quarta-feira, 25 de março de 2015

CARNAVAL NA BAÍA DA ILHA GRANDE

Desde o ano passado adotamos uma tática diferente para curtimos nosso Carnaval na Baía da Ilha Grande. Embora resulte na perda de preciosos dias para passear ou simplesmente curtir o barco, agora vamos pra lá somente depois do início do feriado e procuramos voltar antes do fim. Tudo isso para tentarmos fugir dos cada vez mais estressantes engarrafamentos que se formam no trajeto até Angra dos Reis - local onde fica o MYSTIC.

O MYSTIC, rumo ao ICAR
Em 2014, partimos para Angra somente na 2ª feira de Carnaval e retornamos na 5ª feira. Ainda assim pegamos engarrafamento. Esse ano, como conseguimos liberação no trabalho para emendar o Carnaval ao final de semana seguinte, resolvemos partir para lá somente na 5ª feira após o feriado, com retorno previsto para o sábado. Foi ótimo, pois não pegamos engarrafamento em momento algum, tanto na ida, quanto na volta.

Para 2015, combinamos com o casal de amigos Bernardo e Joana de nos encontrarmos por lá, fazendo uma programação diferente. Decidimos, então, que desta vez não iríamos para a Ilha Grande e, também, aproveitaríamos um pouco mais dos nossos clubes (o do Mystic - ARMC e o do Verona - ICAR).

Na 5ª feira, após o tradicional almoço no clube, depois a faina de dar uma limpeza rápida no barco e carregar a bagagem, zarpamos com destino ao ICAR, para encontrarmos com nossos amigos. A travessia, de  aproximadamente 10 MN, foi cumprida em pouco menos de 2h30 - o tempo todo no motor, já que o vento não deu o ar da sua graça. O mar calmo, só ficou desconfortável quando cruzamos o canal que separa a Ilha da Gipóia e o continente, devido ao grande tráfego de lanchas, que deixou o mar do local bastante agitado.


Fim de tarde na varanda do ICAR

Chegamos ao ICAR no meio da tarde e já encontrei o Bernardo fazendo manutenção no seu barco - um belo Fast 310 (assim como o MYSTIC). Após desembarcar minha esposa e meu pequeno no cais do clube, consegui uma poita emprestada para amarrar o barco e logo em seguida, comecei a inflar nosso stand up. Engraçado que essa faina me cansou bastante e comecei a sentir uma moleza incômoda. Remei até a praia do clube, onde as esposas estavam com as crianças e sentei numa cadeira para me recuperar. Renata também estava com dor de cabeça, de modo que curtimos o fim de tarde um pouco amuados.

Com a chegada da noite, senti que estava com febre. Ventava um N/NE firme e isso significava ter que remar vigorosamente o stand up para vencer o contravento até o barco. Isso levando esposa e filho na prancha. Após uma breve conferência com a família, resolvemos aceitar a sugestão do Bernardo e alugar um chalé do clube para passar a noite. Foi a decisão mais acertada! Nada como um banho quente e uma cama macia para recuperar a saúde.

O Verona e sua tripulação, rumo à Paquetá
Ficamos na varanda do clube curtindo o local e o fim de tarde. A nós juntaram-se os convidados do Bernardo - Marcelo, sua esposa Renata e seus filhos. O papo rolou até mais tarde, mas logo me recolhi para tentar me recuperar.

A 6ª feira amanheceu ensolarada e com o N/NE firme como na noite anterior. Aliás. o vento soprou generoso a noite inteira ,mas derrubado com estava, não consegui forças nem pra levantar e olhar o MYSTIC da janela, pra ver se ele se comportava em sua poita. Levantamos um pouco tarde e logo fomos para o restaurante tomar um café da manhã. Havíamos combinado passar o dia na Ilha de Paquetá, 6 MN a SW do clube. Zarpamos do ICAR no final da manhã para cumprir o trajeto num mar de almirante e vento quase zero, pra decepção do Bernardo, que estava ávido por dar uma velejada com sua família e amigos. 

A Ilha de Paquetá não chegava a estar lotada, mas a praia estava cercada de lanchas. Jogamos âncora um pouco mais pra fora, junto a um costão muito bonito. A turma toda logo tratou de pular naquela água transparente e curtir o local. Aos poucos o pessoal foi nadando para a praia enquanto eu peguei o stand up e fui explorar aquele cantinho de paraíso. Como boa parte dos recantos da Baía da Ilha Grande, ali em Paquetá também mora uma família de pescadores que servem, na praia ou nos barcos, almoço e tira gostos de frutos do mar frescos.

Diversão na praia
Claro que degustamos diversos pasteiszinhos, peixe assado etc. Logo começou a soprar um vento S/SE típico dessa época do ano naquela região, que naquela praia atravessa a ilha de um lado para o outro. Passamos aquela agradável tarde curtindo o local e brincando com as crianças na areia e na água. Na hora de ir embora, receosos de nossa condição física e já planejando o retorno à Niterói no dia seguinte, zarpamos de Paquetá diretamente para o nosso clube, enquanto o Verona finalmente abriu suas velas e tomou o rumo de volta ao ICAR, velejando.O MYSTIC também abriu panos no caminho de volta, mas não demorou muito para acionarmos o motor, pois quanto mais próximo do canal da Ilha Gipóia, menos ventos alcançava nossas velas.

Chegamos ao ARMC bastante cansados, mas nem por isso deixamos de curtir o resto do dia na piscina do clube. Curtimos nosso filhote um montão e depois fomos tomar banho e nos preparar para sair e fazer um passeio urbano: fomos jantar no Shoping Pirata's Mall.

MYSTIC no rumo de casa

Não dormi muito bem a noite, mas pelo menos consegui descansar. No dia seguinte fui acordado com a presença de amigos no cais, quando vi a turma do veleiro Ninahai. Assim que eles partiram, fomos eu, Renata e nosso pequeno pro restaurante tomar nosso café.Após nos alimentarmos, demos uma arrumada no barco, fechamos-o e tomamos nosso caminho de volta para casa.

Embora curto, foi um passeio incrível, não só pela pequena velejada, mas pelo belíssimo local que visitamos, pela maravilhosa ilha que passamos o dia e, claro, pela companhia de amigos que tanto gostamos.



Até a próxima, MYSTIC !!!

Mamãe e filho, curtindo Paquetá

Águas indecentemente transparentes

MYSTIC e VERONA: Dois Fast 310 em Paquetá

Também tenho direito!!! (rs)
 
Igreja do Bonfim, na ilhota de mesmo nome

Velejada no fim de tarde

Curtindo o clube

Amor impagável



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sábado, 27 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL ATRASADO !!!!

Pessoal,

Entre trabalho, festas, compromissos, preguiça etc, o já tradicional post de Natal não saiu na data certa.

 


Mas acho que ainda dá tempo de desejar a todos meus mais sinceros votos de um Natal de Paz. Que essa data seja um motivo de reflexão, onde possamos buscar dentro de nós motivos e justificativas para ajudarmos o próximo, para praticarmos o bem e para tornar este um mundo melhor e menos desigual.








Que em 2015 a riqueza nos seja dada por uma situação de crescimento pessoal, que não percamos de vista o real significado de enriquecer que no fundo é despertar em nós mesmo o que nascemos para ser.
 
O ano que inicia será um desafio, mas sejamos gratos. Afinal, como diria o tal mago “Tudo o que temos que decidir é o que faremos com o tempo que nos foi dado”. Aproveite o tempo e lembre que tempo não é só dinheiro.


Bons Ventos

Lauro Valente & família

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

EU ODEIO MURPHY!!!!

Já fazia muito tempo que planejávamos levar a prima da minha esposa (e madrinha do meu filhote) e seu marido para um final de semana conosco, a bordo do MYSTIC. A agenda concorrida da Aninha e a pouca intimidade do Márcio com o mar sempre acabavam adiando o passeio.

O último final de semana foi meticulosamente planejado para tudo dar certo e eles vivenciarem uma experiência única.

... e de fato foi uma experiência única!

Durante toda a semana, a previsão para a região de Angra era de sol e temperatura na medida certa: nem muito calor, nem muito frio. Idealizei uma programação bem simples e não muito distante do clube, pois caso o Márcio não ficasse à vontade, poderíamos voltar rapidamente e ficar somente no cais, curtindo piscina etc e utilizando o barco somente para dormir.

Chegamos todos em Angra no sábado de manhã bem cedo e a primeira surpresa foi que o barco estava imundo, fruto de 2 meses e meio de ausência minha por aquelas bandas. Logo o passeio deu lugar a uma pequena faina para dar todo o conforto ao grupo: eu e o Márcio lavando o convés e a Renata e a Aninha dando uma ajeitada na cabine.

Zarpamos ainda de manhã, com um lindo sol, temperatura agradável e nem uma gota de vento. Nosso primeiro destino foram as Ilhas Botinas, onde queria que eles tivessem o primeiro contato com aquele mar transparente e cheio de peixinhos, em meio ao visual da ilha.

Chegamos com uma brisa muito leve de sei lá qual vento (estava muito fraco e extremamente gostoso) e logo posicionei o barco pra largar a âncora. Ao dar o sinal para a Renata fundear, ela percebeu que o cabo estava mal aduchado na caixa de âncora e por esse motivo, acabei tendo que sair dali e ficar ao largo enquanto ajeitava tudo. 10 minutos depois já estávamos soltando amarras no mesmo canto escolhido, agora já com um ventinho fresco. Só sei que não deu tempo nem de pegar as boias para desembarcar. Entrou uma porranca de SW que foi todo mundo embora. Ainda perguntei se alguém queria dar um mergulho e a Aninha até foi lá molhar o pé pra ver se animava: a água estava gelada!

- Bem,... - pensei comigo. Não acredito que Murphy está aqui!

Debaixo de todo aquele vento, não havia mais nada a fazer ali. Vi que o Márcio estava tranquilo e descontraído e sentenciei.

- Vamos para a segunda parada! Lá podemos fundear atrás da ilha onde não haverá vento. - falei me referindo à Lagoa Verde.

Durante o trajeto, o vento devia estar na faixa de uns 30 nós nas rajadas e as marolas cresceram desconfortavelmente. Em algumas oportunidades nossos convidados puderam ter a oportunidade de curtir em suas costas aquelas respingadas de água gelada, quando o mar lavava o convés do MYSTIC. Como o passeio estava ficando sem graça, propus irmos direto para a Praia da Tapera, no Sítio Forte. Lá é um local abrigado do SW, embora este desça de cima do morro, formando um venturi que te empurra pra fora da enseada.

Amarramos o barco a uma poita, no restaurante da Telma na hora do almoço. A tripulação já estava ávida para desembarcar e curtir a praia, mas eu, preocupado com o vento, estava receoso de deixar o MYSTIC ali, sozinho. Tinha também a preocupação da turma toda no botinho inflável, com todo aquele vento. Caso o motorzinho falhasse, não haveria remo que conseguisse vencer aquela "ventaralha". Bem, relaxei, inflei o bote, coloquei-o na água e instalei o motorzinho de popa. Puxei a cordinha de partida, puxei a segunda vez, a terceira, ... a décima e o desgraçado nem dava sinal de vida. O mais revoltante é que eu havia dado uma revisão geral no motor semanas antes e dois dias antes da viagem, botei-o pra funcionar, exatamente para não correr o risco de acontecer o que estava acontecendo. Nem preciso escrever aqui meu arsenal de xingamentos que recitei a plenos pulmões, em pleno Sítio Forte. Renovei minha promessa de jogar aquela porcaria no lixo quando retornasse pra casa e voltei pro barco.

Não sendo prudente o desembarque naquelas condições, resolvemos fazer uma macarronada a bordo. Comida pronta e servida, todos de prato na mão, a Renata me entrega a panela e me pede pra botar um pouco de água do mar para ir soltando os restos de comida grudada. Olhei o recipiente e vi que ainda tinha uns restos de carne moída no fundo da panela. Guloso e "olhudo" do jeito que sou, peguei uma colher, raspei a panela e botei a gororoba no meu prato. Ainda deu pra dar mais uma raspada e encher outra colher que prontamente meti na boca Veio aquele gosto meio ácido, meio cítrico, meio sei lá o quê e cuspi o "veneno" na hora, já quase tendo ânsias de vômito. A panela já estava com detergente dentro e eu não havia percebido. Moral da história? Não comi nada, pois meu prato acabou ficando contaminado até as beiradas.

A boa notícia foi que o vento deu uma diminuída um tempo depois e tratamos logo de ir pra praia. Pedi uma cerveja e uma porção de Lula à Dorê lá na Telma e assim curtimos a tarde toda. Ainda dei umas boas risadas com as vídeo cacetadas do Márcio andando no stand up que levamos.

A noite chegou e retornamos para o MYSTIC para um merecido banho e para jantarmos as pizzas que levamos. Com muitas luzes acesas e a bomba d'água funcionando direto, lá pelas tantas resolvi dar uma ligada no motor para carregar um pouco as baterias. Virei a chave algumas vezes e nada. Quando a bateria começou a dar sinais de fraqueza, lembrei que fazia um bom tempo que não abastecia diesel no barco, o que não era problema, pois eu tinha uma bombona no paiol. Levei-a para dentro do barco, acomodando sobre a mesa de navegação, pra ficar mais alta que o tanque e assim fazer a transferência. Ao assoprar a boca da bombona, começou a gritaria:

- O diesel tá vazando! O diesel tá vazando!

Parei de assoprar, mas o combustível não parou de vazar. Quando levantei a bombona, percebi que ela havia arrebentado por baixo. Do jeito que deu, consegui com dois baldes salvar o que sobrou, mas o estrago já estava feito. Um estofado, o chão da cabine e a mesa de navegação ficaram completamente cagados de óleo. Os documentos dentro da mesa de navegação nadavam pra lá e pra cá ao sabor do balanço do barco.

Bem, após umas boas duas horas limpando o que dava pra limpar, fui para o cockpit pra fazer nova tentativa de virar a máquina, afinal deu pra abastecer uns 10 litros do que consegui salvar do derramamento. Nada! Comuniquei à tripulação que no dia seguinte, caso o motor não pegasse de manhã, tentaríamos ir embora cedo, velejando, caso houvesse vento.

Como toda boa Lei de Murphy manda, o domingo amanheceu com um vento generoso... contra! Se vacilássemos na saída, ele nos jogaria na praia da Tapera. Olhei o controlador de carga da bateria e notei que durante a noite, ela havia dado uma recuperada. A placa solar não estava dando muita ajuda naquele momento da manhã porque, claro, Murphy cuidou para que o dia amanhecesse nublado.

Sentei em frente ao painel do motor e ali fiquei, conversando mentalmente e maldizendo o destino...

- Cara, você nunca me deixou na mão. Não é possível que...

De repente olhei para um botão no painel... era um botão que o eletricista que instalou o motor havia colocado ali... nunca teve qualquer serventia, mas quando estava no off, o motor não dava partida. E ele estava no off!!! Provavelmente alguém esbarrou nele e... enfim, mais que depressa liguei o botão e dei partida no motor. Pegou de estalo como sempre.

Apesar de cedo, a manhã já estava meio que perdida, pois a água fria, o vento contra aumentando, o tempo nublado e todo o estresse da noite anterior acabaram desanimando um pouco. Resolvemos, então, partir. Chegaríamos no clube, arrumaríamos o barco com calma, almoçaríamos e então retornaríamos pra casa.

O retorno para o clube foi chato, com vento contra e depois de través, mas que fizemos a motor, até para recarregar as baterias. No clube não havia uma gota de vento, com um calor desgastante, só para coroar a faina de arrumação que tínhamos que fazer. Mas fizemos tudo como planejado.

O final de semana terminou com um último presente do Murphy: pegamos um engarrafamento que há muito tempo não enfrentávamos. Levamos aproximadamente 5 horas para cumprir um percurso que normalmente faço em 2h30, sem pressa.

De qualquer forma, o Márcio e a Aninha juraram que gostaram do passeio e prometeram que haverá uma próxima oportunidade para eu (ou melhor, meu "sócio" - o Murphy) tentar se redimir.

Foi isso.

Bons Ventos e até a próxima.



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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

BOTANDO O PAPO EM DIA

Olá amigos,

Quanto tempo, hein? Realmente faz tempo que não escrevo aqui. Não que o barco esteja parado ou eu tenha desistido, mas uma junção de fatores acabaram me afastando um pouco da escrita. De qualquer forma, o desejo de retomar "os causos"  é muito grande e pretendo acrescentar pelo menos uma postagem a cada mês.

Bem, neste período, muitas coisas aconteceram. Além, é claro,  dos passeios pela Ilha Grande, em março tirei o MYSTIC da água para fazer pintura de fundo, efetuei a regularização da poita do barco junto à Capitania dos Portos de Angra e, na parte triste desta crônica, comentar um acidente ocorrido a bordo.

Então é isso! Se acomode aí na frente do computador porque temos muita coisa pra conversar! (rs)

Carnaval é no paraíso!

Nunca fui muito chegado ao Carnaval. Aos 43 anos de idade, posso dizer que hoje dou muito mais valor a fugir para um lugar tranquilo, onde possa estar com a família e os amigos, sem muito barulho e sem muita aglomeração. Neste Carnaval, reservamos uns dias para levar nosso filhote 
Comandante e Imediato
aos bailezinhos do clube e nos outros, fomos para a Ilha Grande. Ao fazer a programação, sabíamos que o trânsito de Niterói para Angra ia estar horrível, então programamos nossa ida para a 2ª feira de Carnaval e o retorno para a 4ª feira de Cinzas, após o almoço. Mesmo assim, pegamos engarrafamento, pasmem, na ida.

Chegamos em Angra no esquema de sempre: almoço no clube e partida para o Bar da Telma, no Sítio Forte. Convidados a bordo estavam o Gustavo e sua namorada, Sabrina, que são pessoas que gosto muito de ter a bordo, pois são ótima companhia e o Gustavo é um excelente velejador.

A travessia foi a vela, apesar do vento fraco. Como o papo estava legal e o dia bonito, chegar rápido era o que menos importava. Resolvi passar no Bar do Lelé e encontrar o Fábio Pezzotti, do veleiro Teimosia II. Acabou que pegamos uma poita por lá, ficamos nadando e dormimos ali mesmo.

MYSTIC e Teimosia, no paraíso
Acordamos na 3ª feira, tomamos café e logo partimos para a Telma. O Fabinho ainda ficou mais algum tempo lá no Lelé e só apareceu na Telma de tarde. Nós já havíamos nadado, comido peixe, tira gosto "náuticos" diversos, Leite da Macaca e muita diversão com o filhote. Com a chegada do Fabinho e sua esposa - a Andressa, o bate papo ficou animado e nem sentimos o dia passar.

Na 4ª feira, partimos logo após o café da manhã, sempre no esquema de chegar no clube, arrumar o barco e partir após o almoço. O Teimosia II, em sua primeira temporada com o Fabinho no paraíso, seguiu para outras paragens em continuação às férias dele.

Fralda nova

Março foi o mês escolhido para docar o barco e realizar a pintura de fundo no MYSTIC. Após 3 anos, as cracas já se sentiam com residência fixa no casco e o intervalo entre cada raspagem estava ficando cada vez menor, com cada vez mais dificuldade de arrancá-las. Sendo assim, comprei dois galões de tinta anti-incrustante Renner e contratei o Celestino "Guinho", lá do ARMC para fazer o serviço. Como todo profissional decente que se preze, o preço não foi barato, mas posso atestar que o serviço ficou bem feito, fora a confiança e tudo o que o Guinho faz por mim quando não estou perto para resolver, ou seja, o valor pago foi justo.

MYSTIC no seco, no Marinas Clube

O barco foi docado no próprio ARMC e permaneceu 4 dias em seco. A curta estadia foi beneficiada pelo ótimo sol e calor que fazia, que acelerou bastante o trabalho do Guinho. Eu gostaria de ter aproveitado a docagem para substituir um registro do barco que não está abrindo mais, mas infelizmente não tive como ir para Angra trabalhar e a faina vai ser um pouquinho trabalhosa, pois parte do registro foi fibrada ao casco.

Licença para poita

No início do ano fui avisado lá no clube que a Capitania de Angra estava dando uma "moralizada" nas poitas de sua jurisdição e que já haviam passado lá no ARMC. Depois ouvi outro comentário de que estariam cortando poitas irregulares...

Quando comprei minha poita, não recebi qualquer documento de registro na CPAR (Capitania de Angra). Embora meu material (bloco de concreto, corrente e principalmente a bóia) estivesse todo conforme a Marinha exige, entendi que era uma boa oportunidade para regularizá-la na Capitania. Pesquisei na internet, peguei dicas valiosas de conhecidos e telefonei para lá. Em março, então, no dia que o MYSTIC foi docado, aproveitei para dar entrada na papelada e também providenciei uma bóia nova para a poita, afinal a Capitania havia dito que fariam uma vistoria no local.

Bem, a parte legal dessa história foi o atendimento da Capitania. Sempre que precisei entrar em contato com eles, foram bastante solícitos e engajados em resolver o problema. O melhor exemplo disso foi justamente a vistoria: nas instruções, eu é que teria que levar um oficial ao local para a vistoria, mas na prática, eles foram lá (pelo menos disseram que foram), vistoriaram e tomaram as coordenadas do local para o registro. Nota 10!!!

A parte ruim é que eles não fornecem um documento, na minha opinião, claro de que eu tenho o direito de utilizar aquele local para poitar minha embarcação. O documento (uma carta, na verdade) me reserva aquele espaço, mas é uma "autorização de obra", válida por X anos. Para mim, deveria ser um documento mesmo (tal como o da embarcação), onde deveria estar expresso que aquele espaço me foi cedido para fundear minha embarcação e que tenho direito a ele.

De qualquer forma, agora estou totalmente de acordo com as regras atuais e não devo mais nada a ninguém.

Passeio e tristeza

Aquele final de semana tinha tudo para ser tão bom quanto os de sempre. No início de julho partimos para Angra, dessa vez na 6ª feira de noite, após o jogo do Brasil, com a ideia de pernoitar no cais do clube e seguir para a Telma (Sítio Forte) no sábado de manhã, após o café. Dito e feito, zarpamos no sábado de manhã a motor, pois não havia uma gota de vento. Fomos direto para a Telma loucos para estrear nosso novo brinquedo - um stand up inflável. A água estava com uma transparência maravilhosa e numa temperatura bastante agradável. Chegamos, pegamos uma poita e logo inflei o brinquedão. Além de diversão e exercício, queríamos testar se seria possível juntar eu, minha esposa e o filhote ao mesmo tempo, para transporte da poita para a praia. Não posso dizer que não conseguimos, mas não sem pagarmos o mico de um tombo em conjunto. (rs)

Passamos um sábado agradável, principalmente depois da chegada do Ulisses e da Marcela no seu Caulimaram II. Brinquei com o Gustavo até cansarmos e todos batemos bastante papo até o fim da tarde, quando o frio indicou a hora de se recolher.

Fomos para o barco e a Renata foi botar água pra esquentar, para dar banho no Gustavo e eu fui ao banheiro. O Gustavo está mais do que acostumado a entrar e sair da cabine, já com enorme desenvoltura. De dentro do banheiro escutei o barulho de um tombo e o choro dele. Logo em seguida a Renata me pediu pra sair logo, pois achava que tinha acontecido algo mais grave. Saí e perguntei ao Gustavo o que tinha acontecido e ele contou que o barco balançou e ele caiu pra trás, do primeiro degrau da escada, bem atrás da Renata. Fazia sentido, porque o barulho do tombo foi pequeno e suave e confesso que não acreditava ser algo mais grave. Fizemos alguns exames na hora e realmente constatamos que o cotovelo havia inchado muito e rápido. Decidimos partir imediatamente, em busca de socorro em alguma clínica de Angra. Começava ali uma peregrinação que só acabaria em Niterói.

Papai, filhote e o brinquedão
Nossa primeira providência foi aplicar uma pomada gentilmente cedida pelo Ulisses e imobilizar o bracinho dele com atadura que temos a bordo. Zarpei imediatamente pra Angra e durante o caminho nosso pequeno dormiu no colo da mãe. Aproveitei o piloto automático e já fui arrumando todo o barco, de forma a não perder tempo quando chegássemos no clube. Ao chegarmos, fui me informar onde poderia levá-lo em Angra, mas na ausência de informações confiáveis, aproveitando que ele estava quietinho, dormindo, decidimos partir para Niterói, onde sabíamos que haveria socorro de qualidade disponível a qualquer hora. Assim o fizemos.

Chegamos ao HCN, em Niterói às 23h30 e, depois de uma peregrinação e alguns desencontros de um atendimento ruim, tivemos o diagnóstico de uma fratura no cotovelo. Esta semana, após pouco mais de um mês, nosso pequeno retirou a imobilização e agora é retomar a vida normal.

Com o bracinho na tipóia
O acontecido nos fez refletir sobre algumas coisas, como a necessidade de manter a bordo uma relação de pontos onde se possa conseguir socorro com alguma qualidade na região de Angra, em caso de acidente. Eu também refleti sobre onde falhei na hora do acidente, embora tenha concluído que realmente foi uma fatalidade. O médico que cuidou do Gustavo disse que essa é uma fratura muito comum em crianças da idade dele e que ele não carregará qualquer sequela em sua vida. Foi um grande susto, uma tristeza enorme que não desejo pra ninguém. Espero que o Gustavo não carregue algum trauma do acidente e tão logo possa, quero voltar ao Sítio Forte, pois temos um excelente final de semana que precisamos finallizar.

Férias no trabalho é trabalho nas férias

Na semana seguinte ao acidente, entrei de férias no trabalho. Com as tardes relativamente livres, resolvi dar um trato  no motorzinho Mercury 3.3 de apoio do MYSTIC. Nunca tinha feito nada nele, além de limpar carburador, mas de um tempo pra cá ele quase não "mijava" água na refrigeração, além do seu funcionamento estar sofrível.

O rotor
Tudo entupido


Primeiro limpei e regulei o carburador, mas ele continuou funcionando mal. Fui desmontar o rotor e acabei deixando vazar o óleo da rabeta. Tudo bem... já ia trocar mesmo. No desmonte da rabeta, descobri que o pino do hélice tava todo empenado e o próprio hélice quebrado por dentro.

Bem, troquei o rotor, comprei um pino novo e recondicionei em casa, com araldite, as partes quebradas do hélice. Depois de montar tudo, liguei o bicho e cadê a água? Desmontei tudo de novo e fui percorrer o caminho da água. Descobri um enorme entupimento no sistema e, na medida do possível, raspei os canais e desentupi o que deu. Montei tudo, botei o óleo da rabeta e liguei o motor. Funcionou perfeitamente e a água voltou a jorrar. Gostaria que saísse mais água, mas a verdade é que o tanto que saiu foi mais que suficiente para refrigerar a máquina. A água saía morna e isso pra mim é suficiente. Resta agora pendurar o motor no bote e sair para dar um rolé para testar se fiz tudo direitinho.

Bem pessoal, era isso. Os planos para a próxima aventura é trazer o MYSTIC para Niterói em breve, para mais uma rodada de manutenções, antes de retornar para a temporada de verão.

Bons Ventos.




sábado, 1 de março de 2014

TRAVESSIA RIO X ANGRA

Olá Pessoal,


Finalmente, depois de 10 meses em águas niteroienses, o MYSTIC retornou ao paraíso da Baía da Ilha Grande.

A travessia foi muito boa, tranquila e segura. A previsão praticamente se confirmou em sua totalidade e o clima ajudou bastante. Basta dizer que praticamente não fez frio durante a noite, que aliás estava iluminada por um belo luar.






Para essa empreitada, como já é tradição no MYSTIC, tive a companhia do amigo Ulisses Schimmels, comandante do veleiro Caulimaram e do amigo Gustavo Sampaio, comandante do veleiro Rappunzel. Todos velejadores bastante experientes e excelentes companhias para se ter a bordo. Na travessia, tivemos a companhia, também do veleiro TEIMOSIA II, do amigo Fábio Pezzotti, do Clube de Regatas Guanabara.


O MYSTIC ao amanhecer e o Teimosia II ao fundo
O MYSTIC partiu do Praia Clube São Francisco, em Niterói, às 23h25 de 6ª feira (21/02), com destino ao Angra dos Reis Marina Clube. Nossa previsão era cumprir as 71MN que separam os clubes em aproximadamente 15 horas de viagem, já que iríamos fazer um pitstop na Marina Portogalo, para deixar o Ulisses no barco dele. Acabamos levando 14 horas, o que se traduz numa boa média.






A Travessia

Partimos do PCSF com vento zero e mar calmo. Fora da Baía de Guanabara, o vento permaneceu parado, com ondas de aproximadamente 1m de SE. Sob essa condição, acabamos tendo que motorar a noite toda e só ao amanhecer, já no início da Restinga da Marambaia, fomos brindados com um vento NE acima de 15 nós. Cansados do ruído chato e cadenciado do honesto Control que equipa nosso barco, abrimos logo os panos e fizemos o MYSTIC velejar acima dos 6 nós, com surfadas na casa dos 7 a 7,5 nós e máxima de 8,5 nós (!). Já que o mar estava calmo e não tínhamos qualquer previsão de mudança radical, optamos por um trajeto mais próximo à costa e, portanto, mais curto. O lado bom dessa decisão foi, além da viagem ser mais rápida, a possibilidade de quebrar um pouco da monotonia da travessia com belas paisagens que a pouca distância da costa nos permitia ver. Por outro lado, não vimos um golfinho sequer.


Velejando rumo à Angra

Entramos na Baía da Ilha Grande velejando, mas assim que passamos do través da Vila do Abraão, o vento fraquejou de tal forma que optamos por ligar o motor novamente e concluir a viagem. O MYSTIC tocou o cais do ARMC, em Angra precisamente às 13h30 de sábado, sem qualquer avaria e com tudo em ordem. No reabastecimento do tanque calculei um consumo de aproximadamente 22L de diesel por aproximadamente 8 horas de uso (média de 2,75 litros/hora). Nada mal para um motor de 48HP, ao giro de 2.200 RPM.

Pra finalizar, jogamos uma água no convés para tirar o sal da viagem e abastecemos o tanque de água e de diesel. Pronto! o MYSTIC está pronto para o Carnaval, se a chuva permitir.

Até lá!!!