da Ilha Grande, esperávamos pegar maré enchendo com força e, se tudo corresse como estávamos prevendo, chegaríamos na boca da Baía de Guanabara tendo que enfrentar maré vazando forte.

A tripulação era composta pelo comandante Luciano Guerra, eu, o velejador José Andrés Monteldo "Chileno", pelo Marcello e pelo Igor. Uma tripulação heterogênea que, no decorrer da regata, foi o ponto mais forte da regata.

A REGATA

Nós largamos pela lado esquerdo da linha, sob ventos de E na casa dos 15 nós. A estratégia era velejar mais pra dentro da baía até o canto da entrada do canal, junto à Ilha da Marambaia. Dessa forma, esperávamos sentir menos os efeitos da maré no barco, principalmente porque nesse bordo, estaríamos dando a face da quilha para a maré. Quando cambássemos para sair da baía, estaríamos no canto do canal (onde normalmente a maré é mais fraca) e com a quilha de frente pra maré, reduzindo seu efeito.

A estratégia deu certo! No cruzamento com os barcos que foram para o lado da Ilha Grande (bordo da direita), o Araiti - um barco de cruzeiro, pesado e com velas cansadas passou na frente de vários barcos regateiros.

Optamos, então, por velejar não muito perto da Ilha da Marambaia, a fim de fugir do rebojo formadopelas ondas que batem no costão, mas não queríamos nos afastar muito da costa, pois esperávamos uma rondada para NE, que favoreceria quem estivesse mais aterrado.

O fato é que o vento não rondou e pra piorar, foi morrendo, morrendo, até virar uma brisa. Aquilo para o Araiti era tudo que não desejávamos. Nossa velocidade caiu muito e viramos presa fácil para os regateiros. A tocada do barco ficou mais técnica e a velejada mais monótona. De emocionante (ou seria tensão?), naquele momento, foi a aproximação de um navio porta container.

Pra quem já teve a oportunidade de cruzar com esse verdadeiros montros, sabe o risco que um veleiro corre nessas horas, já que muitas vezes o navio não enxerga o veleiro. Como nós estávamos mais ou menos no rumo do monstro, fomos para o rádio tentar avisá-lo da nossa presença ali. Como não obtivemos sucesso na nossa empreitada, restou observar atentamente o movimento do bicho e ficamos preparados para uma manobra evasiva, caso necessário.

Cruzando com o "monstro de aço"
Bem, passados esses minutos de observação e tensão, a única novidade foi o vento ter ido embora de vez, transformando-se numa brisa fraca e entediante. Estávamos bem na divisa da Restinga da Marambaia e Guaratiba. Ali ficamos velejando, ora pra frente, ora para trás, empurrados pela correnteza que corria contra. Às 11h da noite completamos 12 horas de regata ainda na metade do percurso. Se o vento estivesse generoso e a favor, esse era o tempo previsto para completar a prova inteira... Paciência.

Pra mim, a parte difícil com a redução do vento foi aguentar a saudade do meu filhote, a pressão dos compromissos assumidos para o dia seguinte (domingo) e a monotonia de ficar parado no meio do mar, sacudindo pra lá e pra cá. Aliás, falta de vento e mar mexido é uma combinação fatal pra quem mareia. Dessa vez, não consegui escapar e por duas vezes mandei cargas ao mar.

A tripulação morgada
 O domingo veio e com ele uma leve brisa começou a soprar por volta das 10h. Imediatamente o moral (ou seria a esperança?) da tripulação se elevou e todo cansaço da travessia até aquele momento virou disposição para completar a regata. O clima a bordo permanecia ótimo, com muitas brincadeiras e alimento farto.

Após praticamente 12h parados, a brisa que soprava nos ajudou a avançar mais um pouco e assim atravessamos a Barra da Tijuca, quando novamente o vento fraquejou. Entre alguns bordos e muito capricho no velejo, conseguimos chegar em frente à praia de São Conrado, onde o rebojo das ondas refletindo no costão acabou prendendo um pouco o barco. Ainda assim, o clima a bordo permanecia animado, graças à distância cada vez menor do nosso destino.

Nossa regata já contabilizava mais de 24 horas de navegação quando o Leste voltou a soprar, dessa vez com vontade. Imediatamente avaliamos a situação, refizemos a estratégia e demos um bordo para fora da costa, a fim de fugir do rebojo da proximidade do costão do Vidigal, para ganharmos altura, a fim de dobrarmos a ponta do Arpoador e, por que não, passarmos pelo belo arquipélago das Ilhas Cagarras.

Sendo assim, com o vento que desejamos para toda a travessia, rumamos acelerado para o boca da Baía de Guanabara, armados até os dentes para enfrentar nosso último desafio: vencer a forte maré vazante que rolava naquela hora.

Vento generoso de E e nosso destino no visual
A fim de evitar ficar sem vento e desejando aproveitar as ondas que adentravam o canal de entrada da Baía de Guanabara, optamos por deixar a Ilha de Cotunduba por bombordo, fugindo de sua sombra.

Sabíamos que ali pegaríamos mais maré contra, mas com as ondas que estavam rolando e o vento farto, na casa dos 15 nós, a chance de não lograrmos êxito era pequena.

Para loucura do nosso comandante, Luciano, surfamos ondas a até 7,5 nós de velocidade e repidamente nos aproximamos da linha de chegada. Mais precisamente às 17h38 entramos na Baía de Guanabara e cruzamos a linha de chegada. Então, naquele momento, foi só abrirmos as latinhas de cerveja gelada desde Angra e brindarmos o atingimento de nosso objetivo. Sem acidentes, sem discussões, com tudo tendo corrido da melhor maneira possível.

Mais do que termos vencido a regata em nossa categoria, nós vencemos a nossa regata! Vencemos as condições que se apresentaram. O vento e o mar contra. Vencemos minha vontade de ter desistido, depois de 12 horas boiando. Estreitamos laços de amizade que só o mar pode proporcionar.

Enfim, ... velejamos.


Até a próxima!!!