sábado, 13 de junho de 2015

PLACAS SOLARES - PARTE 1

Olá Pessoal,

As placas solares do MYSTIC já estão compradas e testadas, mas ainda não as instalei.

Na verdade, eu estava esperando fazer a instalação e só então publicar uma postagem de todo o processo, mas como estou tendo algumas dificuldades, resolvi separar o processo em dois capítulos, para o assunto não ficar esquecido. O fato é que a fiação e o controlador já estão instalados no barco, mas ficou difícil furar a targa para fixar as placas. Então, resolvi copiar a solução do Caulimaram - barco do meu amigo Ulisses Schimmels, e utilizar um perfil de alumínio, fixado à targa por braçadeiras e onde as placas serão fixadas por rebites.

O Equipamento

Após consultar amigos, pesquisar na internet e efetuar alguns cálculos, entendi que a solução que melhor encaixaria no que tenho lá seriam duas placas de 95W, ligadas em série e controladas por um controlador MPPT. Sendo assim, adquiri na loja virtual NEOSOLAR duas placas Yingli Solar, de 95W cada e um controlador EpSolar, de 20A.



A escolha foi baseada no seguinte racional:

Meu consumo estimado diário no barco é de aproximadamente 120A. Segundo as especificações da placa solar, ela produz, em média, cerca de 36,6A por dia, considerando uma insolação média de 7h/dia. As duas placas gerarão, então, 73,2A por dia. A conclusão inicial é que faltam 46,8A a cada dia e esse deficit de amperes será fornecido pelas duas baterias estacionárias de 115A (230 disponíveis) que vou comprar.

Considerando que o uso do barco se dá somente em finais de semana (2 dias em 7 disponíveis), toda a perda sofrida pelas baterias seria reposta nos demais dias da semana (5 dias).

Nesta conta, não estou considerando o  ganho de eficiência de até 30% que dizem haver na utilização de controladores MPPT, nem o acionamento eventual do motor do barco, cujo alternador (60A) também contribuiria para a recuperação das baterias.

Bem, definido e adquirido o equipamento, o próximo passo seria testar o material e definir a ligação mais eficiente das placas, se em série, ou em paralelo. Para tanto, levei a parafernália para o clube e montei o conjunto no gramado.


As placas ligadas em paralelo

Os testes foram realizados entre 11h30 e 12h30, num dia sem nuvens no céu e temperatura aproximada de 30 graus.

Utilizei provisoriamente fios de 2,5mm (o recomendado são 4mm, mas como a distância era curta, não houve problema) e uma bateria Zetta de 36A. N
o teste, na impossibilidade de reproduzir completamente o ambiente do barco (geladeira, lâmpadas etc), liguei na bateria somente uma bombinha que tinha em casa, para gerar alguma demanda de corrente, já que a bateria estava completamente carregada.

Os painéis ficaram no chão, na horizontal (é nessa posição que ficarão no barco), formando, consequentemente, um ângulo de incidência em relação ao sol e a amperagem foi medida simultaneamente entre as placas/controlador e controlador/bateria.

As medições foram feitas, então, com os painéis ligados em paralelo, e depois em série.

A esquerda, amperagem vinda das placas ligadas em série. A direita, do controlador para a bateria

Acho que as fotos das medições podem dizer por si mesmas. Com a placa ligada em série, o controlador "consumiu" menos corrente das placas (1A/h) e "entregou" mais para a bateria (2,58A/h). Na ligação em paralelo, essa relação foi de 2,15A/h chegando das placas e 2,72A/h indo para a bateria. Vale lembrar que coloquei um multímetro no positivo que saiu da placa e foi para o controlador e outro multímetro no positivo que saiu do controlador e foi para a bateria.

A medição das placas ligadas em paralelo

Outro detalhe: em paralelo, a tensão medida foi de 19,7V (entre as placas e o controlador) e em série, ela caiu para 15,4V (entre as placas e o controlador). Fiquei surpreso, pois achava que em série, a voltagem seria dobrada, mas não foi o que aconteceu. Talvez eu tenha feito alguma medição errada, mas...

Bem, feitas as observações, minha conclusão foi que, com as placas ligadas em série, o sistema se mostrou mais eficiente e essa é a configuração que vou usar.


Até a próxima!



terça-feira, 21 de abril de 2015

MAIS ALGUMAS MELHORIAS

Olá amigos,

Esta semana conclui mais uma etapa de alguns investimentos que fiz no MYSTIC.

Só para recordar, eu adquiri o barco no início de 2011 e ele encontrava-se meio que abandonado, sem qualquer manutenção. Desde então, troquei todo o sistema de propulsão (eixo, hélice, buchas, porta gaxeta, etc), mandei o motor para um especialista revisá-lo completamente e instalá-lo corretamente, revisei toda a parte elétrica, troquei as lâmpadas por leds, refiz totalmente o fundo do barco (incluindo o gel), repintei a máscara das vigias do convés, mandei polir o costado, comprei velas novas com o Arnaldo (Cognac

Antes
Velas), troquei bimini, VHF, som, bomba de porão, consegui fazer os instrumentos funcionarem novamente, troquei os cabos da balaustrada, redinha no guarda-mancebo, tirei o carpete fedorento de dentro da cabine e muitos outros itens menores que não lembro agora. Tenho consciência que ainda faltam muitas coisas para o barco ficar do jeito que eu gosto, mas devagarzinho estou caminhando.

Esta etapa começou com o atendimento a uma crítica da minha esposa, de que a conservação dos nossos alimentos perecíveis a bordo com um igloo cheio de gelo era uma tarefa desestimulante, porque quando o gelo derretia, as coisas começavam a boiar e muitas vezes molhavam, fora que a caixa térmica suava e acabava molhando o piso ...
Durante

Bem, desisti de recuperar a geladeira velha que tinha no barco (embora ela funcionasse bem, o gás vivia vazando e a caixa térmica era nojenta) e comprei uma nova, da Elber.

Agora que tenho uma geladeira operacional, novas providências precisam ser tomadas com uma certa urgência, que é o investimento em capacidade de produção de energia a bordo. Sendo assim, decidi instalar placas solares no MYSTIC e trocar as baterias de serviço, hoje automotivas, por baterias estacionárias. O primeiro passo já foi dado e merece um destaque: encomendei uma targa na capotaria Kisombra, em Paulínia (SP).
Depois
A targa é um acessório necessário quando se precisa instalar placas solares num barco. Os módulos ficam em cima da targa, num local que não ocupa espaço e não há risco de batermos com a cabeça. A minha, como escrevi acima, foi encomendada ao Edmundo, dono da Kisombra. Fiquei muito feliz e com a certeza de que fiz um bom negócio, pois fui muito bem atendido desde meu primeiro contato até a instalação final. Tudo que foi combinado, foi cumprido à risca! Prazos, valores, especificações técnicas, tudo!!! O Edmundo é engenheiro (embora não do ramo) e consegue-se dialogar tecnicamente com ele. O soldador que o acompanhou na instalação é um senhor com cursos na sua área de atuação (caldeiraria) e com larga experiência no assunto. Com toda a dificuldade de se trabalhar com o barco na água, o cara foi lá e fez um bom serviço.

A nova targa do MYSTIC

Outro ângulo
Agora, com a targa já no lugar e a geladeira funcionando, o próximo passo está sendo estudar a melhor configuração de módulos solares e controlador de carga. De acordo com o espaço disponível que tenho na targa, a princípio estou imaginando duas placas de 95W cada e um controlador de 20A, de tecnologia MPPT. Mas esse será assunto para a próxima postagem. Até lá!


Bons Ventos.




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quarta-feira, 25 de março de 2015

CARNAVAL NA BAÍA DA ILHA GRANDE

Desde o ano passado adotamos uma tática diferente para curtimos nosso Carnaval na Baía da Ilha Grande. Embora resulte na perda de preciosos dias para passear ou simplesmente curtir o barco, agora vamos pra lá somente depois do início do feriado e procuramos voltar antes do fim. Tudo isso para tentarmos fugir dos cada vez mais estressantes engarrafamentos que se formam no trajeto até Angra dos Reis - local onde fica o MYSTIC.

O MYSTIC, rumo ao ICAR
Em 2014, partimos para Angra somente na 2ª feira de Carnaval e retornamos na 5ª feira. Ainda assim pegamos engarrafamento. Esse ano, como conseguimos liberação no trabalho para emendar o Carnaval ao final de semana seguinte, resolvemos partir para lá somente na 5ª feira após o feriado, com retorno previsto para o sábado. Foi ótimo, pois não pegamos engarrafamento em momento algum, tanto na ida, quanto na volta.

Para 2015, combinamos com o casal de amigos Bernardo e Joana de nos encontrarmos por lá, fazendo uma programação diferente. Decidimos, então, que desta vez não iríamos para a Ilha Grande e, também, aproveitaríamos um pouco mais dos nossos clubes (o do Mystic - ARMC e o do Verona - ICAR).

Na 5ª feira, após o tradicional almoço no clube, depois a faina de dar uma limpeza rápida no barco e carregar a bagagem, zarpamos com destino ao ICAR, para encontrarmos com nossos amigos. A travessia, de  aproximadamente 10 MN, foi cumprida em pouco menos de 2h30 - o tempo todo no motor, já que o vento não deu o ar da sua graça. O mar calmo, só ficou desconfortável quando cruzamos o canal que separa a Ilha da Gipóia e o continente, devido ao grande tráfego de lanchas, que deixou o mar do local bastante agitado.


Fim de tarde na varanda do ICAR

Chegamos ao ICAR no meio da tarde e já encontrei o Bernardo fazendo manutenção no seu barco - um belo Fast 310 (assim como o MYSTIC). Após desembarcar minha esposa e meu pequeno no cais do clube, consegui uma poita emprestada para amarrar o barco e logo em seguida, comecei a inflar nosso stand up. Engraçado que essa faina me cansou bastante e comecei a sentir uma moleza incômoda. Remei até a praia do clube, onde as esposas estavam com as crianças e sentei numa cadeira para me recuperar. Renata também estava com dor de cabeça, de modo que curtimos o fim de tarde um pouco amuados.

Com a chegada da noite, senti que estava com febre. Ventava um N/NE firme e isso significava ter que remar vigorosamente o stand up para vencer o contravento até o barco. Isso levando esposa e filho na prancha. Após uma breve conferência com a família, resolvemos aceitar a sugestão do Bernardo e alugar um chalé do clube para passar a noite. Foi a decisão mais acertada! Nada como um banho quente e uma cama macia para recuperar a saúde.

O Verona e sua tripulação, rumo à Paquetá
Ficamos na varanda do clube curtindo o local e o fim de tarde. A nós juntaram-se os convidados do Bernardo - Marcelo, sua esposa Renata e seus filhos. O papo rolou até mais tarde, mas logo me recolhi para tentar me recuperar.

A 6ª feira amanheceu ensolarada e com o N/NE firme como na noite anterior. Aliás. o vento soprou generoso a noite inteira ,mas derrubado com estava, não consegui forças nem pra levantar e olhar o MYSTIC da janela, pra ver se ele se comportava em sua poita. Levantamos um pouco tarde e logo fomos para o restaurante tomar um café da manhã. Havíamos combinado passar o dia na Ilha de Paquetá, 6 MN a SW do clube. Zarpamos do ICAR no final da manhã para cumprir o trajeto num mar de almirante e vento quase zero, pra decepção do Bernardo, que estava ávido por dar uma velejada com sua família e amigos. 

A Ilha de Paquetá não chegava a estar lotada, mas a praia estava cercada de lanchas. Jogamos âncora um pouco mais pra fora, junto a um costão muito bonito. A turma toda logo tratou de pular naquela água transparente e curtir o local. Aos poucos o pessoal foi nadando para a praia enquanto eu peguei o stand up e fui explorar aquele cantinho de paraíso. Como boa parte dos recantos da Baía da Ilha Grande, ali em Paquetá também mora uma família de pescadores que servem, na praia ou nos barcos, almoço e tira gostos de frutos do mar frescos.

Diversão na praia
Claro que degustamos diversos pasteiszinhos, peixe assado etc. Logo começou a soprar um vento S/SE típico dessa época do ano naquela região, que naquela praia atravessa a ilha de um lado para o outro. Passamos aquela agradável tarde curtindo o local e brincando com as crianças na areia e na água. Na hora de ir embora, receosos de nossa condição física e já planejando o retorno à Niterói no dia seguinte, zarpamos de Paquetá diretamente para o nosso clube, enquanto o Verona finalmente abriu suas velas e tomou o rumo de volta ao ICAR, velejando.O MYSTIC também abriu panos no caminho de volta, mas não demorou muito para acionarmos o motor, pois quanto mais próximo do canal da Ilha Gipóia, menos ventos alcançava nossas velas.

Chegamos ao ARMC bastante cansados, mas nem por isso deixamos de curtir o resto do dia na piscina do clube. Curtimos nosso filhote um montão e depois fomos tomar banho e nos preparar para sair e fazer um passeio urbano: fomos jantar no Shoping Pirata's Mall.

MYSTIC no rumo de casa

Não dormi muito bem a noite, mas pelo menos consegui descansar. No dia seguinte fui acordado com a presença de amigos no cais, quando vi a turma do veleiro Ninahai. Assim que eles partiram, fomos eu, Renata e nosso pequeno pro restaurante tomar nosso café.Após nos alimentarmos, demos uma arrumada no barco, fechamos-o e tomamos nosso caminho de volta para casa.

Embora curto, foi um passeio incrível, não só pela pequena velejada, mas pelo belíssimo local que visitamos, pela maravilhosa ilha que passamos o dia e, claro, pela companhia de amigos que tanto gostamos.



Até a próxima, MYSTIC !!!

Mamãe e filho, curtindo Paquetá

Águas indecentemente transparentes

MYSTIC e VERONA: Dois Fast 310 em Paquetá

Também tenho direito!!! (rs)
 
Igreja do Bonfim, na ilhota de mesmo nome

Velejada no fim de tarde

Curtindo o clube

Amor impagável



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sábado, 27 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL ATRASADO !!!!

Pessoal,

Entre trabalho, festas, compromissos, preguiça etc, o já tradicional post de Natal não saiu na data certa.

 


Mas acho que ainda dá tempo de desejar a todos meus mais sinceros votos de um Natal de Paz. Que essa data seja um motivo de reflexão, onde possamos buscar dentro de nós motivos e justificativas para ajudarmos o próximo, para praticarmos o bem e para tornar este um mundo melhor e menos desigual.








Que em 2015 a riqueza nos seja dada por uma situação de crescimento pessoal, que não percamos de vista o real significado de enriquecer que no fundo é despertar em nós mesmo o que nascemos para ser.
 
O ano que inicia será um desafio, mas sejamos gratos. Afinal, como diria o tal mago “Tudo o que temos que decidir é o que faremos com o tempo que nos foi dado”. Aproveite o tempo e lembre que tempo não é só dinheiro.


Bons Ventos

Lauro Valente & família

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

EU ODEIO MURPHY!!!!

Já fazia muito tempo que planejávamos levar a prima da minha esposa (e madrinha do meu filhote) e seu marido para um final de semana conosco, a bordo do MYSTIC. A agenda concorrida da Aninha e a pouca intimidade do Márcio com o mar sempre acabavam adiando o passeio.

O último final de semana foi meticulosamente planejado para tudo dar certo e eles vivenciarem uma experiência única.

... e de fato foi uma experiência única!

Durante toda a semana, a previsão para a região de Angra era de sol e temperatura na medida certa: nem muito calor, nem muito frio. Idealizei uma programação bem simples e não muito distante do clube, pois caso o Márcio não ficasse à vontade, poderíamos voltar rapidamente e ficar somente no cais, curtindo piscina etc e utilizando o barco somente para dormir.

Chegamos todos em Angra no sábado de manhã bem cedo e a primeira surpresa foi que o barco estava imundo, fruto de 2 meses e meio de ausência minha por aquelas bandas. Logo o passeio deu lugar a uma pequena faina para dar todo o conforto ao grupo: eu e o Márcio lavando o convés e a Renata e a Aninha dando uma ajeitada na cabine.

Zarpamos ainda de manhã, com um lindo sol, temperatura agradável e nem uma gota de vento. Nosso primeiro destino foram as Ilhas Botinas, onde queria que eles tivessem o primeiro contato com aquele mar transparente e cheio de peixinhos, em meio ao visual da ilha.

Chegamos com uma brisa muito leve de sei lá qual vento (estava muito fraco e extremamente gostoso) e logo posicionei o barco pra largar a âncora. Ao dar o sinal para a Renata fundear, ela percebeu que o cabo estava mal aduchado na caixa de âncora e por esse motivo, acabei tendo que sair dali e ficar ao largo enquanto ajeitava tudo. 10 minutos depois já estávamos soltando amarras no mesmo canto escolhido, agora já com um ventinho fresco. Só sei que não deu tempo nem de pegar as boias para desembarcar. Entrou uma porranca de SW que foi todo mundo embora. Ainda perguntei se alguém queria dar um mergulho e a Aninha até foi lá molhar o pé pra ver se animava: a água estava gelada!

- Bem,... - pensei comigo. Não acredito que Murphy está aqui!

Debaixo de todo aquele vento, não havia mais nada a fazer ali. Vi que o Márcio estava tranquilo e descontraído e sentenciei.

- Vamos para a segunda parada! Lá podemos fundear atrás da ilha onde não haverá vento. - falei me referindo à Lagoa Verde.

Durante o trajeto, o vento devia estar na faixa de uns 30 nós nas rajadas e as marolas cresceram desconfortavelmente. Em algumas oportunidades nossos convidados puderam ter a oportunidade de curtir em suas costas aquelas respingadas de água gelada, quando o mar lavava o convés do MYSTIC. Como o passeio estava ficando sem graça, propus irmos direto para a Praia da Tapera, no Sítio Forte. Lá é um local abrigado do SW, embora este desça de cima do morro, formando um venturi que te empurra pra fora da enseada.

Amarramos o barco a uma poita, no restaurante da Telma na hora do almoço. A tripulação já estava ávida para desembarcar e curtir a praia, mas eu, preocupado com o vento, estava receoso de deixar o MYSTIC ali, sozinho. Tinha também a preocupação da turma toda no botinho inflável, com todo aquele vento. Caso o motorzinho falhasse, não haveria remo que conseguisse vencer aquela "ventaralha". Bem, relaxei, inflei o bote, coloquei-o na água e instalei o motorzinho de popa. Puxei a cordinha de partida, puxei a segunda vez, a terceira, ... a décima e o desgraçado nem dava sinal de vida. O mais revoltante é que eu havia dado uma revisão geral no motor semanas antes e dois dias antes da viagem, botei-o pra funcionar, exatamente para não correr o risco de acontecer o que estava acontecendo. Nem preciso escrever aqui meu arsenal de xingamentos que recitei a plenos pulmões, em pleno Sítio Forte. Renovei minha promessa de jogar aquela porcaria no lixo quando retornasse pra casa e voltei pro barco.

Não sendo prudente o desembarque naquelas condições, resolvemos fazer uma macarronada a bordo. Comida pronta e servida, todos de prato na mão, a Renata me entrega a panela e me pede pra botar um pouco de água do mar para ir soltando os restos de comida grudada. Olhei o recipiente e vi que ainda tinha uns restos de carne moída no fundo da panela. Guloso e "olhudo" do jeito que sou, peguei uma colher, raspei a panela e botei a gororoba no meu prato. Ainda deu pra dar mais uma raspada e encher outra colher que prontamente meti na boca Veio aquele gosto meio ácido, meio cítrico, meio sei lá o quê e cuspi o "veneno" na hora, já quase tendo ânsias de vômito. A panela já estava com detergente dentro e eu não havia percebido. Moral da história? Não comi nada, pois meu prato acabou ficando contaminado até as beiradas.

A boa notícia foi que o vento deu uma diminuída um tempo depois e tratamos logo de ir pra praia. Pedi uma cerveja e uma porção de Lula à Dorê lá na Telma e assim curtimos a tarde toda. Ainda dei umas boas risadas com as vídeo cacetadas do Márcio andando no stand up que levamos.

A noite chegou e retornamos para o MYSTIC para um merecido banho e para jantarmos as pizzas que levamos. Com muitas luzes acesas e a bomba d'água funcionando direto, lá pelas tantas resolvi dar uma ligada no motor para carregar um pouco as baterias. Virei a chave algumas vezes e nada. Quando a bateria começou a dar sinais de fraqueza, lembrei que fazia um bom tempo que não abastecia diesel no barco, o que não era problema, pois eu tinha uma bombona no paiol. Levei-a para dentro do barco, acomodando sobre a mesa de navegação, pra ficar mais alta que o tanque e assim fazer a transferência. Ao assoprar a boca da bombona, começou a gritaria:

- O diesel tá vazando! O diesel tá vazando!

Parei de assoprar, mas o combustível não parou de vazar. Quando levantei a bombona, percebi que ela havia arrebentado por baixo. Do jeito que deu, consegui com dois baldes salvar o que sobrou, mas o estrago já estava feito. Um estofado, o chão da cabine e a mesa de navegação ficaram completamente cagados de óleo. Os documentos dentro da mesa de navegação nadavam pra lá e pra cá ao sabor do balanço do barco.

Bem, após umas boas duas horas limpando o que dava pra limpar, fui para o cockpit pra fazer nova tentativa de virar a máquina, afinal deu pra abastecer uns 10 litros do que consegui salvar do derramamento. Nada! Comuniquei à tripulação que no dia seguinte, caso o motor não pegasse de manhã, tentaríamos ir embora cedo, velejando, caso houvesse vento.

Como toda boa Lei de Murphy manda, o domingo amanheceu com um vento generoso... contra! Se vacilássemos na saída, ele nos jogaria na praia da Tapera. Olhei o controlador de carga da bateria e notei que durante a noite, ela havia dado uma recuperada. A placa solar não estava dando muita ajuda naquele momento da manhã porque, claro, Murphy cuidou para que o dia amanhecesse nublado.

Sentei em frente ao painel do motor e ali fiquei, conversando mentalmente e maldizendo o destino...

- Cara, você nunca me deixou na mão. Não é possível que...

De repente olhei para um botão no painel... era um botão que o eletricista que instalou o motor havia colocado ali... nunca teve qualquer serventia, mas quando estava no off, o motor não dava partida. E ele estava no off!!! Provavelmente alguém esbarrou nele e... enfim, mais que depressa liguei o botão e dei partida no motor. Pegou de estalo como sempre.

Apesar de cedo, a manhã já estava meio que perdida, pois a água fria, o vento contra aumentando, o tempo nublado e todo o estresse da noite anterior acabaram desanimando um pouco. Resolvemos, então, partir. Chegaríamos no clube, arrumaríamos o barco com calma, almoçaríamos e então retornaríamos pra casa.

O retorno para o clube foi chato, com vento contra e depois de través, mas que fizemos a motor, até para recarregar as baterias. No clube não havia uma gota de vento, com um calor desgastante, só para coroar a faina de arrumação que tínhamos que fazer. Mas fizemos tudo como planejado.

O final de semana terminou com um último presente do Murphy: pegamos um engarrafamento que há muito tempo não enfrentávamos. Levamos aproximadamente 5 horas para cumprir um percurso que normalmente faço em 2h30, sem pressa.

De qualquer forma, o Márcio e a Aninha juraram que gostaram do passeio e prometeram que haverá uma próxima oportunidade para eu (ou melhor, meu "sócio" - o Murphy) tentar se redimir.

Foi isso.

Bons Ventos e até a próxima.



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